Jorge
Carvalho do Nascimento
Quando
ingressou na Faculdade de Ciências Econômicas, em 1965, Antônio Fontes Freitas
era já professor do Atheneu. Iniciou suas atividades como docente em 1962, no
Instituto de Educação Rui Barbosa. Um ano depois passou a atuar como assistente
do professor Leão Magno Brasil, professor no Atheneu, e em seguida ele mesmo
foi contratado como professor, depois de fazer um curso de Licenciatura de
Curta Duração em Matemática durante um ano, em Alagoas.
Fazia
o curso de Economia e era professor no Atheneu e na Escola de Comércio
Conselheiro Orlando. O governador de Sergipe era o médico Lourival Baptista e o
Atheneu era dirigido pela professora Maria Augusta Lobão Moreira.
No
primeiro ano do seu governo, em 1967, Lourival declarou que nenhum aluno
demandasse vaga no Atheneu e obtivesse aprovação nos exames de admissão ao
ginásio ficaria sem matrícula. Pretendia extinguir a figura do candidato
excedente, até então comum nos exames de admissão do Atheneu.
Para
solucionar o problema, o Atheneu criou dois núcleos: um no bairro Siqueira
Campos e outro no bairro Industrial. Todos os estudantes residentes nos bairros
das zonas norte e oeste de Aracaju, os mais pobres, foram matriculados nos dois
núcleos. Os edifícios do Atheneu, na praça Graccho Cardoso, e do Atheneuzinho,
na avenida Ivo do Prado atenderam os estudantes que residiam no centro da
cidade e nos bairros da zona sul, onde viviam as famílias mais abastadas.
O
núcleo Siqueira Campos funcionava no mesmo edifício do Ginásio Municipal
Presidente Vargas e tinha como diretor o professor de Matemática Leandro
Rodrigues Ramos, enquanto o professor Ariovaldo Alves da Silva era o
responsável por ensinar Matemática em quase todas as turmas do Atheneu que
funcionavam naquele núcleo.
Antônio
Fontes Freitas foi designado diretor do Atheneuzinho, na avenida Ivo do Prado,
em 1968, o mesmo ano em que colou grau em Economia. Na mesma turma de Freitas
colou grau Nicodemos Correia Falcão, que também era professor no Atheneuzinho. Freitas
permaneceu na função durante três anos.
Em
março de 1967, antes de colar grau em Economia, Antônio Fontes Freitas foi
também convidado a integrar o corpo docente do Ginásio de Aplicação da
Faculdade Católica de Filosofia, na condição de professor de Matemática. O
convite partiu do professor Leão Magno Brasil e foi acolhido pela professora
Lindalva Cardoso Dantas, então diretora do Ginásio de Aplicação.
Quando
a Faculdade Católica de Filosofia foi incorporada à Universidade Federal de
Sergipe, em 1968, Antônio Fontes Freitas e Nicodemos Correia Falcão não haviam
ainda colado grau em Economia e por isto não foram admitidos na carreira
docente da UFS como ocorreu com os demais professores do Colégio de Aplicação
naquele momento.
Ambos
ficaram como professores do Colégio de Aplicação durante alguns anos. Freitas
foi nomeado Diretor do Colégio em 1970, durante a reitoria do professor João
Cardoso Nascimento Junior. Permaneceu no cargo até 1972.
Ao
deixar a direção do Colégio, já graduado em Economia, Freitas ingressou como
aluno da primeira turma do Mestrado em Educação da Universidade Federal da
Bahia. Outros sergipanos foram aprovados no mesmo processo seletivo e obtiveram
vaga.
Dentre
os sergipanos que estavam na primeira turma do Mestrado em Educação da UFBA
estão José Jackson Carneiro de Carvalho, José Paulino da Silva, Lygia
Vasconcelos, Elvidina (Didi) Macedo e Nélia Alves Oliveira. Eram seis professores
sergipanos buscando titulação acadêmica.
Nenhum
deles se desligou das suas atividades na Universidade Federal de Sergipe ou do
ensino público estadual sergipano para fazer o Mestrado. Todas as semanas, eles
trabalhavam durante a segunda e a terça-feira integralmente. Na quarta-feira
trabalhavam pela manhã e após o almoço iam todos no mesmo carro para Salvador.
À
noite, na mesma quarta-feira, já estavam assistindo aula. Continuavam em sala
de aula na quinta e na sexta-feira. No sábado pela manhã voltavam a assistir
aula e retornavam para Sergipe após o meio-dia. Mesmo com todo esse esforço, Antônio Fontes
Freitas não chegou a obter o título de Mestre em Educação.
Os
muitos convites que recebeu para ocupar distintos cargos na gestão educacional
do Estado de Sergipe e do governo federal o impediram de fazer a pesquisa e defender
a dissertação de Mestrado, passo obrigatório para a obtenção do título de
Mestre.
Como havia cumprido todos os créditos, à exceção da defesa da Dissertação, Freitas recebeu da Universidade Federal da Bahia o título de Especialista em Educação.

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