Pular para o conteúdo principal

Postagens

É NECESSÁRIO IMPEDIR O SILENCIAMENTO DA MEMÓRIA

SOBRE OS 20 ANOS DE SILÊNCIO E SILENCIAMENTO DO TENENTE ARTHUR

                                                    Tenente Arthur Carvalho   Jorge Carvalho do Nascimento     Em 2006, o dia 28 de abril foi uma sexta-feira. Por volta do meio dia, uma informação alvoroçou o noticiário das emissoras de rádio e da TV e no dia seguinte estava em todos os jornais da imprensa do estado do Espírito Santo. O primeiro tenente Arthur Felipe de Carvalho Julião supostamente se suicidara aos 26 anos de idade, no quartel do 38º Batalhão de Infantaria do Exército, em Vila Velha. A família, os amigos e inúmeros companheiros de caserna e a própria imprensa, desde o primeiro momento, duvidaram da versão que dava conta da morte do tenente Arthur por suicídio. Hoje é o dia no qual a morte do tenente Arthur completa 20 anos sem que sua família tenha efetivamente certeza da causa. Há muitos fatos contraditórios e nebulosos que en...
Postagens recentes

O CRIME DA SERRA

  Jorge Carvalho do Nascimento     Eram nove horas da manhã do dia 14 de julho de 1984. Rotarianos, dirigentes do Instituto Geográfico e Histórico da Bahia - IGHB, dirigentes e professores da Associação Cultural Brasil-Estados Unidos - ACBEU, colegas e ex-alunos da Universidade Federal da Bahia - UFBA estavam reunidos em Salvador, na Igreja da Vitória, acompanhando a missa rezada em homenagem ao professor emérito da Escola Politécnica, da Faculdade de Filosofia e da Escola Agronômica da UFBA, Archimedes Pereira Guimarães. O homenageado passara a maior parte da sua vida na capital baiana. A missa deveria celebrar os 90 anos do nascimento de Archimedes. Mas, as orações eram motivadas pelo sétimo dia da sua morte. O celebrante, monsenhor Gaspar Sadoc, fez uma prédica em torno do Evangelho de São Marcos que trata dos últimos momentos de Cristo no Calvário. Estabeleceu um paralelo com os últimos instantes da vida de Archimedes, dizendo que o destino final dos mártires é o bom ...

HENRIQUE BATISTA, HISTORIADOR DA MEDICINA

                                                Henrique Batista   Jorge Carvalho do Nascimento     Desde as últimas décadas do século XX, estudiosos da História como Natalie Davis têm a percepção de que a principal tarefa da História é a de entender o passado, buscar o maior número de evidências e interpreta-las de modo a relaciona-las às questões propostas e ao material levantado. Historiadores como Maria Lúcia Pallares-Burke nos ensinam que “A história nos serve somente pelas perspectivas que nos abre, pelos pontos de vista que nos descortina... Também nos serve pela sabedoria ou paciência que pode nos dar e pela esperança da mudança com que pode nos confortar” (PALLARES-BURKE, 2000:88). Entendimentos como o da professora Pallares-Burke são amplamente aceitos por historiadores e por outros estudiosos do campo das humanidades, mas nem sempre encontram ...

GRACCHO CARDOSO, ARCHIMEDES GUIMARÃES E ANÍSIO TEIXEIRA

                                                  Maurício Graccho Cardoso     Jorge Carvalho do Nascimento     Em outubro deste ano de 2026 celebraremos os 100 anos do fim do governo de Maurício Graccho Cardoso. Até agora, a memória de Maurício Graccho Cardoso é presente entre os sergipanos. Todavia, os que se dedicam a pesquisar história ainda são devedores de estudos mais aprofundados sobre o seu governo, não obstante haver uma variedade de estudos nos quais esse político sergipano é presença forte. Todavia, creio que pe necessário estudar questões específicas. Uma delas é a importância das instituições intelectuais que foram criadas em Sergipe entre 1922 e 1926. Especialmente é fundamental estudar a diversidade dos intelectuais que Graccho mandou buscar em outros estados para auxiliá-lo na sua gestão inovadora. A mim, um deles, ...

PARA ONDE VAI O MUSEU DA GENTE SERGIPANA?

                                                Ézio Déda     Jorge Carvalho do Nascimento     É possível afirmar que aos 50 anos de idade que completou no último mês de outubro de 2025, o arquiteto Ézio Déda é, sem nenhuma dúvida, o nome mais importante da arquitetura sergipana quando se discute temas como restauração de edifícios históricos, da paisagem urbana e da expografia museal que incorpora a tecnologia multimídia. Em tal área ele é um dos mais importantes não apenas em Sergipe, mas no Brasil. Ézio Déda firmou definitivamente o seu trabalho nesse campo em 26 de novembro de 2011, quando se inaugurou em Aracaju o Museu da Gente Sergipana Governador Marcelo Déda, após a restauração do edifício no qual funcionou o Atheneu Pedro II, inaugurado em 1926 por Maurício Graccho Cardoso, então presidente do estado de Sergipe. Hoje tomei conhecimento que...

ARCHIMEDES PEREIRA GUIMARÃES E OS DESCAMINHOS DO PESQUISADOR

  Jorge Carvalho do Nascimento     Em 1998 eu estava dedicado a um projeto de pesquisa que investigava a história do ensino superior de Química no estado de Sergipe. A partir da minha condição de professor do Departamento de História da Universidade Federal de Sergipe obtive um financiamento do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico – CNPq para a execução do estudo. Estabeleci como lócus inicial do meu trabalho os arquivos do Instituto de Tecnologia e Pesquisa do Estado de Sergipe – ITPS, então completando 75 anos de funcionamento ininterrupto desde a sua fundação em julho de 1923. Chamou a minha atenção o fato de o Instituto ter sido criado pelo engenheiro Archimedes Pereira Guimarães, nascido em Campinas, professor da Escola Politécnica da Bahia, que em 1984 morava em Belo Horizonte e morreu assassinado a tiros de revólver por uma filha, num momento em que ela estava acometida por um surto em face da esquizofrenia, doença da qual era aco...

A MÃE DA MÉDICA

    Jorge Carvalho do Nascimento     Faltavam 13 dias para terminar o verão. Aquela quarta-feira fora de muito sol e calor, como sempre acontecia nas últimas semanas do outono na cidade do Recife. Naquele oito de dezembro de 1973, Sônia estava elegantérrima. Era a própria expressão da elegância tropical. A mãe da formanda expressava a moda da época, misturando a sobriedade exigida pelo ambiente histórico do Teatro Santa Isabel com a liberdade estética que as mulheres da segunda metade do século XX haviam conquistado. O seu vestido em chiffon de seda azul escuro com comprimento midi, logo abaixo dos joelhos, respeitava o ´protocolo da festa e era confortável sob o calor úmido do litoral das cidades do nordeste do Brasil, evitando a transpiração. Enquanto Sônia subia elegantemente as escadarias de mármore do teatro, era possível sob o contra luz observar a sua silhueta discreta de mulher bem torneada, valorizada pelo corte em evasê que se abria a partir da cintura, bem...