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EVERALDO, A POLÍTICA E JACKSON BARRETO

                                                Jackson Barreto


 

 

Jorge Carvalho do Nascimento

 

 

Uma das maiores dificuldades que Everaldo Aragão Prado enfrentou na gestão da política educacional sergipana foi a sua notória limitação em dialogar com os líderes da vida política do Estado de Sergipe, principalmente com aqueles que esboçavam posições opostas às suas.

No parlamento, um dos maiores críticos da gestão de Everaldo foi o deputado estadual oposicionista Jackson Barreto de Lima, do Movimento Democrático Brasileiro – MDB. Eram várias as motivações que Jackson encontrava para criticar as ações ou a inação de Everaldo.

Irônico, em abril de 1977, Jackson discursou na tribuna da Assembleia Legislativa “dizendo que as últimas atitudes assumidas pelo Secretário da Educação, Everaldo Aragão, configuravam um estado de insanidade mental”. Tal discurso foi noticiado pelo jornal Gazeta de Sergipe.

O deputado Jackson Barreto sugeriu que fosse formada uma Junta Médica “para elaborar um diagnóstico sobre o desempenho das faculdades mentais do referido Secretário. Jackson disse que as perseguições movidas contra professores pelo secretário chegavam a um ponto de paroxismo e solicitou a intervenção do governador José Leite para que cessassem os atos de vindita.

Afirmou o parlamentar que recentemente o Secretário Everaldo Aragão baixou portaria transferindo para Itabaiana o professor José Jeferson Eusébio Ribeiro por ter aquele professor ingressado na justiça com uma ação contra a SEC. Disse Jackson que não podendo demitir o professor que tinha treze anos como contratado o Secretário resolveu simplesmente manda-lo para Itabaiana. Também uma outra professora teria sido removida segundo Jackson por perseguição.

Em aparte Oviedo Teixeira disse que sendo o Governador José Leite um católico praticante não iria admitir perseguições em seu Governo e certamente tomaria as medidas cabíveis”.

Também provocou um forte tensionamento o anúncio, em abril de 1977, de que naquele ano seria adotado em todas as escolas de segundo grau da rede oficial do estado um novo sistema curricular. À época se especulou que o novo sistema eliminaria as práticas de avaliação, deixando de existir as reprovações.

O jornal Gazeta de Sergipe, que foi um forte crítico do trabalho de Everaldo, afirmou que “o novo método já foi aprovado pelo Conselho Estadual de Educação. Com a implantação do novo sistema, os estudantes ao entrar para o 2º grau escolhem quantas e quais as disciplinas que desejam estudar”. Na verdade, tais afirmações não passavam de especulação da parte do jornalista que fez o texto.

A especulação prosseguia: “Alguns diretores da rede oficial do estado consideram a nova sistemática como vantajosa para o ensino de 2º grau, principalmente para os alunos do turno noturno que poderão fazer quantas matérias desejarem, além da eliminação das reprovações”.

Em maio de 1977, o jornal Gazeta de Sergipe registrou uma série de críticas a Everaldo feitas por Jackson Barreto na sessão da Assembleia do dia anterior. “O deputado Jackson Barreto disse que falta aos nossos administradores a sensibilidade para solucionar os problemas que mais afetam a população”.

O deputado, de acordo com a Gazeta de Sergipe, prosseguiu criticando: “Jackson afirmou que já se passaram três meses após a reabertura das aulas e em vários colégios continuam existindo problemas que impedem o aproveitamento de quem deseja estudar. No bairro Matadouro, disse Jackson Barreto, existem mais de mil crianças sem escola, e ali se multiplicam os conjuntos habitacionais”.

Everaldo também enfrentou a oposição dos proprietários de escolas da rede particular de ensino, principalmente quando pretendeu ampliar os poderes do Conselho Estadual de Educação. Novamente recorro ao noticiário do jornal Gazeta de Sergipe, desta feita no dia 08 de maio de 1977, para retratar as animosidades.

“O Governo do Estado pediu de volta a Assembleia Legislativa o projeto que reformaria o Conselho Estadual de Educação, dando-lhe maiores poderes, inclusive o de fiscalizar mais incisivamente a rede particular de ensino. O que levou o Governo a tomar esta medida ainda não se sabe ao certo. Comenta-se apenas que a própria bancada arenista teria se insurgido contra o projeto e estaria disposta a rejeitá-lo. Para evitar um problema maior, o Governo resolveu retirá-lo de pauta, esperando por dias melhores.

O que se sabe, também, é que até dentro do próprio governo havia auxiliares contra o projeto. De qualquer modo, pelo menos agora o Conselho Estadual de Educação fica como está”.

Indiferente ao acervo crítico que colecionava, Everaldo continuou executando o plano de ação traçado por ele para o trabalho na secretaria da educação e cultura, principalmente quanto a implantação dos novos padrões de funcionamento da rede escolar preconizados pela reforma do ensino estabelecida na lei 5.692/71.

O plano estabeleceu reformas e adaptações nos edifícios da rede escolar pública sergipana, o que também era noticiado pelo jornal Gazeta de Sergipe, como aparece no noticiário de maio de 1977 que aqui transcrevo: “O Secretário Everaldo Aragão Prado, da Educação e Cultura, acaba de assinar vários contratos para a ampliação e recuperação de unidades escolares da rede de ensino estadual (...).

Os contratos firmados beneficiam 8 unidades escolares localizadas em Riachuelo, Neópolis, Lagarto, Malhador, Rosário do Catete, Nossa Senhora de Lourdes, Simão Dias e Tobias Barreto. O Secretário da Educação teve o ensejo de explicar que essas ampliações permitirão a implantação das últimas séries do 1º Grau, ou sejam, do Ginásio antigo”.

 

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