Jorge Carvalho do Nascimento
Em
Sergipe, na década de 30 do século XX, a Matemática era disciplina do ensino
secundário em instituições escolares como o Atheneu Pedro II. Naquele período,
o professor Abdias Bezerra era catedrático de Matemática. Ele deixou marcas que
foram muito importantes para os estudos de Matemática que se seguiram.
Abdias
Bezerra foi um dos professores que atuou consolidando o termo Matemática em
substituição às concepções que predominavam com o antigo ensino de Aritmética.
Tal consolidação se estabeleceu definitivamente no período da Reforma Francisco
Campos, entre 1938 e 1943.
Sob tal
Reforma, o ensino de Matemática, principalmente nos cursos complementares que
eram oferecidos aos estudantes que pretendiam ingressam no ensino superior em
cursos como Medicina e Engenharia, ganhou uma nova feição mais compatível com
os padrões de desenvolvimento científico e tecnológico então vigorantes.
Até a
metade do século XX, a formação dos professores que assumiam responsabilidades
com o ensino de Matemática era marcada pela heterogeneidade das profissões
liberais, principalmente aquelas voltadas para as ciências da natureza, a
exemplo das diversas engenharias.
Este
debate apareceu com mais força a partir da chamada Reforma Gustavo Capanema, em
1937. Em Sergipe, dentre os professores que mais se destacavam no ensino de
Matemática, seis eram engenheiros, um era dentista e um era oficial militar.
Todos
eles eram importantes intelectuais da vida sergipana, mas todos carregavam
consigo a marca de serem responsáveis pela disseminação de inovações na cultura
escolar e na cultura científica sergipana. Tudo isto chancelado pela
importância social que tinha o rigor dos concursos para provimento das cátedras
do Atheneu Sergipense.
Os
catedráticos eram os professores titulares vitalícios que obtinham a sua vaga
por concurso público. Ficou muito conhecido o caso do primeiro concurso realizado
para a Cadeira de Matemática do Atheneu, em 1930, quando os dois concorrentes
que disputavam a vaga foram declarados inabilitados pela banca examinadora.
Quando o
rigor dos concursos não permitia que existissem catedráticos em quantidade
suficiente, o Atheneu lançava mão de uma outra classe de professores, os
chamados contratados e designados, que recebiam remuneração bem inferior a dos
catedráticos e atuavam para suprir a grande demanda de aulas.
Dentre os
professores que assumiram a tarefa de implementar na disciplina Matemática as
reformas que marcaram a Educação brasileira entre 1929 e 1940, principalmente no
final da década as Reformas Gustavo Capanema e Francisco Campos, podemos chamar
a atenção para o trabalho de José Rollemberg Leite.
Este era
engenheiro civil e de minas formado em Ouro Preto. Retornou a Sergipe no início
dos anos 30 e assumiu por concurso a cátedra de Matemática do Atheneu. Todos o
conhecem pela importância que teve como líder político, duas vezes governador
de Sergipe e também senador da República. Todavia, foi muito grande a sua
importância como intelectual da Educação, tendo obtido muito prestígio com o
seu trabalho como professor de Matemática do Atheneu.
Outro
nome da maior importância foi o de Gentil Tavares da Mota que também trabalhou
ao lado de José Rollemberg Leite, no Atheneu, durante o mesmo período. Ademais,
aos dois se soma o nome de Misael Viana, que também defendeu, como eles, a
cátedra unificada de Matemática.
Eles não
foram apenas professores de Matemática. Na verdade, constituíram uma elite
intelectual que trabalhou fortemente na mudança das práticas culturais
escolares e científicas normalmente admitidas, buscando uma nova racionalidade
educacional, científica e tecnológica.

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