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A MORTE DO PROFESSOR IV

                                            Carlos Gomes

 

 

Jorge Carvalho do Nascimento*

 

 

O professor Archimedes Pereira Guimarães fora um homem forte, bem articulado politicamente e quase sempre sisudo. Para os seus adversários, um espírito autoritário. Para os amigos, um líder de grande e instintiva capacidade de dirigir homens. Os admiradores falavam de um homem sensível.

O profissional era exigente. O cidadão era um liberal que repelia dogmas e gostava de uma boa conversa, temperada com fina ironia e algumas pitadas de bom humor. Quase sempre, fazia prosperar todos os empreendimentos dos quais participava. Era simples, severo, objetivo e organizado.

O certo é que a sua atividade intelectual estava longe de limitar-se ao magistério. Sua capacidade de trabalho estava marcada pelos muitos cargos que ocupara em diferentes governos de Sergipe e da Bahia. O intelectual sempre encontrava tempo para a pesquisa histórica, uma das suas paixões.

Dentre as suas predileções como estudioso, a pesquisa biográfica. Estudou o compositor Carlos Gomes e o pai da aviação, Alberto Santos Dumont. Seu trabalho sobre a vida e a obra do maestro é uma importante contribuição aos estudos sobre a História da Música no Brasil.

O professor Archimedes publicou vários trabalhos sobre as instituições das quais participou. A respeito do Rotary Club escreveu um valioso conjunto de textos falando da história e dos objetivos da agremiação, valorizando em todas as suas ações o caráter de associação voluntária.

Archimedes era pai de cinco filhas. Antonieta, a primeira, nasceu em Salvador, nos idos de 1927. Teve como padrinho o professor Anísio Teixeira, seu amigo ao longo de toda a vida. Poucos dias após o nascimento da menina, o professor enviou uma foto a Anísio, que se encontrava em viagem de estudos nos Estados Unidos da América. O pedagogo baiano agradeceu em carta afetuosa que enviou desde a América do Norte.

- Recebi o retrato de sua filhinha e o felicito vivamente, assim como à sua senhora, pelo esplêndido baby.

Mafalda, assassinada juntamente com o pai em 1984, nasceu em 1932, também em Salvador. Esta foi a mesma cidade na qual nasceu Heloisa, no dia 15 de junho de 1942. As outras filhas de Archimedes eram Graziela e Iolanda.

Ao ser diplomado engenheiro em 1917, Archimedes viajou à América do Norte, onde trabalhou e completou a sua formação acadêmica. Ao regressar ao Brasil, atuou como professor da Escola de Agronomia de Niterói. Foi ali que conheceu Maurício Graccho Cardoso, advogado e professor da mesma instituição, que mais tarde viria a presidir o Estado de Sergipe e convidaria o seu amigo Archimedes para implantar o Instituto de Química Industrial sergipano. Na Bahia, Archimedes fora Diretor da Instrução Pública, secretário da Agricultura, secretário da Fazenda e diretor da Escola Politécnica.

A arma que matou Archimedes e Mafalda fora um revólver de marca Rossi, com número de série 673.918, niquelado e com cabo revestido por material plástico. Somente foi encontrado no dia 27 de agosto de 1984, 50 dias após o crime. Estava enterrada nos fundos do casarão em que o professor residia e onde foi morto. Quem achou? Um menino que estava fazendo a limpeza do quintal.

 

 

*Jornalista, professor, doutor em Educação, membro da Academia Sergipana de Letras e presidente da Academia Sergipana de Educação.

 

Comentários

  1. Professor Jorge Carvalho do Nascimento, precisamos saber quem executou o professor e sua filha...

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