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PRAGMATISMO E EDUCAÇÃO NO BRASIL

                                              Anísio Teixeira

 

 

Jorge Carvalho do Nascimento*

 

 

Anísio Teixeira foi, dentre os intelectuais que constituíram o chamado grupo dos Pioneiros da Educação Nova, aquele que mais se empenhou na divulgação e na aplicação à realidade social brasileira dos padrões de organização escolar correspondentes ao pensamento pragmatista norte-americano.

Foi o Pragmatismo que permitiu, nos Estados Unidos da América, durante primeira década do século XX, a redefinição do estatuto da Pedagogia como programa de reconstrução social. Tal redefinição projetou o seu principal teórico, John Dewey, de quem Anísio foi tradutor e divulgador da obra no Brasil.

A obra de Dewey fez a síntese das aspirações sociais norte-americanas da segunda metade do século XIX, tomando como base o evolucionismo de Charles Darwin e o pragmatismo de William James. No prefácio do livro de Carlos Monarcha, A Reinvenção da Cidade e da Multidão, Mirian Warde acentua o caráter imediatista do pensamento educacional brasileiro, afirmando que nós, os pedagogos, temos horror à teoria e à história.

Talvez esta fragilidade contribua de algum modo para a escassez de estudos no campo educacional brasileiro que discutam de modo consistente o pensamento pragmatista norte-americano e as ideias de Dewey e Anísio Teixeira, de modo a superar a dicotômica representação que o movimento escolanovista ganhou entre nós.

De um lado, visto por alguns herdeiros da memória produzida pelos próprios Pioneiros, como portador de todas as possibilidades de superação das contradições sociais e, portanto, merecedor da imediata e irrefletida adesão. De outro lado, demonizado por algumas interpretações que emergiram a partir da produção acadêmica dos programas de pós-graduação em educação criados no Brasil a partir da década de 70. Esta última visão põe ênfase nos compromissos do escolanovismo com a reificação do pensamento burguês e, de plano, o rejeita.

O pragmatismo é uma visão de mundo e uma corrente filosófica que se desenvolveu nos Estados Unidos da América a partir das três últimas décadas do século XIX. O conjunto de ideias que constitui essa corrente foi formulado inicialmente por Charles Peirce, William James, John Dewey e Herbert Mead.

O discurso pragmatista gira em torno da ideia de interação social, tal como formulada pela Filosofia Social de Dewey e Mead. Essas ideias terminaram influenciando o conjunto de estudos sociológicos desenvolvidos entre os anos de 1915 e 1940, que ficaram conhecidos como Escola de Chicago.

Segundo Carlos Moreira, os intelectuais pragmatistas norte-americanos “têm em comum a ideia de que os hábitos e a consciência dos indivíduos são elaborados por meio das interações sociais. Dewey explorou tal perspectiva no âmbito da educação, tendo Mead dado um tratamento a essa questão mais próximo da linguagem da Psicologia Social.”

Vale lembrar que a sociedade norte-americana do final do século XIX estava consolidando as características da sua formação cultural relacionadas ao individualismo moral de origem religiosa legado pelo puritanismo protestante. “Os puritanos desenvolveram uma religião onde a introspecção é um elemento nuclear. Eles eram ‘individualistas’, principalmente em sua versão evangélica, entendendo que as pessoas podiam ter uma relação direta com Deus, sem a necessidade da intermediação de instituições hierarquizadas ou regras formais”.

A esta, somava-se a ideia da necessidade de trabalhar arduamente para sobreviver, sempre com muita introspecção. Eles defendiam a ideia de coesão social e autocontrole, ou, no máximo um eficaz controle informal.

 

 

*Jornalista, professor, doutor em Educação, membro da Academia Sergipana de Letras e presidente da Academia Sergipana de Educação.
 

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