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REFLEXÕES SOBRE A HISTÓRIA DO ENSINO DA MATEMÁTICA EM SERGIPE – PARTE 4

                                                Genaro Dantas da Silva


 

Jorge Carvalho do Nascimento

 

 

Na metade do século XX, o ensino de Matemática em Sergipe conheceu importantes alterações com a criação, em 1951, da Faculdade Católica de Filosofia de Sergipe - Fafi. A escola tinha como seu principal objetivo a formação de professores para o ensino secundário. Juntamente com a escola de ensino superior surgiu, no mesmo ano de 1951, o curso de Matemática.

Mantida pela Sociedade Sergipana de Cultura, sob controle da Igreja Católica, e liderada pelo padre Luciano Cabral Duarte, a Fafi ofereceu, além do curso de Matemática, os de Geografia e História e Filosofia. Sob a estrutura curricular inicial, os estudantes recebiam uma formação de três anos.

Após um triênio, os alunos obtinham o diploma de Bacharel e, se desejassem, continuavam frequentando a Faculdade por mais um ano no curso de Didática para receber o diploma de Licenciado. A instalação da Fafi entusiasmou os intelectuais de Sergipe pela revolução que a escola representava quanto a formação de professores para o ensino secundário. Agora, o lócus dos estudos de Matemática não era apenas o Atheneu, mas também a Faculdade de Filosofia.

Contudo, o funcionamento dos cursos de Matemática e Filosofia foi efêmero e durou apenas seis anos. Em 1957, as atividades dos dois cursos foram suspensas em face da reduzida quantidade de alunos interessados nos estudos filosóficos e matemáticos.

Uma outra contribuição ao desenvolvimento do ensino da Matemática em Sergipe foi estimulada pela chegada em Aracaju nos anos 40 do século XX de professores como o romeno Petru Stefan e o polonês Leônidas Tanku. Os dois se estabeleceram no Brasil.

Ambos eram químicos, mas Petru Stefan foi muito dedicado aos estudos de Matemática e entusiasta das ideias da chamada Matemática Moderna, tendo trabalhado como professor de Matemática do Atheneu, não obstante nunca haver integrado o quadro de catedráticos do corpo docente da instituição.

A primeira metade do século XX foi um período no qual muitos intelectuais e professores da Europa migraram para o Brasil em face do contexto geopolítico e das oportunidades de crescimento da economia e desenvolvimento da sociedade brasileira naquele período.

Todos os intelectuais europeus que migraram para a América do Sul estavam fugindo das condições adversas das guerras mundiais, particularmente da Segunda Guerra, além da polarização que se seguiu com o estabelecimento da chamada Guerra Fria.

A expansão do socialismo no Leste Europeu, sob a liderança da União Soviética, particularmente em países como a Romênia e a Polônia provocou a fuga de muitos cérebros para os países ocidentais. O Brasil era visto como um destino atraente.

O Estado de Sergipe estava, no mesmo período vivendo a expansão do ensino superior, havendo forte demanda de docentes e pesquisadores qualificados para o trabalho em instituições como as faculdades de Filosofia, de Economia, de Química, além de outras instituições como o Instituto de Tecnologia e Pesquisas de Sergipe – ITPS.

Petru Stefan trabalhou na Faculdade Católica de Filosofia e foi um nome importante na estruturação do curso de Matemática, influenciando muitos estudantes e outros colegas professores, atraindo muitos docentes para os caminhos da novíssima Matemática Moderna.

Ele também, na condição de professor de Matemática do Atheneu, exerceu grande influência dentre os professores daquela instituição. Os dirigentes da escola normalmente o consultavam quando havia necessidade da indicação de nomes para o corpo docente.

Sem nenhuma dúvida, a condição de professor do Atheneu e das faculdades criadas naquele período era uma posição socialmente destacada. O intelectual que ocupava tais empregos desfrutava de prestígio e recebia uma boa remuneração.

Isto levou Petru Stefan e se tornar uma figura importante na cidade de Aracaju, influenciando os círculos intelectuais e educacionais da cidade, sempre referenciado quanto a formação de novos quadros que se destacavam.

Foi este o caso do professor Genaro Dantas Silva, indicado por Stefan para o quadro de docentes do Atheneu.

Foi este o caso do professor Genaro Dantas Silva, indicado por Stefan para o quadro de docentes do Atheneu.
 

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