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PARA ONDE VAI A COLUNA SOCIAL? – LVIII

                                                        Maria Franco

 

 

Jorge Carvalho do Nascimento*

 

 

A jornalista Maria Franco é uma profissional que nunca trabalhou sozinha. Sua atividade na coluna social sempre contou com uma equipe de colaboradores com os quais ela compartilhou tarefas e responsabilidades. Afirmou que somente trabalhou sozinha nas primeiras colunas que publicou, mas logo organizou um grupo para trabalhar com ela.

“Eu trabalhei sozinha no início, mas depois que eu compreendi o formato coluna social vi que para melhorar eu precisava de ajuda e busquei essa ajuda. Sempre foi assim. Primeiro contei com a participação de Ana Paula e Leo e atualmente Dhiego Smith é o meu grande parceiro como jornalista”.

Era comum, nos primeiros anos de colunista que Maria Franco recebesse notícias enviadas por vários informantes. Através de cartas, telefonemas, e-mails. À medida que o uso da internet se intensificou, as informações passaram a circular de modo amplo e foi desaparecendo o hábito de passar notícias diretamente aos colunistas sociais, como ela comenta.

“A gente através do celular e da internet fica sabendo de tudo. É a nossa grande fonte. Não é necessário buscar ninguém para se saber das coisas, como sempre foi necessário fazer durante muito tempo e como eu fazia nos meus primeiros anos de trabalho como colunista social”.

Mesmo com todas as mudanças que vem sofrendo, na opinião de Maria Franco a coluna social continua servindo para retratar principalmente a vida dos ricos e poderosos, dos famosos. É o espaço de pessoas que possuem esse tipo de perfil social e econômico. Gente que, segundo ela, merece destaque.

“São os formadores de opinião, gente que conhece as coisas e que através delas outras pessoas que não possuem as mesmas oportunidades também vão conhecer. A coluna social é realmente o espaço dos ricos e famosos, mas isto é muito importante. Isto é necessário. Todo mundo merece saber o que está acontecendo”.

Maria Franco afirma que efetivamente muitas pessoas ainda possuem posições preconceituosas em face da coluna social. Atribui tais preconceitos a pessoas que não se sentem realizadas, que no seu entendimento são frustradas e não conseguiram se realizar profissionalmente e economicamente.

“Talvez essas pessoas considerem que o trabalho delas é mais valoroso do que o meu. Eu considero o trabalho delas valoroso, mas o meu também é. Eu sou uma comunicadora, eu comunico fatos, registro acontecimentos que são relevantes. O colunista social não pode ser culpado pelo insucesso econômico de algumas pessoas”.

Ela entende que o colunista social trabalha registrando os espaços glamourosos da cidade. Afirma que atualmente os espaços mais glamourosos de Aracaju são restaurantes como Carro de Bois, o La Tavola, o Pescatore, o Dunas. Diz que tais espaços agora são muito mais democráticos que os espaços glamourosos do passado.

“Hoje muita gente, independente da classe social, frequenta esses lugares também. É diferente do que era antigamente. Eu acho que hoje as coisas estão mais democráticas. Hoje tem uma mistura muito grande. O que os ricos da elite frequentam, os da classe média também frequentam”.

O fenômeno da democratização social, de acordo com a visão de Maria Franco, possibilitou que emergisse uma nova geração de colunáveis que ninguém poderia imaginar no passado. Considera muito importante haver essa ascensão que transforma aqueles que fazem progresso econômico em notícia.

“É esse tipo de personagem que a gente quer, é gente que se supera e que mostra que também é capaz, gente que vai à luta, que vence. Para o meu trabalho esse tipo de personagem é primordial, eu valorizo essas pessoas. Quem já nasceu em berço de ouro é tudo muito fácil”.

Maria Franco aponta em colunistas como Zózimo Barroso do Amaral um nome importante do jornalismo que percebeu as mudanças sociais que ocorriam no Brasil e foi capaz de modificar radicalmente o perfil da coluna social. Considera que ele foi a sua grande referência no trabalho da coluna social. Indica, também, outros nomes que considera da maior relevância.

“Mônica Bérgamo é o nome de uma colunista fantástica. Joyce Pascowitch foi outro nome essencial. Eu li muito sobre eles na época em que eu comecei e que eu precisava entender o que era colunismo social. Aqui em Sergipe, também observei o trabalho de muitos jornalistas”.

Dentre os jornalistas que fizeram e ainda fazem coluna social em Sergipe, Maria Franco destaca os nomes de Sacuntala Guimarães, Thais Bezerra, Márcio Lyncoln, Cristina Souza (que morreu em um acidente aéreo). Na sua interpretação esses foram os jornalistas que fizeram o melhor trabalho em coluna social.

 

 

*Jornalista, professor, doutor em Educação, membro da Academia Sergipana de Letras e presidente da Academia Sergipana de Educação.
 

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