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REFLEXÕES SOBRE A HISTÓRIA DO ENSINO DA MATEMÁTICA EM SERGIPE – PARTE 11


 

Jorge Carvalho do Nascimento

 

 

Fundado em 1972, o Departamento de Matemática da Universidade Federal de Sergipe contribuiu significativamente para a formação de professores licenciados em Matemática, qualificando os profissionais que trabalhavam com a disciplina no ensino de primeiro e segundo graus.

Contudo, havia uma frustração em face da pequena quantidade de alunos que colava grau a cada ano em Matemática. Um estudo realizado em 1990, quando o Departamento de Matemática completou 18 anos de funcionamento, é eloquente acerca dessa questão.

Em duas décadas, o Departamento de Matemática formou somente 72 licenciados, o que representava uma média de quatro novos professores de Matemática a cada ano. Como as colações de grau eram semestrais, tal número apontava que em média, em Sergipe, foram formados somente dois novos professores de Matemática a cada semestre.

Assim, era recorrente, principalmente nas escolas públicas estaduais e municipais que muitas vezes os alunos ficassem um semestre inteiro sem assistir uma única aula de Matemática, por falta de professor da disciplina na instituição escolar.

A mais importante tentativa de solucionar o problema crônico do déficit de professores de Matemática nas escolas públicas do estado de Sergipe apareceu em 1996 com o anúncio da criação do Programa de Qualificação Docente – PQD.

Além da busca de solução do déficit crônico de professores de Matemática, principalmente em municípios do interior sergipano, o PQD tinha também um outro importante significado: era uma relevante iniciativa de interiorização do ensino superior, com a formação de professores em serviço na rede pública de Sergipe.

O programa foi implantado pela Universidade Federal de Sergipe em parceria com a Secretaria de Estado da Educação – SEED, em 1996.  Tinha como objetivo principal oferecer cursos de Licenciatura Plena a professores que já exerciam a docência nas redes estadual e municipais de ensino sem que possuíssem formação em nível superior.

O Programa se ajustava ao que prescrevia a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional – LDB, a Lei 9.394/96. Além da inexistência de professores com Licenciatura em Matemática em quantidade suficiente para atender a demanda, a maior parte dos professores em atividade não possuía a qualificação exigida pela lei.

As aulas da primeira versão do PQD foram iniciadas em 1997 e atendeu a demanda apresentada ao Governo do Estado de Sergipe e também a UFS por várias prefeituras de municípios do estado de Sergipe, demandando a oferta de cursos de Licenciatura no interior para formar docentes de áreas críticas.

Para implementar o Programa, a Universidade Federal de Sergipe, a Secretaria de Estado da Educação e as prefeituras pactuaram a realização de um concurso vestibular especial. Na sua primeira versão foram ofertadas 500 vagas em cinco cursos de Licenciatura diferentes. Para a Licenciatura em Matemática foram abertas 100 vagas.

O PQD foi reconhecido pela maior parte dos especialistas como uma importante política pública destinada a democratizar o ensino superior em Sergipe, possibilitando a formação e a valorização do professor já em atividade.

As três primeiras versões do programa fizeram muito sucesso. Tanto o PQD1 quanto o 2 e o 3 ofereceram importantes contribuições para que a Universidade Federal de Sergipe aprimorasse a sua experiência com a formação de professores, contribuindo muito para que amadurecesse a interiorização do ensino superior em Sergipe.

O curso de Licenciatura em Matemática oferecido no âmbito do Programa de Qualificação Docente foi elaborado com características especiais que buscavam atender a demanda de professores em serviço. A inscrição para o concurso vestibular do programa foi permitida a professores de Matemática ou de áreas afins como Ciências que atuavam no Ensino Fundamental ou no Ensino Médio e possuíam somente formação em Magistério obtida em curso de nível médio ou uma outra Licenciatura diversa da Matemática.

Houve necessidade de conciliar o estudo com o trabalho dos docentes. Por isto, o curso adotou o formato modular semipresencial. Nesse sistema híbrido, as aulas presenciais eram intensivas e concentradas em períodos de férias escolares e também nos finais de semana, havendo atividades complementares que eram acompanhadas a distância pelos professores da Universidade Federal de Sergipe encarregados de ministrar a formação.

Distintamente dos cursos regulares da Universidade Federal de Sergipe, sempre ministrados na Cidade Universitária José Aloísio de Campos, os cursos do PQD foram levados para as cidades do interior do estado de Sergipe. A UFS criou cinco polos de apoio em cidades representativas das cinco regiões sergipanas mais relevantes.

O currículo dos cursos de Licenciatura em Matemática espelhou a formação que era dada no curso regular oferecido pelo Departamento de Matemática. Todavia, houve a inovação de fortalecer a prática pedagógica e a realidade da sala de aula da educação básica, contribuindo para melhorar o ensino ministrado pelos professores que se transformavam em alunos do PQD.

 

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