Jorge
Carvalho do Nascimento
O
professor Leão Magno Brasil chegou ao Atheneu na década de 60 do século XX e
foi o principal substituto de Genaro Dantas da Silva quando este passou a se
dedicar exclusivamente à carreira docente na Escola Técnica Federal de Sergipe.
Leão
foi indicado para a vaga e contratado por sugestão do professor Otávio do
Espírito Santo, catedrático do Colégio. A dedicação ao trabalho e a
qualificação que possuía fizeram com que, em poucos anos, Leão Magno Brasil se
transformasse em uma referência no ensino de Matemática em Sergipe,
influenciando a formação de uma grande quantidade de jovens sergipanos. O seu
sucesso fez com que, em 1982 ele assumisse a direção do Atheneu Sergipense.
Os
que conviveram com Leão Magno Brasil o descrevem como um homem de personalidade
forte, disciplinador, mas que sabia impor os limites tratando os seus alunos de
modo sempre respeitoso. Costumava convidar as famílias dos estudantes para
conversar e com os pais discutia as dificuldades e o os êxitos de cada um na
aprendizagem da Matemática.
Preto,
com o corpo longilíneo, de estatura alta e voz tonitruante de locutor de rádio,
Leão Magno Brasil se vestia formalmente e de modo elegante, usando paletó e
gravata. Contudo, nunca dispensava um guarda-pó branco sobre a roupa.
Após
a chegada de Leão Magno Brasil ao Atheneu, dois jovens professores de
Matemática que sequer haviam ingressado como estudantes no ensino superior foram
admitidos no serviço público como professores da disciplina: Nicodemos Correia
Falcão e Antônio Fontes Freitas.
Freitas
tinha ainda 19 anos de idade quando foi contratado e começou a lecionar Matemática
no Instituto de Educação Rui Barbosa, a escola normal de Sergipe. Em depoimento
que me concedeu no dia 14 de novembro de 2025, por telefone, Antônio Fontes Freitas
revelou o processo que o fez ingressar como docente do Instituto de Educação
Rui Barbosa.
“Eu
dava aulas de reforço para a filha de Oscar Leal, então o secretário da escola
normal de Sergipe. Uma tarde, ele ficou em casa e acompanhou a aula que eu dava
para a sua filha. Ao final da aula ele disse que gostou do meu trabalho e me
convidou para ir até o Instituto de Educação Rui Barbosa conversar com o
diretor da instituição”.
Depois
da conversa com o diretor, Antônio Joaquim Filho, Freitas voltou para casa
contratado como Professor Extranumerário Tarefeiro, modalidade de contrato
temporário então vigorante. Um ano depois o professor Antônio Fontes Freitas era
já professor efetivo do Instituto de Educação Rui Barbosa.
Admitido
como professor da escola normal em 1962, somente três anos depois, em 1965, ele
ingressou no ensino superior, com a aprovação no Concurso Vestibular para a
Faculdade de Ciências Econômicas. Ironicamente, Freitas era estudante secundarista
no Atheneu e professor de Matemática do Instituto de Educação Rui Barbosa.
Um
ano depois de haver ingressado na escola normal, Freitas recebeu um convite
inusitado. “O professor Leão Magno Brasil, que era meu professor de Matemática
no Atheneu, soube que eu estava lecionando a mesma disciplina no Instituto de
Educação Rui Barbosa e me fez o convite para ser seu assistente no Atheneu”.
Como
assistente do professor Leão, competia a Antônio Fontes Freitas substituir o
titular ministrando aulas nos dias em que este ficava impedido de comparecer.
Freitas também corrigia provas dos colegas. À época o Atheneu tinha como
diretor o professor Otávio do Espírito Santo.
Aluno
do Atheneu, Freitas dava aulas na escola normal. Um ano depois, ainda aluno do Atheneu
e já estava ministrando aulas para os seus colegas de colégio. Inclusive, outros
alunos do curso científico, como ele. Freitas ficou assustado, mas Leão contra-argumentou
junto a ele, dizendo que não via nenhum problema em tal situação e que a maior
parte dos professores da instituição não possuía graduação em curso superior.
Freitas analisa: “Uma situação complicada. Pela manhã eu era aluno, com a farda do colégio, aqueles botões do uniforme. Eu era aluno de Leão, de Maria da Glória Menezes Portugal, a professora Glorita, e de outros tantos. E, à tarde, eu vestia um paletó, colocava uma gravata e ia dar aula no Atheneu ao lado dos meus professores”.

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