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REFLEXÕES SOBRE A HISTÓRIA DO ENSINO DA MATEMÁTICA EM SERGIPE – PARTE 8

                                                Nicodemos Correia Falcão


 

Jorge Carvalho do Nascimento

 

 

Ainda professor do Atheneu, Antônio Fontes Freitas foi um dos alunos do primeiro curso oferecido em Aracaju pela Campanha de Aperfeiçoamento e Difusão do Ensino Secundário – CADES, fundada pelo Ministério da Educação em 1953. Como um dos colegas de curso teve Nicodemos Correia Falcão, também professor do Atheneu.

O curso objetivava a regularização profissional de docentes leigos, o que era então a situação de Freitas e Nicodemos. Criada por iniciativa do presidente Getúlio Vargas, a CADES visava aprimorar a qualidade do ensino secundário no Brasil. Nicodemos e Freitas foram considerados alunos de excelência, aprovados ao final com muito destaque.

O reconhecimento das aptidões dos dois professores sergipanos fez com que o Ministério da Educação oferecesse a ambos, com a intermediação da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal para o Ensino Superior – CAPES, a oportunidade de fazer um curso na Faculdade de Ciências e Letras da Universidade Federal de Alagoas, em Maceió.

Era um curso equivalente a uma Licenciatura de Curta Duração. Outros sergipanos de distintas áreas também participaram do mesmo curso. Contudo, apenas Antônio Fontes Freitas e Nicodemos Correia Falcão buscaram e obtiveram formação em Matemática.

Após a conclusão do curso em Alagoas, Antônio Fontes Freitas fez matrícula em um outro curso destinado a formação de professores de Matemática, oferecido pela Universidade Federal de Pernambuco. Para tal curso, em Recife, dois sergipanos foram selecionados: Antônio Fontes Freitas e Leão Magno Brasil.

Durante um ano, Leão e Freitas frequentaram as aulas em regime intensivo no Instituto de Matemática e Física da Universidade Federal de Pernambuco. Durante tal período, Antônio Fontes Freitas buscou aprofundar o seu conhecimento a respeito da Matemática Moderna, campo até então liderado em Sergipe pelo professor Genaro Dantas da Silva.

Ao regressar a Sergipe, Freitas e Leão buscaram se dedicar ao ensino da Matemática Moderna. O professor Genaro Dantas da Silva estava já afastado das suas atividades na carreira docente das escolas estaduais e dedicado exclusivamente ao trabalho na Escola Técnica Federal de Sergipe.

Antes de retornar a Sergipe, Antônio Fontes Freitas recebeu do coordenador do curso convite para uma conversa. Foi comunicado que o Instituto de Matemática e Física da UFPE ofereceria um curso de Matemática Moderna em Aracaju, destinado a professores, e que ele fora escolhido para ser o ministrante.

Freitas ponderou: “Como eu poderei dar aulas para eles se muitos deles foram meus professores?” O coordenador do curso respondeu: “Quando você entrar na sala de aula, feche os olhos e considere que todos que estão ali sentados são seus alunos. Você acumulou um conhecimento especializado que eles não dominam. Eles estão na sala de aula para aprender com você”.

Freitas preparou as aulas do curso tão logo chegou a Aracaju e guardou todas as fichas de aula que produziu. Concluído o curso, o roteiro de aulas utilizado serviu de suporte para que Antônio Fontes Freitas redigisse e publicasse o seu primeiro livro, pela Gráfica Editora J. Andrade: INTRODUÇÃO A MATEMÁTICA MODERNA.

O professor Antônio Fontes Freitas ingressou no corpo docente do Ginásio de Aplicação da Faculdade Católica de Filosofia em 1967, como professor de Matemática. Três anos depois, em 1970, foi nomeado diretor da instituição escolar, quando a Universidade Federal de Sergipe, instalada em 1968, tinha como reitor o médico João Cardoso do Nascimento Junior.

Os inúmeros cargos que ocupou na gestão da política educacional do estado de Sergipe e da administração federal foram gradativamente afastando o professor Antônio Fontes Freitas dos caminhos do ensino da Matemática. A partir de 1972, convidado pelo professor João Cardoso do Nascimento Junior, então secretário da educação e cultura do estado de Sergipe, Freitas assumiu o cargo de coordenador executivo da Secretaria da Educação, naquele momento uma espécie de secretário adjunto. Permaneceu na Secretaria da Educação até o ano de 1975, quando se encerrou o governo Paulo Barreto de Menezes e a gestão do professor João Cardoso naquela pasta.

Depois de deixar o cargo de gestor na Secretaria da Educação, Antônio Fontes Freitas prestou concurso público para a carreira docente do ensino superior na Universidade Federal de Sergipe, no mesmo ano de 1975. Freitas obteve a primeira colocação no certame, pediu desligamento do Colégio de Aplicação e ingressou nos quadros do Departamento de Educação da UFS.

Ele havia feito um curso de especialização em Fortaleza, oferecido pela Universidade Federal do Ceará, e no Departamento de Educação da UFS foi trabalhar com a disciplina Métodos Quantitativos em Educação, que cuidava de Estatística Educacional.

 

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