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A CÂMARA MUNICIPAL DE ARACAJU

                                                                      Olímpio Campos



 

 

Jorge Carvalho do Nascimento*

 

 

A Câmara de Vereadores de Aracaju foi criada no mesmo ano em que o Presidente da Província de Sergipe, Inácio Barbosa, transferiu a capital de São Cristóvão para Aracaju. Quando aconteceu a transferência, o Brasil era uma nação independente na qual vigorava a Constituição do Império. O artigo 167 daquela Carta estabelecia: “Em todas as cidades e vilas ora existentes, e nas mais que para o futuro se criarem, haverá câmaras, às quais compete o governo econômico e municipal das mesmas cidades e vilas”. As câmaras municipais eram eletivas e o número de vereadores de cada uma delas definido em lei, cabendo a presidência ao mais votado.

A História do Poder Legislativo no Município de Aracaju é, portanto, uma expressão importante da história política da capital de Sergipe e das práticas de vida dos homens e mulheres que nesta cidade viveram e vivem. Tal História é reveladora das distintas formas de exercício do direito de participação política da população.

A cidade de Aracaju foi fundada em 1855, para ser a capital da Província. O primeiro presidente da Câmara Municipal foi o vereador João Luiz. Ao lado dele, a primeira Câmara era formada também pelos vereadores João José Alves dos Santos, Manoel Terra dos Santos e Pedro Franco Lude. A Câmara funcionou até 1889, quando foi proclamada a República.

Logo após a proclamação, as atividades da Câmara foram suspensas. Um ano depois, as antigas Câmaras foram transformadas em Conselho da Intendência Municipal. Os primeiros membros do Conselho da capital do Estado de Sergipe, empossados pelo governo provisório, ainda em 1890, antes mesmo da vigência da Constituição Republicana, foram Olinto Rodrigues Dantas, Olímpio de Souza Campos (foto), José de Siqueira Menezes, Manuel Francisco Alves de Oliveira e Domingos de Santiago.

A instituição funcionou regularmente até 1930, quando foi fechada pelo regime chefiado por Getúlio Vargas. Todavia, a Constituição de 1934 autorizou a reorganização das casas legislativas municipais. Como aconteceu nos demais municípios brasileiros, a Câmara Municipal de Aracaju foi reaberta em 1935 até ser fechada outra vez, após a decretação do Estado Novo, em 1937. Depois disso, o parlamento municipal somente seria reaberto 10 anos após, em 1947.

A Câmara Municipal de Aracaju voltou a viver um período turbulento após o golpe militar de 1964. No mesmo dia da decretação do golpe, os militares procuraram os vereadores Agonalto Pacheco e Manoel Vicente, mas não os encontraram. A Câmara permaneceu fechada durante mais de dois anos, voltando a funcionar em 1967, com os parlamentares submetidos a um ambiente de perseguição, no qual não conseguiam exercer livremente as prerrogativas do mandato.

Na década de 70, a Câmara de Vereadores foi submetida pelos militares a um processo de vigilância permanente, que buscava observar particularmente o comportamento dos vereadores Jackson Barreto e Jonas Amaral. Disfarçados, agentes da área de informações compareciam ao plenário, gravando e anotando as intervenções dos parlamentares, principalmente durante o governo Geisel.

Os vereadores aracajuanos voltaram a exercer o mandato autonomamente, no final da década de 80, com a entrada em vigor da nova Constituição Federal e da Constituição Estadual e também após a vigência da nova Lei Orgânica Municipal, promulgada em cinco de abril de 1990.

 

 

*Jornalista, professor, doutor em Educação, membro da Academia Sergipana de Letras e presidente da Academia Sergipana de Educação.


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