Pular para o conteúdo principal

A POLÍTICA CULTURAL DE JOSÉ LEITE, EVERALDO ARAGÃO E LUIZ ANTÔNIO – PARTE 1

                                                    Antônio Garcia Filho


 

Jorge Carvalho do Nascimento

 

 

O secretário da educação e cultura, Everaldo Aragão Prado, e o governador José Rollemberg Leite combinaram entregar a Luiz Antônio Barreto a gestão da política cultural do estado de Sergipe. Foi com este objetivo que Luiz assumiu a condição de chefe da Assessoria para Assuntos Culturais da Secretaria da Educação e Cultura.

Desde o primeiro ano do governo, a ação cultural do poder executivo sergipano ampliou-se por todas as áreas, especialmente no folclore, na música, nas letras e na documentação. Ao lado de Luiz Antônio Barreto, cuidando da normatização das atividades culturais estavam Antônio Garcia Filho, presidente do Conselho Estadual de Cultura, e José Anderson Nascimento, secretário geral do mesmo colegiado. De resto, é importante citar que o conselho foi fortalecido e empoderado no âmbito das suas competências.

Foram muitos os frutos de tal período. Criou-se em seis de setembro de 1976 a Banda de Música Interescolar da Secretaria da Educação e Cultura – a Secbanda, composta por estudantes dos diversos estabelecimentos de ensino das escolas públicas estaduais sediadas em Aracaju.

A Secbanda conquistou rapidamente a simpatia dos sergipanos, desfrutando de elevado conceito nas suas apresentações públicas, sob a regência do maestro Rivaldo Dantas. O trabalho da Secbanda formou muitos jovens músicos.

Ainda no âmbito da música foi implantada a Discoteca Pública de Sergipe, funcionando no edifício da Biblioteca Pública Epifânio Dória. O seu acervo era composto por discos de música folclórica, música popular e também um acervo chamado de erudito, com a música universal dos grandes compositores da história da música.

O acervo do Museu Histórico de Sergipe recebeu uma significativa ampliação, incorporando peças da coleção do escritor José Augusto Garcez e de Neuza Barreto Rollemberg, além de telas pintadas por Horácio Hora e por outros artistas sergipanos. O edifício do Museu foi restaurado.

O estado promoveu diversas sessões de homenagem aos principais vultos das letras sergipanas e realizou muitos concursos literários destinados a estudantes, além de assumir a premiação do Concurso de Poesia Falada do Nordeste.

Uma importante iniciativa foi a implantação do Laboratório de Restauração de Papéis do Arquivo Público do Estado. Também foi criado e instalado o Museu Afro-Brasileiro, em Laranjeiras. Obra da maior relevância foi a restauração do Auditório do Colégio Estadual Atheneu Sergipense, transformado e equipado como o principal teatro da cidade de Aracaju.

Outra importante iniciativa para a valorização da cultural popular no estado de Sergipe foi a restauração dos grupos folclóricos em vários municípios do estado. Muitos grupos da cultura popular sergipana que estavam inativos foram reativados e voltaram a preservar as manifestações folclóricas do povo de Sergipe.

Por iniciativa do governo do estado de Sergipe, três importantes projetos de lei foram apresentados, discutidos e aprovados, resultando na lei 1962/75, que instituiu o Fundo de Promoção Cultural de Sergipe. Em outra direção, a lei 2069/76 regulamentou o Patrimônio Histórico e Artístico de Sergipe, enquanto a lei 2202/78 criou o Sistema Estadual de Arquivos.

Ademais, foram realizados estudos que catalogaram as manifestações folclóricas e artesanais existentes em Sergipe. Da mesma maneira se produziu conhecimento a respeito da produção artesanal em suas distintas formas.

O acervo da Biblioteca Pública Epifânio Dória foi reorganizado e a instituída uma Oficina de Encadernação, implantada com regimento interno que disciplinava o seu uso. Deste modo, voltaram ao acervo da biblioteca muitos títulos que se encontravam interditados.

A equipe da Assessoria para Assuntos Culturais da Secretaria da Educação e Cultura desenvolveu pesquisa que objetivou identificar a documentação histórica existente nos acervos cartoriais, em acervos de particulares, nos arquivos municipais e também nas paróquias da Igreja Católica.

No Arquivo Público do Estado de Sergipe foi levantada, identificada e catalogada a documentação referente aos governadores de Sergipe existente nos milhares de documentos do seu rico acervo, buscando criar novas ferramentas de trabalho para os pesquisadores.

 

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

AVE CESAR! AVE GILVÂNIA!

                                                  Gilvânia Guimarães   Jorge Carvalho do Nascimento     Normalmente eu uso meus espaços na internet escrevendo textos sobre temas da História, de um modo geral, da História da Educação, da História dos Costumes, da História Política do Brasil. Não tenho o hábito de polemizar nem de falar da política contemporânea, seja para elogiar ou para criticar. Mas, hoje vou me permitir abrir uma exceção e farei dois comentários em face de decisões tomadas pelo governador Fábio Mitidieri que me agradaram como cidadão e como estudioso da política educacional e da História da Educação. A história já deu provas suficientes de que o governador Mitidieri acertou ao tomar posse em 2023 e nomear para o cargo de secretário da educação o seu vice-governador, José Macedo Sobral, o Zezinho Sobral. Nascido no município sergip...

O MEU FILME DE VERÔNICA

                                                  Verônica Maria Menezes Nunes   Jorge Carvalho do Nascimento     A minha memória mais remota me remete ao ano de 1969, na sala de aula do Atheneu, estudando com o hoje engenheiro civil Antônio Fernando Nunes. No filme que passa na minha retina surgem, ainda no Atheneu, Vera Marta que mais tarde se estabeleceu profissionalmente como professora de educação física. José Correia Nunes Filho, o Zelito, depois bacharel em direito, advogado e oficial de justiça, também é personagem quando estudante do Atheneu, sempre bem humorado e fazendo amigos. Sílvia Helena, Lauro Henrique e Geraldo Luiz, os outros irmãos de Verônica, aparecem em imagens difusas e desfocadas. Nunca estabeleci com eles uma relação de amizade mais permanente como consegui fazer com os três que citei inicialmente. O foco em Verônica Maria M...

A SERGIPANIDADE E A CULTURA DE SERGIPE

                                                Luiz Antônio Barreto       Jorge Carvalho do Nascimento     Gosto do conceito de sergipanidade sintetizado pela professora Aglacy Mary. Ela ensina que “Sergipanidade é o conjunto de singularidades que caracteriza o modo sergipano de lidar com o seu patrimônio — a língua, a arte, a fé, o trabalho, as festas —, bens comuns compartilhados com outros grupos. O que somos está impresso em nossa alma e se expressa através da geografia que nos define, da mistura étnica que nos deu origem, da história que nos constitui, de tudo o que construímos e através daquilo pelo que nos encantamos”. Não obstante o longo debate acerca do conceito de sergipanidade, a data de 24 de outubro somente foi reconhecida formalmente como Dia da Sergipanidade no ano de 2019, quando o projeto de lei 249 apresentado pelo deputado ...