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AS MULHERES E OS HOMENS DE LUCIANO

    Jorge Carvalho do Nascimento*     No final do ano de 1995 retornei do período de um ano de pesquisas que fiz na Johann Wolfgang Goethe Universität, em Frankfurt, na República Federal da Alemanha. A bolsa sanduiche que recebi da Capes foi muito importante por me possibilitar frequentar arquivos alemães. Em tal período, busquei compreender problemas atinentes a trocas culturais Brasil-Alemanha durante o século XIX, principalmente nas províncias localizadas na porção do território brasileiro que contemporaneamente entendemos ser a região Nordeste, consolidada na segunda metade do século XX. Ao voltar à PUC de São Paulo, onde fazia o doutoramento, Mirian Jorge Warde, a minha orientadora, sugeriu que eu frequentasse como ouvinte algumas aulas ministradas por Marta Maria Chagas de Carvalho para os alunos que ela orientava na USP. Foi a frequência a tal disciplina que me aproximou e com o tempo me fez amigo de alguns jovens pesquisadores que atualmente são r...

BOULANGER E A HISTÓRIA DO ESCOTISMO CARREGADA DE SENSIBILIDADE HUMANA

      Jorge Carvalho do Nascimento*     Conheci o trabalho de Antonio Boulanger em 2006, quando estava trabalhando na pesquisa que resultou no livro A ESCOLA DE BADEN-POWELL. Até então ouvira falar do seu trabalho como pesquisador e aplicado estudioso da história do Escotismo, mas não conhecia a sua produção. À época da minha pesquisa, quando li o seu livro O CHAPELÃO, terminei a leitura contaminado pela boa qualidade da sua atividade de pesquisador. No último final de semana acabei de fazer a leitura do mais novo livro de Antonio Boulanger. O MOVIMENTO: OS PRIMEIROS ANOS DO ESCOTISMO é um livro de 143 páginas publicado pela editora Letra Capital, onde Boulanger demonstra as dificuldades e contradições existentes no processo de afirmação do Escotismo, o maior movimento juvenil de Educação extraescolar do mundo. Toda a experiência do historiador paraibano, nascido em Campina Grande no ano de 1955, emerge num texto fluido e leve, característico da su...

THAIS BEZERRA: QUATRO DÉCADAS DE COLUNA SOCIAL

                                              Thais Bezerra     Jorge Carvalho do Nascimento*     Desde a década de 80 do século XX, o Jornal da Cidade se transformou no principal veículo da mídia impressa em Sergipe e manteve em seu quadro de jornalistas, como principal nome da coluna social a jornalista Thais Bezerra. Ela permanece em atividade até agora, 43 anos depois de assinado a sua primeira coluna, publicada pelo jornal Gazeta de Sergipe. Sem dúvida, Thais Bezerra é o nome mais importante e mais longevo do jornalismo sergipano como colunista social ainda em atividade. Qualificada, competente e empreendedora soube fidelizar leitores, desde que se iniciou profissionalmente, em 28 de agosto de 1978. A então principiante jornalista havia começado a trabalhar aos 17 anos de idade, em Porto Alegre, na agência de publicidade Promox. Quando retornou a Ar...

A SEDUÇÃO HISTÓRICA NA AUTOBIOGRAFIA DE FREITAS

    Jorge Carvalho do Nascimento*     A leitura de livros como SOBRE O TEMPO e A SOLIDÃO DOS MORIBUNDOS, escritos pelo sociólogo alemão Norbert Elias; A CIDADE DE DEUS e, também SOBRE OS CUIDADOS COM OS MORTOS, de Santo Agostinho; e A LÓGICA DA VIDA, de François Jacob me ajudaram a compreender que a morte é a verdadeira realização da vida e o quanto é importante organizar o modo como seremos vistos pelos pósteros. Narradas em primeira pessoa, as autobiografias cumprem tal função e contribuem para a compreensão de determinados contextos históricos. Não casualmente, anônimos e famosos costumam dar a conhecer detalhes da própria vida em trabalhos autobiográficos. Muitas vezes é exatamente a autobiografia que projeta e faz famosos os anônimos. A história está cheia de autobiografias de anônimos que se transformaram em figuras relevantes. Talvez um dos exemplos de melhor qualidade a apresentar neste debate seja o de Anne Frank. A desconhecida garota judia ficou famosa apó...

