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PARA ONDE VAI A COLUNA SOCIAL? XXVI

                                            Luiz Daniel Baronto
                                                

 

Jorge Carvalho do Nascimento*

 

 

A década de 70 do século XX possibilitou aos jornalistas dedicados ao trabalho do colunismo social uma maior valorização e também permitiu que se intensificasse uma outra característica muito presente nesse gênero de jornalismo: a formação de equipes de colaboradores que ajudavam na elaboração da coluna.

Todavia, até a década de 1960 ainda não era prática corrente o trabalho em equipe. O jornalista Luiz Daniel Baronto, um dos mais influentes dentre os colunistas sociais que atuaram em Sergipe na década de 1960, afirma que havia vários obstáculos ao trabalho em equipe, a começar pela escassez de recursos financeiros.

Dentre as dificuldades para a incorporação de colaboradores, Baronto cita a responsabilidade de quem assina a coluna e o risco de “receber uma notícia de alguém e publicar sem conferir. Eu poderia estar recebendo uma maldade, publicar e depois enfrentar problemas de responsabilidade civil ou criminal”.

Para dar força a sua tese, Luiz Daniel Baronto revela um dos problemas que enfrentou como colunista social. “Eu publiquei um retrato de uma certa pessoa de destaque no meu jornal. A foto quem me deu foi Lineu Lins de Carvalho que era quem mais me fornecia fotos para publicação. E eu publiquei a foto, com elogios à pessoa, com a melhor intenção. No dia seguinte, a pessoa me procurou e me disse que nunca mais eu fizesse isto, porque ela não era uma pessoa que gostasse de ter a imagem dela exibida publicamente”.

Na década de 1970, quando se intensificou para o colunista social a prática de trabalhar coordenando uma equipe de colaboradores, foi possível racionalizar a agenda de atividades das quais o responsável pela coluna participa. Segundo Baronto, na década de 1960 era necessário comparecer a todos os eventos para os quais era convidado, exatamente pelo fato de produzir a coluna sozinho.

Eram muitos os convites que chegavam para o responsável pela coluna social. O jornalista Luiz Daniel Baronto atendia a todos os convites recebidos. “Eu ia a tudo isso, mas não vou lhe dizer que ia porque gostava de ir. Eu recebia o convite por mim, pelo fato de ser colunista, e ia. Mas, anotava ali quem estava presente e saía a francesa. Porque, aquela barulhada e a bebedeira eu nunca fui muito chegado”. As festas aconteciam nas mansões das famílias bem abastadas economicamente e também nos clubes.

O hábito de frequentar clubes regularmente caiu em desuso, em todo o país e, neste século XXI, a internet tornou dispensável a figura do colunista social para que as pessoas divulguem amplamente as suas festas e os acontecimentos da vida social que são do seu interesse. E isto independe da situação econômica e do pertencimento ao grupo social A ou B.

Mesmo nesses novos tempos, os jornais continuam publicando páginas e cadernos de coluna social, o que revela ser a coluna do ponto de vista do empreendimento empresarial jornalístico um negócio que ainda vale a pena, como interpreta o jornalista Luiz Daniel Baronto.

Para ele, “se o proprietário do jornal, que é aquela pessoa que tem que manter o jornal vivo, continua autorizando seus editores a publicar esse tipo de jornalismo, é porque vale a pena. Não é brincadeira financeiramente manter um jornal. Se o dono do jornal quer que o colunista social continue ali inserido é porque deve ter algum valor”.

Para dar validade a sua argumentação, Baronto exemplifica com o caso do Jornal da Cidade, em Aracaju. De acordo com a sua análise, em Aracaju, “o Jornal da Cidade é muito mais vendido no domingo que nos outros dias, por causa do caderno Thais Bezerra. A coluna social recebe a mesma pressão para ser extinta que a mídia impressa recebe. Um fato acontece hoje pela manhã e só vai ser publicado pelo jornal amanhã pela manhã. O fato que aconteceu hoje, você já viu nas redes sociais”.

Mesmo com a importância que a internet ganhou como veículo de informação, ainda há um grande contingente de leitores de jornal. Outro vez é possível recorrer ao discurso do jornalista Luiz Daniel Baronto: “Minha esposa assina o Jornal da Cidade e não sabe começar o dia sem ler o Jornal da Cidade. Com este problema da pandemia foi necessário cancelar a subida do jornal para os apartamentos e ela fica reclamando porque não sabe começar o dia sem ler o jornal. Eu digo: vá pra internet, mas ela não aceita. Tem muitas pessoas que querem ler o jornal”.

Enfim, a coluna social é parte de um acervo de informações e análises sobre a vida publicado pelos jornais impressos, principalmente ao longo do século XX. Este acervo é fonte para inúmeros estudos de História, Sociologia, Antropologia e outros tantos. Este também é um aspecto que atraiu a atenção do colunista social Luiz Daniel Baronto.

Ele pontuou que “tudo o que você escreve hoje, tudo o que você anota hoje, tudo o que você guarda hoje, amanhã vai ser de uma utilidade muito grande. Você veja o Instituto Histórico e Geográfico de Sergipe. Quanta fonte para pesquisa está armazenada nos jornais guardados no Instituto Histórico e Geográfico de Sergipe. No acervo do jornal Gazeta de Sergipe, o jornalista Paulo Brandão fez um trabalho muito bom. Ele tem tudo hoje sobre a Gazeta, desde a primeira edição. Tudo sobre pessoas que passaram pela vida da cidade, que deixaram marcas profundas ou não, mas que fizeram parte desta sociedade”. A coluna social é um acervo rico para este tipo de estudo que está guardado nos arquivos. Segundo o jornalista Baronto, “é preciso tirar os pés do presente e se dedicar também à pesquisa e ao passado”.

 

 

*Jornalista, professor, doutor em Educação, membro da Academia Sergipana de Letras e presidente da Academia Sergipana de Educação.


Comentários

  1. Estou ainda mais encantada com os posicionamentos objetivos, claros e ponderados do Baronto. Ele tem muito estilo na apresentação de seus argumentos, inclusive acertou em cheio ao dizer da influência das redes sociais. O conceito de high society se diluiu, acho que, na verdade, não é mais aquele das décadas de 60 e 70. Por isso mesmo, é bom que você, Jorge, guarde essa memória, esse registro para as futuras gerações.

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