Jorge
Carvalho do Nascimento*
A
jornalista Maria Franco é uma profissional que nunca trabalhou sozinha. Sua atividade
na coluna social sempre contou com uma equipe de colaboradores com os quais ela
compartilhou tarefas e responsabilidades. Afirmou que somente trabalhou sozinha
nas primeiras colunas que publicou, mas logo organizou um grupo para trabalhar
com ela.
“Eu
trabalhei sozinha no início, mas depois que eu compreendi o formato coluna
social vi que para melhorar eu precisava de ajuda e busquei essa ajuda. Sempre
foi assim. Primeiro contei com a participação de Ana Paula e Leo e atualmente Dhiego
Smith é o meu grande parceiro como jornalista”.
Era
comum, nos primeiros anos de colunista que Maria Franco recebesse notícias
enviadas por vários informantes. Através de cartas, telefonemas, e-mails. À
medida que o uso da internet se intensificou, as informações passaram a circular
de modo amplo e foi desaparecendo o hábito de passar notícias diretamente aos
colunistas sociais, como ela comenta.
“A
gente através do celular e da internet fica sabendo de tudo. É a nossa grande
fonte. Não é necessário buscar ninguém para se saber das coisas, como sempre
foi necessário fazer durante muito tempo e como eu fazia nos meus primeiros
anos de trabalho como colunista social”.
Mesmo
com todas as mudanças que vem sofrendo, na opinião de Maria Franco a coluna
social continua servindo para retratar principalmente a vida dos ricos e
poderosos, dos famosos. É o espaço de pessoas que possuem esse tipo de perfil
social e econômico. Gente que, segundo ela, merece destaque.
“São
os formadores de opinião, gente que conhece as coisas e que através delas
outras pessoas que não possuem as mesmas oportunidades também vão conhecer. A
coluna social é realmente o espaço dos ricos e famosos, mas isto é muito
importante. Isto é necessário. Todo mundo merece saber o que está acontecendo”.
Maria
Franco afirma que efetivamente muitas pessoas ainda possuem posições
preconceituosas em face da coluna social. Atribui tais preconceitos a pessoas
que não se sentem realizadas, que no seu entendimento são frustradas e não
conseguiram se realizar profissionalmente e economicamente.
“Talvez
essas pessoas considerem que o trabalho delas é mais valoroso do que o meu. Eu
considero o trabalho delas valoroso, mas o meu também é. Eu sou uma
comunicadora, eu comunico fatos, registro acontecimentos que são relevantes. O
colunista social não pode ser culpado pelo insucesso econômico de algumas
pessoas”.
Ela
entende que o colunista social trabalha registrando os espaços glamourosos da
cidade. Afirma que atualmente os espaços mais glamourosos de Aracaju são restaurantes
como Carro de Bois, o La Tavola, o Pescatore, o Dunas. Diz que tais espaços
agora são muito mais democráticos que os espaços glamourosos do passado.
“Hoje
muita gente, independente da classe social, frequenta esses lugares também. É
diferente do que era antigamente. Eu acho que hoje as coisas estão mais
democráticas. Hoje tem uma mistura muito grande. O que os ricos da elite
frequentam, os da classe média também frequentam”.
O
fenômeno da democratização social, de acordo com a visão de Maria Franco,
possibilitou que emergisse uma nova geração de colunáveis que ninguém poderia
imaginar no passado. Considera muito importante haver essa ascensão que
transforma aqueles que fazem progresso econômico em notícia.
“É
esse tipo de personagem que a gente quer, é gente que se supera e que mostra
que também é capaz, gente que vai à luta, que vence. Para o meu trabalho esse
tipo de personagem é primordial, eu valorizo essas pessoas. Quem já nasceu em
berço de ouro é tudo muito fácil”.
Maria
Franco aponta em colunistas como Zózimo Barroso do Amaral um nome importante do
jornalismo que percebeu as mudanças sociais que ocorriam no Brasil e foi capaz
de modificar radicalmente o perfil da coluna social. Considera que ele foi a
sua grande referência no trabalho da coluna social. Indica, também, outros
nomes que considera da maior relevância.
“Mônica
Bérgamo é o nome de uma colunista fantástica. Joyce Pascowitch foi outro nome
essencial. Eu li muito sobre eles na época em que eu comecei e que eu precisava
entender o que era colunismo social. Aqui em Sergipe, também observei o
trabalho de muitos jornalistas”.
Dentre
os jornalistas que fizeram e ainda fazem coluna social em Sergipe, Maria Franco
destaca os nomes de Sacuntala Guimarães, Thais Bezerra, Márcio Lyncoln,
Cristina Souza (que morreu em um acidente aéreo). Na sua interpretação esses
foram os jornalistas que fizeram o melhor trabalho em coluna social.
*Jornalista,
professor, doutor em Educação, membro da Academia Sergipana de Letras e presidente
da Academia Sergipana de Educação.

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