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NOTAS PARA UMA HISTÓRIA DA BOTÂNICA VI

 

 

 

Jorge Carvalho do Nascimento

 

 

Para Antônio Moniz de Souza era possível praticar a agricultura e cultivar a terra sem recorrer aos incêndios das florestas. Era possível produzir o mel e a cera e extraí-lo racionalmente, sem agredir as abelhas. Com os recursos limitados do período em que viveu, desenvolveu a pesquisa e Botânica em deixou suas inúmeras contribuições registradas nos trabalhos que publicou, todos aqui já citados.

Em Sergipe, vamos voltar a encontrar registros de preocupações com a Botânica no início do século XX. O governo do Estado demonstrou uma preocupação maior com a pesquisa Botânica naquele período. Em 1915 foi criada a Inspetoria de Água, Esgotos e Horto Botânico. Na década de 30, a Botânica era disciplina que os estudantes aprendiam no ensino secundário em instituições escolares como o Atheneu Pedro II. Naquele período, o professor Oscar Nascimento era catedrático de Botânica e Zoologia.

Em 1945, após a criação do Posto de Defesa Agrícola, em Aracaju, o agrônomo sergipano Emmanuel Franco que trabalhava em São Luiz, no Estado do Maranhão, foi transferido para cá e assumiu a sua direção. No período em que viveu no norte do Brasil e nas viagens que realizou entre aquele Estado e a Bahia, Emmanuel Franco fez as observações, estudos e anotações que o possibilitaram publicar o livro Estudo de Ecologia Vegetal e reflorestamento, em 2005.

É do mesmo autor a Biogeografia do Estado de Sergipe, na qual estão relacionadas e classificadas importantes espécies existentes na região do semiárido sergipano, como o mandacaru, o umbuzeiro, a quixabeira, a caraibeira, a braúna, o facheiro e o angico, dentre outras.
No seu trabalho de 2005 já citado, Estudo de Ecologia Vegetal, Emmanuel Franco afirma que “o Mandacaru é uma planta que vive mais de cinquenta anos, e serve de alimento para o gado bovino, ovino e caprino, fornecendo água e alimento por ser uma planta carnosa. O facheiro tem uma parte carnosa e outra lenhosa. A parte fibrosa serve para fazer ripas para o telhado das casas. Multiplicam-se por sementes contidas no fruto e por estacas. Semeadas no solo, dão origem a um aglomerado de plantas, embelezando a propriedade e constituindo uma reserva de água e de alimentos durante muitos anos (p. 157).
Atualmente, o  curso de graduação em Engenharia Florestal, implantado no ano 2000 pelo Departamento de Agronomia da Universidade Federal de Sergipe, desenvolve intensa atividade de pesquisa em Botânica.

 

 

*Jornalista, professor, doutor em Educação, membro da Academia Sergipana de Letras e presidente da Academia Sergipana de Educação.


Comentários

  1. Bom trabalho. Conheci Emanuel Franco. Obrigado. Abraços. Sugestão: História do Eng Jorge de Oliveira Neto. Ele dizia que se Barragem de Xingo tivesse alguns metros a mais de altura (não comprometeria muito região alagada) teríamos os rios no sertão perenizados. Várias Petrolinas seriam criadas em Sergipe.

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