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PARA ONDE VAI A ORQUESTRA SINFÔNICA DE SERGIPE?

 

 

Jorge Carvalho do Nascimento

 

 

É comum aos que se debruçam sobre a vida intelectual do estado de Sergipe reconhecer e aplaudir a grande quantidade de sergipanos que fazem sucesso em outros estados. Mas, é raro tomarmos conhecimento de intelectuais nascidos em outros estados que deixam sua terra, migram para Sergipe e fazem sucesso com a atividade intelectual por aqui.

Gente como Joel Silveira, Ancelmo Gois, José Carlos Monteiro, Gilberto Amado, Tobias Barreto, Hermes Fontes, João Ribeiro, Jenner Augusto, Laudelino Freire, Gumercindo Bessa, Luiz Antônio Barreto, Francisco Baptista, Otaviano Canuto e tantos outros são frequentemente citados como bons exemplos de sergipanos que fizeram sucesso em outros lugares.

Aqui, estou interessado em intelectuais de outros estados que fizeram sucesso em Sergipe. Lembrei disto e faço tal reflexão porque fiquei chocado, na manhã desta sexta-feira, ao tomar conhecimento do desligamento do maestro Guilherme Mannis que, durante 19 anos, a partir de 2006, comandou a Orquestra Sinfônica de Sergipe – Orse. A ele quero homenagear e agradecer por tudo que fez.

Nas duas últimas décadas, Mannis foi uma das figuras de maior importância da música erudita em Sergipe, além de se destacar como um dos regentes mais relevantes do século XXI, no Brasil. Ele era o diretor artístico e regente titular da orquestra sergipana.

Guilherme Mannis é responsável pela profissionalização e expansão da orquestra que, sob a sua liderança, transformou-se em uma importante referência sinfônica nordestina e brasileira. Em 2025, a orquestra comemorou os seus 40 anos de fundação. Metade desse tempo sob a liderança de Guilherme Mannis.

Sob a sua direção artística, a orquestra conheceu um largo período de diversificação do seu repertório, com a valorização de clássicos como Tchaikovsky e Beethoven. Mais importante: o repertório da orquestra incorporou e valorizou a música popular brasileira e a música de compositores sergipanos.

Mannis nasceu em São Paulo, onde iniciou a sua sólida formação acadêmica. Foi um dos mais aplicados dentre os discípulos do celebrado maestro Isaac Karabtchevsky, seu professor de regência. A sua boa formação faz com que, frequentemente, Guilherme seja convidado a reger orquestras importantes no Brasil e no exterior.

O maestro aportou em Sergipe convidado pelo inesquecível líder político sergipano José Carlos Teixeira, quando este exercia o cargo de secretário de estado da cultura, durante o terceiro governo de João Alves Filho. Mannis trouxe energia para o pódio da Orquestra Sinfônica de Sergipe e muita capacidade de gestão cultural.

O maestro deixou o seu cargo na Orse para assumir a carreira de professor de regência da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, após aprovação em concurso público. Buscou o que a Orquestra de Sergipe não lhe oferecia: estabilidade profissional no emprego, boa remuneração e uma carreira acadêmica sólida na qual pode progredir profissional e financeiramente.

A saída do maestro Guilherme Mannis expõe a fragilidade da nossa orquestra como instituição cultural. O governador de Sergipe, Fábio Mitidieri, tem demonstrado sensibilidade e tomado iniciativas nas políticas de educação e cultura e poderia aproveitar o afastamento de Mannis para promover uma grande reforma na política estadual voltada para o campo da música.

Sensibilidade e recursos para promover a música popular não nos faltam. Está na hora de se fazer também a promoção da música erudita. Uma única apresentação do DJ Alok custa cerca de um milhão de reais. Isto equivale a alguns meses de custeio da Orse. Sem falar em outros artistas também muito valorizados financeiramente que são contratados pelo estado para manter a agenda cultural durante o ano.

O governador Fábio Mitidieri poderia enviar projeto de lei à Assembleia Legislativa, a propósito dos 40 anos de fundação da orquestra. Aproveitar a efeméride para reestruturar a orquestra e o Conservatório de Música de Sergipe como instituições musicais sergipanas.

