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A MORTE DO PROFESSOR II


                                                          Um dos livros do Professor Archimedes
                                                              

 

 

Jorge Carvalho do Nascimento*

 

 

De acesso fácil, o casarão no qual o professor Archimedes Pereira Guimarães vivia e foi assassinado, tinha como vizinhos uma outra casa e um bar. Os vizinhos, os fregueses e o proprietário do estabelecimento não ouviram ruídos e não perceberam nenhum movimento estranho que chamasse a atenção.

Quem fez os disparos contra Archimedes e sua filha Mafalda, atirou também contra a porta do quarto da empregada da família, que não se encontrava em casa naquele dia. Foram quatro tiros que perfuraram a porta. A empregada trabalhava somente dois dias por semana e na ocasião da tragédia não estava trabalhando. Segundo análise pericial da polícia, os disparos foram feitos de fora para dentro.

O crime impactou emocionalmente a Heloísa, a filha de Archimedes. Ela necessitou de uma internação no Hospital Santa Clara, também no bairro da Serra, logo após o crime, sob os cuidados do psiquiatra Hélio Durães Alkmin, que buscava lhe devolver o equilíbrio psicológico;

Heloisa, de 42 anos de idade, era advogada formada pela Universidade Federal de Minas Gerais, em 1970. Durante toda a sua vida estudantil, ela obteve sempre as primeiras colocações. Separada do marido desde 1979, vivia em companhia dos pais no casarão da Serra.

Poliglota, Heloísa era fluente em Inglês, Francês, Alemão, Espanhol, Italiano e Japonês, idiomas nos quais era capaz de falar e escrever corretamente, tendo residido nos Estados Unidos da América e viajado mais de uma vez para a Europa. Estava prestes a concluir um novo curso de graduação: o de Filosofia, como aluna da Universidade Federal de Minas Gerais.

Pianista e gourmet, a própria Heloisa dizia ser capaz de preparar qualquer prato, até mesmo os mais sofisticados. Talentosa com os trabalhos manuais, conseguia confeccionar em poucas horas qualquer tipo de roupa, copiando perfeitamente o modelo que desejasse, após uma única olhada.

A saúde frágil determinou a aposentadoria da advogada Heloísa como procuradora da Petrobrás, em 1981.Cordata, sempre demonstrava publicamente muito carinho pela pessoa do pai. Este a protegia muito. Heloisa tinha como um dos seus principais passatempos a leitura dos romances policias escritos pela inglesa Agatha Christie.

Heloísa considerava a sua mãe, falecida quatro anos antes da morte do professor, o ponto de equilibro emocional da família.

- Durante o período de vida da mamãe, a casa era toda alegria, pois ela transmitia a todos muito carinho e afeto.

Era afirmação frequente de Heloísa. A sua irmã Mafalda, que morrera ao lado do pai, era casada com Luiz Paulo Corrieri.

 

 

*Jornalista, professor, doutor em Educação, membro da Academia Sergipana de Letras e presidente da Academia Sergipana de Educação. 

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