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RICARDO LACERDA E A ECONOMIA DE SERGIPE

                                               Ricardo Lacerda


 

Jorge Carvalho do Nascimento

 

 

A partir de 2023 o estado de Sergipe vem vivendo um período promissor de retomada dos investimentos públicos e privados em infraestrutura, fortalecimento do mercado de trabalho e elevação da massa salarial. Estas observações estão presentes nos estudos realizados pelo economista Ricardo Lacerda, cujos resultados acabam de ser publicados no livro A Economia de Sergipe no Primeiro Quartel do Século XXI.

Ricardo é, sem nenhuma dúvida, o mais importante estudioso da economia sergipana atualmente em atividade. Doutor em Economia pela Unicamp, professor aposentado do Departamento de Economia da Universidade Federal de Sergipe, assessor e consultor dos governos Marcelo Déda, Jackson Barreto e Belivaldo Chagas, Ricardo tem realizado e publicado estudos sobre a economia e a história econômica contemporânea de Sergipe. Especificamente sobre o tema das condições de funcionamento da economia de Sergipe, acaba de ser publicado um novo livro de Lacerda: A Economia de Sergipe no Primeiro Quarto do Século XXI.

O livro tem a chancela do Observatório de Sergipe, dedicado aos estudos sobre o estado. O Observatório funciona na estrutura da Secretaria Especial de Planejamento, Orçamento e Inovação. E este é outro fato alvissareiro que representa a reinserção de uma área dedicada ao planejamento na estrutura da administração pública estadual.

Considero um acerto do governador Fábio Mitidieri o fato de haver ele tomado a iniciativa de fortalecer a gestão do estado com a reorganização da Secretaria de Planejamento e a formação de um corpo de técnicos que se dedicam a estudar Sergipe.

A partir de 1959, com a ajuda do economista Aloísio de Campos, o governador Luiz Garcia ficou encantado com as ideias de Juscelino Kubitscheck e Celso Furtado, que fundaram a Sudene, e criou o Conselho de Desenvolvimento Econômico de Sergipe – Condese.

Foi a equipe de planejamento liderado por Aloísio de Campos que, nos anos 60 do século XX, realizou os estudos e planejou o desenvolvimento da economia sergipana com base na exploração e industrialização dos recursos minerais.

Sergipe passou a produzir cimento, descobriu e extraiu petróleo do seu subsolo, exportou potássio, produziu fertilizantes nitrogenados, implantou um porto, construiu uma rede de adutoras, promoveu uma acelerada industrialização do seu território, aperfeiçoou a sua atividade agropastoril, acelerou o processo de urbanização e desenvolvimento das suas cidades.

A estrutura do planejamento sergipano assumiu os pressupostos do nacional desenvolvimentismo e em articulação com a Sudene e a Comissão Econômica para a América Latina – CEPAL promoveu o aperfeiçoamento de importantes quadros técnicos como Everaldo Aragão Prado, Dilson Menezes Barreto e Marcos Antônio de Melo, dentre tantos outros.

O Condese, como autarquia, foi fragilizado a partir do governo Augusto Franco. Todavia, sob o formato de Secretaria do Planejamento, a estrutura se manteve forte. A ideologia do pensamento nacional-desenvolvimentista em Sergipe, que vinha se fragilizando desde o final do governo Augusto Franco, perdeu muita força e ficou pulverizada a partir da gestão do governador Antônio Carlos Valadares.

Nos governos Marcelo Déda e Jackson Barreto, a área recebeu um novo alento. O tiro de misericórdia na estrutura de planejamento do estado de Sergipe foi dado pelo governador Belivaldo Chagas. Com a renúncia de Jackson Barreto, em 2018, Belivaldo assumiu o governo e após a sua reeleição, no final daquele ano, anunciou uma reforma administrativa na qual extinguiu a secretaria da Cultura e também a Secretaria do Planejamento, Orçamento e Gestão – Seplag, em dezembro de 2018.

Ao tomar posse, em 2023, o governador Fábio Mitidieri recriou a pasta sob a designação de Secretaria Especial de Planejamento, Orçamento e Gestão, entregando a Júlio Filgueira a responsabilidade do gerenciamento da pasta, formando uma equipe de técnicos encarregados de planejar e estudar o estado.

A Secretaria de Planejamento resolveu publicar o estudo de Ricardo Lacerda, A Economia de Sergipe no Primeiro Quartel do Século XXI. A importância do trabalho fez com que o próprio governador Mitidieri assinasse a sua apresentação enquanto o secretário Filgueira ficou responsável pelo prefácio.

Em 463 páginas Ricardo Lacerda faz um balanço abrangente das transformações estruturais da economia sergipana desde a década de 70 do século XX até 2021, focando especialmente nos primeiros 25 anos de século XXI, quartel que acabamos de concluir.

O núcleo do livro é o capítulo dois, onde Lacerda estuda a articulação expansiva das economias do Brasil e de Sergipe entre 2004 e 2014 e demonstra como Sergipe sofreu fortemente os efeitos da recessão nacional entre os anos de 2015 e 2018, agravados pela retração das atividades da Petrobrás no estado.

Para os sergipanos, a economia nacional impôs queda da produção, retração industrial, fragilização fiscal e esgarçamento do mercado de trabalho. A partir de 2023, contudo, com a chegada do presidente Lula ao poder para um novo mandato, a economia brasileira passou por um processo de reorganização e recuperação nos seus indicadores, permitindo a Sergipe um novo ciclo virtuoso de crescimento e inclusão social.

Ricardo demonstra que a partir de 2023 tem havido um fortalecimento do mercado de trabalho, elevação da massa salarial, retomada de investimentos públicos e privados com um ciclo nacional de expansão econômica do qual Sergipe tem participado.

Assim, Sergipe está gradativamente retomando as iniciativas necessárias ao seu projeto de expansão do complexo industrial portuário, da exploração de petróleo em águas profundas, vetores estruturadores de médio e longo prazo que beneficia setores tradicionais como petróleo e gás, fertilizantes, modernização agropecuária, transição energética, digitalização e reindustrialização.

Segundo Ricardo Lacerda, “A principal mensagem é que Sergipe reúne condições para aproveitar a ‘janela de oportunidades’ aberta pelo novo ciclo de crescimento nacional, transformando-a em ganhos efetivos de inclusão social, redução das desigualdades e fortalecimento produtivo”.

Vale a pena se debruçar sobre o novo trabalho do professor Ricardo Lacerda.

 

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