AS REFLEXÕES DE ADILSON SOUZA

      Jorge Carvalho do Nascimento*     O professor, economista e escritor Adilson Souza é doutor pela Florida Christian University, em Orlando, nos Estados Unidos da America, mestre em Psicologia e especializado em Educação, Administração de Empresas e Administração de Recursos Humanos. A gentileza da minha prezada amiga Sandra Maria Coelho Nunes fez com que ele conhecesse os textos que costumo publicar e me enviasse com uma dedicatória gentil o seu livro LIDERANÇA E ESPIRITUALIDADE: HUMANIZANDO AS RELAÇÕES PROFISSIONAIS. A Adilson e a Sandra agradeço a oportunidade que tive de conhecer o trabalho do desse autor brasileiro que vive em São Paulo e trabalha na Florida Christian University, na América do Norte, e no Brasil atua na Escola Superior de Propaganda e Marketing – ESPM e na Fundação Getúlio Vargas. A leitura das 155 páginas do ensaio de Adilson Souza vale a pena e nos coloca diante de questões que são recorrentes lida profissionalmente co...

O COLUNISMO SOCIAL DE KARMEN MESQUITA

      Jorge Carvalho do Nascimento*     Atravessei as décadas de 70, 80 e 90 do século XX consumindo todos os dias jornais como Diário de Aracaju, Gazeta de Sergipe, Jornal da Cidade, Jornal de Sergipe, Tribuna de Aracaju e outros mais. Também cultivei, no mesmo período, o hábito de ouvir os programas jornalísticos das emissoras de rádio Atalaia, Jornal, Cultura, Difusora e Liberdade. No jornal Diário de Aracaju incorporei a mania de fazer a leitura diária da coluna social assinada pela jornalista Karmen Mesquita, marcada pela leveza de notas e comentários que sempre buscavam valorizar as ações e as pessoas objeto do registro que ela costumava fazer. Do mesmo modo, aprendi a ouvir de segunda a sexta-feira na Rádio Atalaia de Sergipe o programa Show de Notícias e dentro dele uma coluna apresentada pela mesma jornalista Karmen Mesquita. Nunca esqueci da doçura de uma das vozes mais bonitas que já tive a oportunidade de escutar no rádio, com um trabalho de colunist...

OLIMPÍADAS, JAPONESES E TERRAPLANISTAS

      Jorge Carvalho do Nascimento*     A cada quatro anos, sempre em um ano par, a reflexão a respeito de questões postas pelos jogos olímpicos toma conta dos meus pensamentos e faz com que eu me assuste diante da minha ignorância, que neste caso cabe bem chamar de olímpica, acerca de questões esportivas. A situação está mais aguda neste 2021, quando estamos celebrando a realização de jogos olímpicos em ano ímpar. Este é o primeiro estranhamento. Afinal, Olimpíadas são realizadas a cada quatro anos. A última edição foi em 2016. A pandemia Covid-19 transformou quatro anos em cinco ou cinco anos em quatro? Outra dúvida que eu não sei responder. Para debochar ainda mais de mortais comuns e ignorantes quanto aos esportes como eu, os Deuses do Olimpo (no caso, os Deuses do Comitê Olímpico Internacional – COI) deliberaram ser a cidade de Tóquio, no Japão, o espaço geográfico adequado para isto. Pela primeira vez tive o desejo de ser correta a tese dos terraplanistas....

ANGÚSTIA OLÍMPICA

                                                Simone Biles     Jorge Carvalho do Nascimento*     Repercutiu muito a angústia depressiva da ginasta norte-americana Simone Biles, detentora de 31 medalhas de competições olímpicas e de campeonatos mundiais. Em meio a Olimpíada que se disputa atualmente no Japão, ela se submeteu a uma avaliação médica e optou por se ausentar das disputas e cuidar da sua saúde mental. Os problemas de saúde mental entre atletas de alto rendimento são mais comuns do que se possa supor. O físico escultural, a fama, o estrelato, os recordes e as vantagens econômicas oferecidas pelos patrocinadores não são nenhuma garantia do gozo de uma boa saúde mental. Há uma angústia latente e permanente para todos eles, dada pelo fato de possuírem carreiras que garantem ascensão rápida e sucesso retumbante a pessoas que em boa parte dos...

O CONSERVADOR ICONOCLASTA CHOCOU OS CONSERVADORES

                                              Luiz Adelmo     Jorge Carvalho do Nascimento*     Jornalistas que fazem coluna social normalmente são vistos como pessoas que vivem promovendo a vida glamourosa de ricos e poderosos e em alguns momentos entendidos como profissionais que se dedicam a bajular os grupos da elite econômico e os filhos das famílias ditas tradicionais. Nos últimos anos tenho me dedicado a estudar, pesquisar e escrever sobre o tema e quanto mais me aprofundo fico convencido de que não é bem assim. A coluna social, como qualquer outra prática humana comporta as distintas dimensões daquilo que somos nós humanos no modo como vemos os outros e como somos vistos pelas outras pessoas. A morte nesta terça-feira, 20 de julho de 2020, do jornalista Luiz Adelmo Soares de Souza, outra vez me chama a atenção para o quanto todos nós somos comple...