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O MEU FILME DE VERÔNICA

                                                 Verônica Maria Menezes Nunes


 

Jorge Carvalho do Nascimento

 

 

A minha memória mais remota me remete ao ano de 1969, na sala de aula do Atheneu, estudando com o hoje engenheiro civil Antônio Fernando Nunes. No filme que passa na minha retina surgem, ainda no Atheneu, Vera Marta que mais tarde se estabeleceu profissionalmente como professora de educação física.

José Correia Nunes Filho, o Zelito, depois bacharel em direito, advogado e oficial de justiça, também é personagem quando estudante do Atheneu, sempre bem humorado e fazendo amigos. Sílvia Helena, Lauro Henrique e Geraldo Luiz, os outros irmãos de Verônica, aparecem em imagens difusas e desfocadas. Nunca estabeleci com eles uma relação de amizade mais permanente como consegui fazer com os três que citei inicialmente.

O foco em Verônica Maria Menezes Nunes é do ano de 1970. Ela uniformizada de bandeirante, ao lado de Vera Marta também envergando o mesmo uniforme, nas reuniões e eventos do movimento escoteiro. Eu, Antônio Fernando e Zelito éramos escoteiros.

Pano, rápido. As próximas cenas são do final do ano de 1975, na chamada Casa Rosada, a sede da Secretaria da Educação e Cultura do Estado de Sergipe, na avenida Ivo do Prado. Verônica prestes a colar grau e se estabelecer profissionalmente como professora de História, dedicada folclorista, antropóloga e museóloga que atuava na equipe liderada por figuras que marcaram época a exemplo de Everaldo Aragão Prado, Luiz Antônio Barreto, Antônio Garcia Filho, José Anderson Nascimento, Jackson da Silva Lima e Aglaé D’Ávila Fontes.

Estávamos todos organizando a primeira edição do Encontro Cultural de Laranjeiras. Verônica incansável, operando cada detalhe do monumental evento com outros jovens profissionais como José Walfran de Brito, Lindolfo Amaral e Amaral Cavalcante, para citar somente estes.

Outro corte no longa metragem acontece na metade dos anos 70 do século XX. No curso de Direito da Universidade Federal de Sergipe meu caminho cruzou novamente com o de Zelito. Além dele, figuras como José Anselmo de Oliveira, Luizinho Santana e muitos mais. Iniciando o seu ofício de professor universitário, José Anderson Nascimento ao lado de “vacas sagradas” do ensino jurídico sergipano como José Bonifácio Fortes Filho, Luiz Rabelo Leite, Arthur Oscar de Oliveira Déda, Antônio Góes, Luiz Carlos Fontes de Alencar, Juçara Leal, Eugênia Ribeiro, Wagner Ribeiro, Monteirinho. Melhor parar por aqui. A lista é extensa.

O lazer da vida boêmia me levava aos bares da vida na Atalaia, depois no Baixo Barão, na Atalaia Nova e em outros lugares da cidade. Era sempre muito bom encontrar com a alegria contagiante e a conversa inteligente de Vera Marta. Foram algumas das páginas do livro bom da nossa linda juventude.

O diretor de cena retoma as filmagens em 1988. Fui aprovado no concurso para professor do Departamento de Filosofia e História da Universidade Federal de Sergipe. Três anos depois tomam posse no mesmo Departamento o professor Antônio Lindvaldo Sousa e a querida amiga bandeirante Verônica Maria Menezes Nunes, agora respeitada professora universitária e prestigiada pesquisadora e museóloga.

No Departamento de História consolidei minha amizade com Verônica. Convivemos com colegas fantásticos: Izabel Ladeira, Lindvaldo, Chico Padre, Terezinha Oliva, Lenalda Andrade Santos, Maria Thétis Nunes, Maria da Glória Santana de Almeida, Lourival Santana Santos, José Paulino da Silva, Luiz Eduardo Pina, Fábio Maza. E muita gente, inclusive alguns na condição de alunos que agora são importantes professores como Samuel Albuquerque, Dilton Maynard Cândido, Andreza Maynard, Fábio Alves dos Santos, Joaquim Tavares da Conceição. O rol é muito longo.

O Departamento de História me aproximou mais de Verônica. Descobri a inteligência, a sagacidade e a doçura da colega. Acompanhei os seus estudos de História e Antropologia com ricas abordagens acerca da história do catolicismo entre nós.

Sou testemunha do trabalho de Verônica nos arquivos e acervos do Atheneu, de São Cristóvão, do Museu de Arte Sacra, do Museu Histórico de Sergipe, do Instituto Histórico e Geográfico de Sergipe, de Laranjeiras, da Universidade Federal de Sergipe, do Programa de Documentação e Pesquisa Histórica do Departamento de História – o PDPH.

Sou grato a Verônica pela ajuda inestimável que recebi da parte dela quando fomos parceiros na organização do acervo do Instituto Dom Luciano Duarte, preservando a memória do notável arcebispo sergipano que marcou a história da Igreja Católica entre nós.

Fui observador da boa dupla de trabalho que Verônica formou juntamente com Sayonara Viana e dos muitos trabalhos que ambas legaram aos estudiosos da História de Sergipe. Ao lado de Sayonara, Verônica ainda tinha muito por fazer.

Nesta segunda-feira, 1º de dezembro de 2025, pela manhã, o amigo Antônio Lindvaldo me transmitiu a triste notícia: Verônica, a menina que nasceu em três de maio de 1952, partiu. Permaneci em silêncio por alguns minutos. Depois compreendi que a prolongada enfermidade que a acometeu foi o prévio aviso aos amigos de que o momento da despedida se aproximava.

Quando todos éramos escoteiros, ao final de cada acampamento cantávamos a Canção da Despedida: “Por que perder a esperança de nos tornar a ver? Por que perder a esperança, se há tanto querer? Não é mais que um até logo. Não é mais que um breve adeus...”.

Sobem os créditos da película com os nomes de todos aqueles que juntamente conosco foram protagonistas no filme da vida. Os que eu aqui citei e os que a minha memória de velho não permitiu lembrar...

 

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