Qual deve ser o modelo institucional da Orquestra? Existem inúmeras possibilidades. O governador Mitidieri poderia encarregar o secretário de estado da cultura, o presidente da Funcap, o secretário executivo da secretaria da cultura e um representante da Orse para visitar orquestras existentes em São Paulo, no Rio de Janeiro, em Minas Gerais, no Rio Grande do Sul, no Paraná e encontrar um modelo que se ajustasse a realidade sergipana.

O momento é favorável. Numa iniciativa que todos aplaudiram, o governador Fábio Mitidieri criou a Universidade Estadual de Sergipe – Unese, atualmente em implantação. A Unese poderia incorporar a Orquestra e o Conservatório de Música e estabelecer carreiras de músicos atreladas às suas carreiras de docentes e pesquisadores.

Por fim, sugiro ao governador Fábio Mitidieri: Excelência! Aproveite a celebração do aniversário da cidade de Aracaju, no próximo dia 17 de março, e promova um grande concerto da Orquestra em homenagem ao aniversário da cidade. Convide Guilherme Mannis para reger tal concerto.

Seria o concerto oficial de despedida do maestro que tanto fez pela cultura sergipana. Na mesma oportunidade, o governador poderia conceder ao maestro o título de Regente Emérito da ORSE. Além disto, o governador pode, na mesma solenidade anunciar a reestruturação da Orquestra Sinfônica de Sergipe. Todos os sergipanos aplaudirão.

 

Comentários

  1. Bravíssimo! A saída do Maestro Mannis é uma enorme perda para os sergipanos, que através do seu trabalho aprenderam a valorizar a ORSSE e se organizaram como público para os seus concertos. Por isso, desejo que a sua sugestão seja aceita pelo governador e que tenhamos a oportunidade de demonstrar ao Maestro a nossa gratidão.

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  2. Disse tudo e mais um pouco professor Jorge.

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  3. Parabéns Jorge Carvalho excelente análise e propostas para serem desenvolvidas no estado. O conservatório precisa ter o seu quadro de professores efetivos. O Secretaria de Educação precisa dialogar com o conservatório daí nascera frutos essenciais. A música é uma riqueza pra formação conservatório teuma excelente contribuição.
    Veja que maravilha as Academia de Educação ser a mediadora desse projeto.

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  4. Otima colocação. Inclusive, incentivar o estudo da música nas unidades. Minha filha sergipana terá que sair do estado pars cursar bacharelado no seu instrumento, pois no nosso estado não tem oferta desre curso nas universidades de Sergipe. Vamos lutar pela valorização dos músicos sergipanis .

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  5. Não me impressiona uma pessoa enaltecer hipotéticas qualidades quando esta é totalmente alheia a realidade cultural de Sergipe e mais especificamente a realidade da música de concerto no Estado. Ir a dois ou três concertos não lhe faz uma pessoa que saiba qual a realidade enfrentada por esta orquestra, principalmente pelos músicos, frequentemente assediados moralmente por este ser inescrupuloso que só não foi condenado por acordo extrajudicial.
    Esta orquestra continua com um dos piores salários do Brasil e seu quadro só tem deteriorado ao longo destas quase duas décadas, quando a maioria das orquestras brasileiras alçou conquistas tímidas, mas proeminentes. Isso, é reflexo de uma pessoa que se encontra à frente do processo, mas só esteve preocupado em usar esta orquestra como moeda de troca, vide a prática de ir reger outras orquestras e trazer seus regentes pra reger a ORSSE garantindo assim um cachezinho lá e seus camaradas um cachezinho cá.
    Por fim, desde sua chegada aqui, ele garante que a exoneração de músicos, e principalmente nós, sergipanos, fora uma realidade, basta procurar saber sobre o abaixo assinado que conteve NOVENTA E UM POR CENTO de adesão dos músicos e com solicitação de funcionários do teatro de aderirem e abafado pela então gestora da FUNCAP, que com mão de ferro, calou uma reinvindicação de quase 60 pessoas que queriam poder trabalhar sem estar sob efeito de medicação. Sugiro apagar tal postagem para que não pareça que você compactue com a prática de um ser desses, além de não deixar registrado TOTAL DESCONHECIMENTO sobre a realidade sofrida pelos funcionários da amada ORSSE!

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