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PARA ONDE VAI A COLUNA SOCIAL? - XL

                                              Mônica Bérgamo

 

 

Jorge Carvalho do Nascimento*

 

 

Contemporaneamente, muitos jornalistas consideram que a coluna social pode e deve ser uma importante fonte de informação do jornalismo. Em depoimento que concedeu ao autor do presente texto, o jornalista Ancelmo Gois comunga com tal posição. Com toda certeza, poucas pessoas discordam do fato de ser a jornalista Mônica Bérgamo bom exemplo de uma das maiores fontes de informação do jornalismo brasileiro.

Colunista social, Mônica Bérgamo herdou um espaço de coluna social da elite paulistana, que anteriormente fora ocupado pela também jornalista Joyce Pascowitch. A coluna assinada por Mônica entrega aos leitores brasileiros muitas das maiores e mais importantes revelações da mídia do Brasil.

Ancelmo Gois cita exemplos de vários colunistas que se transformam naqueles que dão as notícias mais importantes que a mídia divulga. E cita o seu próprio trabalho. “Eu fui o primeiro cara a dizer que a Petrobrás tinha descoberto debaixo da camada de sal um negócio chamado pré-sal. Ao mesmo tempo eu fui o cara a dizer que a Luiza Brunet apanhou do marido. Eu dei a nota. Ela é minha amiga e me disse que estava processando o marido. O que é isto? Isto é jornalismo”.

O mesmo Ancelmo entende que a coluna social passou por transformações intensas. “Eu preferiria que o Social da Coluna Social fosse mais o Social dos dicionários de hoje que o Social dos dicionários de ontem. No dicionário de ontem, o Social era o jet set, o socialite. Eu quero entender o Social da coluna social de outro jeito”.

O colunista social é um jornalista e o seu papel é o de buscar notícias. Pouco importa se a notícia sai na coluna social, na coluna política, na coluna de Economia, ou nas diversas editorias do noticiário. É notícia, é informação. É assim o trabalho que fazem diariamente os jornalistas.

Outra vez recorro a entrevista que fiz com Ancelmo Gois e aos comentários nos quais ele compara o seu trabalho com o de Mônica Bérgamo. “Eu sou um catador de notinhas, eu cato informação. Diferencia muito. Mônica é uma repórter mais furona do que eu. Ela é capaz de descobrir histórias fantásticas, furos, mais do que eu. Eu brinco muito com ela. Ela é minha amiga, eu trabalhei com ela na Veja. Eu disse: eu sou de Sergipe, de Frei Paulo, tem um cara lá que é matador e eu vou mandar lhe matar, porque você é uma concorrência muito pesada”.

Amcelmo entende que Mônica Bérgamo figura na lista dos 10 melhores repórteres do Brasil. “Eu acho que eu faço um negócio diferente. Eu faço uma coluna de notas, carioca, com jeitão carioca, com um monte de pegadinhas cariocas. A praia dela é outra. O cara dá uma opinião muito forte e eu brinco assim: há controvérsias. Ou seja, há um outro lado. Eu brinco no texto. Isso, a Mônica nunca faria. Não deve fazer, os paulistas não vão entender. Mas, aqui no Rio, eu faço”.

Outro bom exemplo de diferenciação e do bom humor carioca é o da coluna que o jornalista Zózimo Barroso do Amaral assinava. Ancelmo Gois narra alguns exemplos de notas redigidas por Zózimo. Ele “dizia assim: um parceiro da coluna já decidiu. Quando morrer, quer que as cinzas sejam espalhadas na loja Bloomingdale’s, em Nova Iorque. Assim ele terá certeza de que a viúva irá visita-lo”.

Muitos jornalistas afirmam que esse estilo é da tradição carioca de jornalismo e consideram que Ancelmo Gois é um dos últimos representantes de tal estilo. O próprio Ancelmo concorda com tal observação. “Eu faço uma coisa carioca. Zózimo brincava com as notas da coluna dele. Foi o brasileiro que melhor se expressava em três linhas. Era um gênio em contar tudo em três linhas. É muito mais fácil você escrever em 10 linhas pra contar uma história. Zózimo era um gênio da raça. Em três linhas ele contava uma história. Eu trabalhei com ele no Jornal do Brasil durante sete anos. Fazia um tipo de jornalismo que se desenvolveu muito no Rio de Janeiro”.

Perto de encerrar o período no qual Ancelmo Gois atuou no Jornal do Brasil, o periódico vivia as turras com o governador do Estado, Leonel Brizola, e muitas vezes ele teve participação ativa nessa polêmica. “Brizola era uma figura fascinante. Eu ia conversar com ele, na casa dele, e ele ficava até quatro horas da tarde em torno do almoço, conversando com jornalistas. Mas, ele não cuidava do Rio, ele pensava o Brasil. Não estava preocupado com os buracos de uma estrada do Rio de Janeiro”.

Nesse processo de conflito entre o JB e o governador, Ancelmo abriu na coluna que assinava, o Informe JB, uma contagem de quantos dias faltavam para o fim do mandato de Brizola. Diariamente ele publicava: faltam 51 dias, 50 dias, 49 dias, até o último dia da gestão.

Esse mesmo estilo de jornalismo sempre permitiu a Ancelmo Gois colocar em evidência o chamado complexo tupiniquim da elite brasileira. “Uma parte da elite brasileira é formada por pessoas que têm vergonha de ser brasileiros. Eu começava a contar absurdos que acontecem no Brasil, mas também acontecem no exterior. E sempre dizia assim: deve ser terrível viver num país onde acontece isto. Eu sou o continuador de um estilo que eu acho que não vai demorar muito não, mas eu acho que é um estilo leve de jornalismo. Entre a piada e a informação”.

 

 

Jornalista, professor, doutor em Educação, membro da Academia Sergipana de Letras e presidente da Academia Sergipana de Educação.
 

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