Dalva Nou Schneider
Jorge
Carvalho do Nascimento
O
professor Genaro Dantas Silva chegou ao Atheneu Sergipense no início dos anos
50 do século XX, mais especificamente em 1953, para substituir a professora
Dalva Nou Schneider. Dalva, também sofria a influência das ideias sobre
Matemática esgrimidas por Petru Stefan, do mesmo modo que Genaro Dantas Silva.
Dalva
Nou Schneider ingressou no Colégio a convite da sua diretora, Maria Thetis
Nunes e foi a substituta de José Rollemberg Leite quando este necessitou se
afastar do corpo docente do Atheneu. Além de professora, ela era engenheira
civil. Em 1953 ela se afastou do Atheneu por haver migrado para Portugal, em
face do seu casamento com um cidadão português.
A
passagem da professora Dalva pelo Atheneu representou o ato inaugural de uma
influente intelectual do ensino superior sergipano. Dalva retornou a Sergipe
alguns anos depois e prosseguiu com a sua carreira acadêmica e profissional,
ingressando como professora no Departamento de Engenharia Civil da Universidade
Federal de Sergipe.
A
família de Dalva era muito bem situada social em Sergipe, Seu pai, José
Rodrigues Nou, era Desembargador do Tribunal de Justiça do Estado. Sua mãe,
Euridice Linhares Nou descendia de uma família, os Linhares, que também gozava
de boa reputação social.
A
menina Dalva nasceu em 27 de agosto de 1926, em São Cristóvão, Sergipe e cursou
o ensino primário no Colégio Francisco de Menezes e no Colégio Tobias Barreto,
em Aracaju, entre os anos de 1933 e 1937. O Atheneu foi a instituição escolar
na qual, durante seis anos, entre 1938 e 1944, ela cursou o ensino médio.
A
Escola Politécnica da Universidade Federal da Bahia foi a instituição na qual
Dalva Nou obteve dois diplomas de graduação superior, estudando entre os anos
de 1945 e 1950. Um como Engenheira Industrial Química (1949) e outro como
Engenheira Civil (1950).
Além
de atuar como professora no Atheneu, integrou também o quadro de docentes da
Escola de Química de Sergipe, onde lecionou Tecnologia Inorgânica e chegou a
exercer a função de Diretora. Na Faculdade Católica de Filosofia foi professora
de Mecânica Racional.
Na
sua carreira como docente da Universidade Federal de Sergipe foi uma das
responsáveis pela implantação do curso de Engenharia Civil, ao qual se integrou
como professora. Também foi chefe do mesmo Departamento da UFS e professora
titular da disciplina Mecânica dos Solos. Depois de aposentada recebeu como
homenagem da Universidade Federal de Sergipe o título de professora Emérita.
Como
é sabido, Genaro Dantas Silva foi o primeiro grande entusiasta em Sergipe do
Movimento da Matemática Moderna – MMM. Além do Atheneu, Genaro integrou também
o corpo docente da Escola Técnica Federal de Sergipe, instituição pela qual se
aposentou ao encerrar suas atividades laborais.
Além
da influência que recebeu do professor Petru Stefan, Genaro teve uma grande
oportunidade nos seus primeiros anos de trabalho como professor do Atheneu. Foi
um dos escolhidos pela instituição escolar para aprofundar o seu conhecimento
sobre Matemática Moderna, participando de um curso no Centro de Ciências da
Bahia - Ceciba.
Em
sua dissertação de Mestrado em Educação, GENARO DANTAS SILVA: O PONTO DE
INFLEXÃO NO ENSINO DA MATEMÁTICA EM SERGIPE, o pesquisador José Gilvan da Luz
revela que o Ceciba “exerceu grande influência no processo de difusão da
Matemática Moderna ao oferecer cursos bem como produzir material didático para
subsidiar o trabalho pedagógico” (p. 77).
Responsável
pela formação de muitos professores de Matemática em Sergipe, Bahia e
Pernambuco, Genaro recebeu da Universidade Federal de Sergipe, em 2012, o
título de Doutor Honoris Causa, como reconhecimento pela sua dedicação ao
ensino de Matemática.
Genaro
é apontado como responsável pela inserção da Álgebra Moderna no ensino da
Matemática em Sergipe. O ensino da Álgebra Moderna era considerado muito
importante pelos professores que internacionalmente lideravam o Movimento da
Matemática Moderna, renovando o ensino da Matemática e enfatizando a Teoria dos
Conjuntos.
Nascido
na cidade de Rosário do Catete, Estado de Sergipe, em 14 de dezembro de 1932,
Genaro morreu aos 80 anos de idade, no dia 25 de dezembro de 20212, no Hospital
São Lucas, em Aracaju. Além da viúva, Arlete Araujo Silva, Genaro deixou dois
filhos: Alberto e Kátia.
Na
sua vida de estudante, no momento de ingressar no ensino superior, prestou o
concurso vestibular para a Escola de Química de Sergipe, onde ingressou em 1953
no curso de Química Industrial. Foi ali que conheceu e se aproximou do
professor Petru Stefan, responsável pela disciplina Físico-Química.
Considerado
o nome mais importante da História do Ensino da Matemática em Sergipe, Genaro
somente obteve graduação universitária em Matemática quando era já um
matemático importante e consagrado. Em 1974 ingressou no curso de Licenciatura
em Matemática da Universidade Federal de Sergipe, colando grau em 1977, quando
contava já com mais de 20 anos de docência naquela disciplina científica.
Naquele momento tinha 15 anos como professor na Escola Técnica Federal de Sergipe, mais de 20 no Atheneu. Depois que colou grau, trabalhou no Instituto de Química da Universidade Federal de Sergipe e na Universidade Tiradentes.

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