Jorge
Carvalho do Nascimento
O
jornalista Anderson Barbosa, conhecido repórter dos noticiários da TV Sergipe
acaba de erigir um espelho que nos permite ver o invisível da cidade de Aracaju.
O livro INVISÍVEIS: A CIDADE QUE NINGUÉM VÊ produz uma boa narrativa a respeito
dos excluídos do espaço urbano.
Ler
o novíssimo livro de Anderson Barbosa desfoca o olhar que lançamos corriqueiramente
sobre o centro comercial, os espaços do turismo e os bairros suntuosos do
glamour das elites para ferir a retina com os excluídos que nunca vemos, mesmo
quando tropeçamos neles.
O
livro começou a circular no último mês de abril com o selo Infographics e apresentação
da antropóloga Patrícia Rosalba Salvador Moura Costa, É uma espécie de obra
aberta compatível com a condição que tem o autor de militante das causas
sociais.
São
213 páginas nas quais o jornalista que também é mestre em Comunicação Social pela
Universidade Federal de Sergipe traduz em textos o trabalho do seu canal
Youtube “Que Vem das Ruas”, no qual costuma narrar a vida de pessoas em
situação de rua, artistas, indivíduos socialmente vulneráveis e projetos
sociais.
Em
31 crônicas, Anderson Barbosa oferece a visibilidade do discurso àqueles que a
sociedade insiste em não perceber que existem. Na verdade, sem usar a
tradicional linguagem acadêmica, Anderson consegue nos apresentar a uma realidade
que nunca aparece no discurso das políticas públicas, da imprensa tradicional e
da literatura corriqueira.
Efetivamente,
Anderson Barbosa produziu uma espécie de libelo em defesa do cumprimento dos
Direitos Humanos e também pelo direito que todos possuem de utilizar os espaços
da cidade. Direito que termina por ser negado ao chamado grupo dos invisíveis.
O
livro de Anderson produz uma memória social contemporânea dos sergipanos nos
apresentando a homens como Messias, que viveu nas ruas durante 40 anos e por
pouco não foi sepultado como indigente. Ou Elvis Fonseca, um catador que
diariamente puxa a sua carroça com carga de 400 quilos.
Anderson
Barbosa nos dá a impressão de haver incorporado algumas lições de Ítalo Calvino
ao nos mostrar a concretude das pessoas invisíveis, pessoas reais que produzem
memória, que possuem desejos e que são conscientes das condições sob as quais
existem. Com em Calvino, também em Anderson Barbosa a cidade é um bom espelho
da condição humana.
Os
compromissos da militância social de Anderson Barbosa o levaram a doar a renda resultante
da comercialização do livro a movimentos sociais e instituições que se dedicam
a atender a chamada população de rua nas diferentes regiões do estado de
Sergipe.
Ao
dar voz aos invisíveis, o autor se esforça para que a sua posição de mediador
não limite o livro apenas aos leitores já familiarizados com o tema, mas
alargue os horizontes daqueles que podem se interessar pelo assunto, sempre
carregado de tensões.
O
jornalismo literário de Anderson Barbosa se beneficia da longa experiência que
o repórter possui na militância social, Deste modo, ele teve todas as
possibilidades de transformar a escuta que fez dos invisíveis em uma narrativa
humanizada que se lê agradavelmente.
Anderson
representa o sofrimento dos invisíveis sem explorar os que sofrem, sem
sentimentalismo vazio, sem transformar a miséria em algo exótico, sem
transformar a exclusão em ato de heroísmo e sem fazer uma espécie de
pornografia social. Mas, consegue provocar em quem lê um tipo de desconforto
moral diante da indiferença da sociedade.
É uma leitura fundamental e necessária. Eu recomendo.;

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