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A MORTE DO PROFESSOR III

                                                           Washington Luiz

 

 

Jorge Carvalho do Nascimento*

 

 

O berço do professor Archimedes Pereira Guimarães era a cidade de Campinas, no Estado de São Paulo. Depois do seu assassinato, em julho de 1984, os amigos relembraram, em diversas oportunidades, a sua trajetória, de atividade intensa. O processo que construiu a sua liderança.

Os amigos, homenageavam a sua memória, em diferentes lugares do país. Archimedes mudou para a capital do Estado de São Paulo quando ingressou no Ginásio Macedo Soares, que funcionava à rua do Arouche. Em 1912 estava matriculado como aluno do curso de engenharia da Escola Politécnica, sempre acompanhado de um grande grupo de amigos, principalmente nas rodadas de chope que consumiam no Progredior, à rua 15 de Novembro.

Tal forma de lazer fizera parte da rotina do estudante, até a colação de grau, em 17 de dezembro de 1917. Exercendo liderança estudantil, ele presidiu o Grêmio da Escola Politécnica, o que lhe possibilitou ampliar a rede de contatos, a começar pelo então prefeito da cidade de São Paulo, Washington Luiz Pereira de Souza, por quem foi recebido em audiência.

O gosto pela política o levou a frequentar as sessões da Câmara dos Deputados, no Palácio Monroe, a partir de 1915, todas as vezes que ia ao Rio de Janeiro. Era o mesmo interesse que o levava a observar, quando vivia na cidade de São Paulo, ainda em 1913, os passeios de Francisco de Paula Rodrigues Alves, pela segunda vez presidente do Estado, que costumava aproveitar o sol da manhã para passear com as filhas no jardim do Palácio dos Campos Elíseos, na Alameda Barão do Rio Branco, onde Arquimedes morava.

Do mesmo modo, passou a frequentar as reuniões da Liga Nacionalista de São Paulo, onde estreitou relações com o então bacharelando Prudente de Morais Neto. Naquele período conviveu com o senador Manuel Ferraz de Campos Sales, que tinha o hábito de andar sozinho pela rua 15 de Novembro.

Quando da morte do senador Campos Sales, Archimedes acompanhou o cortejo fúnebre carregando o estandarte da Escola Politécnica. Em outra oportunidade, ainda como estudante, ele pronunciou, em nome dos colegas, uma oração de despedida, à beira da sepultura do engenheiro Antônio Francisco de Paula Souza.

Se a política tocara o estudante, os afazeres políticos continuaram a entusiasmar o engenheiro Archimedes Pereira Guimarães. Assim, ele se fez conviva de importantes lideranças da política brasileira. Em julho de 1923, pouco antes de viajar para Sergipe, onde passaria a residir, ele esteve na inauguração da estátua de Castro Alves, em Salvador, ouvindo José Joaquim Seabra, o famoso J.J. Seabra, recitar todo o “Navio Negreiro”.

Com um outro importante intelectual baiano, Rui Barbosa, Archimedes tivera oportunidade de compartilhar alguns outros momentos, em São Paulo, durante a campanha civilista, em Campinas, quando da inauguração do monumento a Carlos Gomes, e no Rio de Janeiro, durante várias sessões do Senado Federal.

Da mesma maneira, tivera a oportunidade de conviver com Wenceslau Braz Pereira Gomes, em Santos e em São Paulo. Foi apresentado a Epitácio da Silva Pessoa durante a entrega pelo Embaixador do México da estátua do índio Tualtemoc. O monumento foi oferecido ao Brasil pelo governo mexicano e instalado na Praia do Flamengo, por ocasião centenário da Independência, em 1922. Também acompanhou Epitácio Pessoa durante a visita do Presidente Alvear, quando os dois líderes desfilaram em carro aberto na Avenida Rio Branco.

Participou da tumultuada solenidade de posse de Artur da Silva Bernardes na Presidência da República e voltou a conversar com ele em Belo Horizonte, em longos passeios pela avenida Afonso Pena, ambos já aposentados. Em 1932, nas cidades de Santos e São Paulo, teve oportunidade de encontrar algumas vezes com Heitor Penteado e Júlio Prestes.

Rotariano que era, no ano de 1947, esteve presente em uma reunião-almoço do Rotary Club de Santos, no Parque Balneário, quando o Washington Luiz foi homenageado por haver voltado do exílio, onde se encontrava desde 1930.

As semanas se sucediam após a morte do professor Archimedes Pereira Guimarães e a polícia mineira não conseguia localizar a arma do crime nem identificar o autor dos disparos.

 

 

*Jornalista, professor, doutor em Educação, membro da Academia Sergipana de Letras e presidente da Academia Sergipana de Educação.
 

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