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AS ÁGUAS DE NETUNO

Em pé: Ana Luiza, Carlos Vahle, Jorge Carvalho e Clériston Batista. Agachados: Jorge Torquato e Ronaldo Carvalho.     Jorge Carvalho do Nascimento*     Ronaldo Carvalho, Clériston Batista, Jorge Torquato, Carlos Vahle e Jorge Carvalho. Era a formação da Equipe Sercar, na qual durante a segunda metade da década de 70 do século XX participei de várias competições de pesca amadora nas praias dos Estados de Sergipe, Bahia e Alagoas. Havia me entusiasmado com os molinetes e anzóis sob influência do meu velho e querido professor de Direito Civil, José Antônio de Andrade Góes, o Tonho Góes, que nos deixou precocemente, levado pelas agruras de um câncer. Com ele aprendi o prazer da pesca, do manuseio dos molinetes e me aprofundei no gosto pela cerveja gelada nas manhãs quentes das nossas praias, à época desertas. Pescávamos na Coroa do Meio, no Robalo e no Mosqueiro, principalmente. Foi Clériston Batista, com quem eu trabalhava como técnico na Secretaria de Estado da Educaçã...

PARA ONDE VAI A COLUNA SOCIAL? XVIII

                                                                  Antônio Garcia     Jorge Carvalho do Nascimento*     Na década de 50 do século XX, os jornais aracajuanos começaram também a publicar listas com as mais e os mais elegantes, como já faziam os colunistas sociais, principalmente nos jornais do Rio de Janeiro. Alguns colunistas como Carlos Henrique de Carvalho promoviam festas beneficentes, patrocinavam bailes de debutantes, coroavam “rainhas”, organizavam desfiles de modas. A partir de 1954, Bonequinha começou a publicar, em Sergipe, a lista dos dez homens e das dez mulheres mais elegantes do ano. O colunista usava bordões intercalados entre as suas notas: “Agora, bola pra frente, e lá vai mecha”. Para uma mulher figurar na lista das dez mais eram necessários alguns atributos. Não bastava ser...

PARA ONDE VAI A COLUNA SOCIAL? XVII

                                                      Amaury Junior   Jorge Carvalho do Nascimento*     Karla Monteiro e Mário Finotti entrevistaram Amaury Junior, em 2004, para o Observatório da Imprensa. Abordaram a visão que possuem muitos jornalistas quando falam a respeito de uma certa cumplicidade que defendem ser legítima entre o repórter ou o colunista e as suas fontes. Em nome de tal relação, o colunista social Amaury Junior afirmava que o titular de uma coluna sobrevivia à medida que não fechava as portas das suas fontes. “Se você for falar a verdade de todo mundo, se eu abrir a minha boca de verdade, eu posso arrumar minha mala e pegar um avião”, dizia Amaury Junior. A questão da fonte é da maior importância para todos os jornalistas e não apenas para o colunista social. Quase todos são unânimes quanto ao entendimento que norma...

PARA ONDE VAI A COLUNA SOCIAL? XVI

      Jorge Carvalho do Nascimento*     A força que a coluna social ganhou durante a segunda metade do século XX fez com que se refletisse acerca daquilo que os jornalistas deveriam comentar em conversas informais - pautas, informes, suposições -, mas nunca transformar em papel e tinta. Uma simples nota em uma coluna social poderia destruir em um único dia uma reputação que custou anos de trabalho para ser construída. Alguns jornalistas, como o mais famoso colunista social da TV brasileira, Amaury Junior, costumavam dizer que não publicavam fofocas que pudessem prejudicar as pessoas. Para ele, existiam diferentes tipos de fofoca. Em primeiro lugar estava a futrica do bem, aquela que as celebridades não apenas adoravam, como estimulavam, posando para fotos ou até ligando para avisar as redações. Era o tipo revista Caras, para mostrar o esplendor da vida. Do outro lado, existia o mexerico do mal: “Eu não dou notícias que possam desmontar uma pessoa. Se eu abrir a ...

CULTURAS, DIVERSIDADE, ESTRANHAMENTOS

                                                Universidade de Frankfurt     Jorge Carvalho do Nascimento*     A Frau Marx impressionava os estrangeiros que chegavam a Universidade de Frankfurt, na Alemanha, durante a última década do século XX. Cerca de dois metros de altura, personalidade forte, voz tonitruante.  Era a ela que todos se dirigiam ao chegar no poderoso departamento que ela chefiava, uma espécie de imobiliária da Johan Wolfgang Göethe Universität , onde era possível fazer as tratativas para alugar um imóvel, fosse o interessado alemão ou não. O único requisito era estar matriculado naquela instituição universitária. Era o meu primeiro dia no campus da prestigiosa Escola de Frankfurt, onde chegara com uma bolsa sanduiche que me permitiria cumprir parte do programa de Doutorado em História da Educação que fazia na PU...

PARA ONDE VAI A COLUNA SOCIAL? XV

                                                João de Barros, o Barrinhos     Jorge Carvalho do Nascimento*     O jornalista João de Barros inaugurou o colunismo social televisivo em Sergipe, com um programa semanal na TV Atalaia, a partir de 1975. Também na TV, colunistas sociais como Clara Angélica e Pedrito Barreto mantiveram programas no mesmo período. A partir da década de 90 do século XX o número de colunistas sociais com programas na TV cresceu, com as presenças naquele veículo de Márcio Lyncoln e Sacuntala Guimarães. Radialista e jornalista, João de Menezes Barros Filho, o Barrinhos, morreu infartado aos 51 anos de idade, em três de janeiro de 2001. Até morrer fez colunismo social na TV Atalaia, durante 25 anos ininterrupto e era colunista social do Jornal da Cidade. Ligado às artes desde o início da sua carreira, foi um dos fundadores da ...

PARA ONDE VAI A COLUNA SOCIAL? XIV

                                              João de Barros     Jorge Carvalho do Nascimento*     A chegada da primeira dama do colunismo social sergipano ao Jornal da Cidade não turbou a importância de outros colunistas sociais que ali atuavam. João de Barros, até então o nome mais importante do gênero no periódico, celebrou a chegada de Thais Bezerra. “Começamos hoje um tempo novo em nosso Jornal da Cidade. Este Segundo Caderno que era do domingo, passa a circular no sábado, com tudo a que temos direito e com todos os companheiros. Amanhã será a vez da nossa companheira Thais Bezerra. A chegada de Thais Bezerra amanhã pelo Jornal da Cidade, está sendo esperada com muita expectativa, principalmente pelo seu modo descontraído e inteligente de saber promover o rebuliço social em nossa amada terrinha”. João de Barros e Lurdinha Gusmão assinavam as duas co...

PARA ONDE VAI A COLUNA SOCIAL? XIII

    Jorge Carvalho do Nascimento*     Para compreender o sucesso de Thais Bezerra como colunista social é necessário sempre associar a sua condição de jornalista com a sua determinação empreendedora, capacidade que demonstrou desde a adolescência. Em 2005, no dia 14 de setembro, tive a oportunidade de entrevistar a jornalista Thais Bezerra. Foi uma longa conversa em sua residência. Naquela ocasião, a própria Thais revelou esta sua habilidade. “Eu sempre fui uma pessoa determinada, desde pequena. Sempre gostei de crescer, de correr atrás das coisas. Meu pai dava uma mesada para nós, para mim e para minhas irmãs, mas eu não me contentava com a mesada. Eu chegava na garagem dele e o espaço estava cheio de livrinhos que ele já tinha lido. Meu pai comprava centenas de livrinhos de gibi, aqueles livrinhos de bolso, de histórias de cow-boy . Ele lia aqueles livrinhos diariamente, compulsivamente. Eu dizia: posso vender esses livrinhos no sebo? Todo mês eu vendia u...