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PARA ONDE VAI A COLUNA SOCIAL? II

                                José Marques de Melo     Jorge Carvalho do Nascimento*     No jornalismo brasileiro, o conceito de coluna sempre deu margem a diferentes interpretações. Segundo José Marques de Melo, no livro já citado, “Há uma tendência geral para chamar de coluna toda seção fixa. Assim, a coluna abrange, segundo essa noção, o comentário, a crônica e até mesmo a resenha” (p. 139). A origem do conceito de coluna dizia respeito ao modo como os jornais eram diagramados no século XIX e na primeira metade do século XX, com os textos publicados sempre em formato vertical, de cima para baixo, passando, quando era necessário, à coluna vizinha. Principalmente após o advento da técnica do off-set, os jornais adotaram a diagramação em formato horizontal e a palavra seção, em muitos casos, substituía o conceito de coluna. Contudo, a expressão coluna continuou em uso. Segundo Carlos Al...

PARA ONDE VAI A COLUNA SOCIAL?

      Jorge Carvalho do Nascimento*     Já tem algum tempo que percebi haver sido a minha relação com a mídia impressa extremamente distinta do relacionamento das minhas duas filhas para com os mesmos jornais e revistas. Isto sem falar na minha neta. Larinha, agora com 10 anos de idade. Certamente ela nunca sujará as mãos com a tinta de um jornal, do mesmo modo que os seus amigos de geração também estarão distantes de tal experiência. Eles pertencem a era digital. É através das telinhas dos celulares e notebooks que os nascidos a partir de 1980 se divertem, se comunicam e se informam, numa velocidade inimaginável para os da minha geração. Na década de 80 do século passado, aos domingos, eu me postava na porta da Charutaria Chic, na rua João Pessoa, em Aracaju, à espera dos jornais e revistas que chegavam na capital do Estado de Sergipe a partir do meio dia, a bordo dos aviões que haviam decolado pela manhã dos aeroportos do Rio de Janeiro e de São Pa...

A ATA

                                                                    Fernando Nunes   Jorge Carvalho do Nascimento*     Sob a legislação eleitoral da ditadura, no Brasil, tudo se fazia para dificultar o funcionamento do partido da oposição, o Movimento Democrático Brasileiro – MDB. A cada nova lei, mais obstáculos, num tempo em que as pessoas colocavam em risco a sua vida, os seus negócios, a sua família, quando militavam contra o governo. As convenções partidárias tinham que cumprir vários protocolos que eram muito tranquilos para o partido governista , abarrotado de militantes, mas, dificultosos para a oposição, posto que muitos recebiam todo tipo de pressão das lideranças dos seus bairros, do seus municípios, das instituições públicas e privadas nas quais trabalhavam para evitar críticas ao governo. Den...

A COLONIZAÇÃO FRACASSADA

                                                              Hunald Cardoso Jorge Carvalho do Nascimento*   As 22 famílias de colonos alemães que vieram formar a Colônia do Quissamã chegaram a Aracaju no mês de fevereiro de 1924, a bordo do navio a vapor Comandante Miranda. Eram em número de82 os imigrantes que receberam os lotes do Centro Agrícola Epitácio Pessoa. O fato era considerado tão importante que o próprio presidente do Estado, Graccho Cardoso, e o secretário de governo, Hunald Cardoso, estiveram pessoalmente a bordo do navio recebendo os colonos, dando boas vindas e os encaminhando para uma hospedaria na qual estes permaneceram durante oito dias. Na mesma oportunidade foi designado o médico Alexandre Freire para inspecionar as condições de saúde daqueles imigrantes. Ao serem transferidos para a Colônia, recebera...

A COLÔNIA DO QUISSAMÃ

    Campus do IFS - Antiga Fazenda Quissamã - São Cristóvão - Sergipe   Jorge Carvalho do Nascimento*     Ao longo do século XIX foram muitas as discussões registradas em Sergipe acerca da necessidade de mandar trazer colonos europeus. Em 1851, o presidente da Província, Amâncio João Pereira de Andrade, defendia tal proposta, afirmando que a colonização proporcionaria a prosperidade de Sergipe e estimularia a mudança daquilo que ele considerava “costumes bárbaros e ferozes” dos habitantes sergipanos. O Estado de Sergipe criou as condições para o projeto da colônia agrícola formada por europeus a partir do ano de 1894, quando aprovou a lei estadual nº 93, autorizando o governo a aplicar cem contos de réis por ano a fim de concretizar tal objetivo. Afinal, a imigração de estrangeiros era entendida como uma forma de trazer novos hábitos culturais, de difundir o cultivo de outros produtos e técnicas agrícolas e industriais ou, ainda, de acordo com a mentalidade vige...

BIFE A CAVALO

      Jorge Carvalho do Nascimento*     Totonho. Assim era tratado pelos amigos o moreno esbelto, bem vestido, elegante e bom vivant Antônio Tavares. Muito querido, era presença certa nas bem frequentadas mesas dos bares da principal cidade ribeirinha que crescera às margens do rio São Francisco, a antiga vila de Santo Antônio do Urubu de Baixo, a cidade de Propriá. Descendente de uma família propriaense tradicional, bem posicionada do ponto de vista social e também sob a perspectiva econômica na região de todo o Baixo Rio São Francisco. Perseguido politicamente sob a Era Vargas, foi demitido em Sergipe, pelo interventor Eronildes Ferreira de Carvalho, do cobiçado emprego público de exator. Nada mais natural que com o fim da Era Vargas, ele fosse um dos primeiros a se filiar no diretório sergipano da União Democrática Nacional, a UDN, o partido que cresceu fazendo oposição ao Partido Social Democrático, o PSD. Com a chegada do líder udenista Leand...

A CÂMARA MUNICIPAL DE ARACAJU

                                                                      Olímpio Campos     Jorge Carvalho do Nascimento*     A Câmara de Vereadores de Aracaju foi criada no mesmo ano em que o Presidente da Província de Sergipe, Inácio Barbosa, transferiu a capital de São Cristóvão para Aracaju. Quando aconteceu a transferência, o Brasil era uma nação independente na qual vigorava a Constituição do Império. O artigo 167 daquela Carta estabelecia: “ Em todas as cidades e vilas ora existentes, e nas mais que para o futuro se criarem, haverá câmaras, às quais compete o governo econômico e municipal das mesmas cidades e vilas”. As câmaras municipais eram eletivas e o número de vereadores de cada uma delas definido em lei, cabendo a presidência ao mais votado. A História do Poder Legislativo...

A CADEIRA DE INGLÊS

      Jorge Carvalho do Nascimento*     Apesar de o Atheneu Sergipense, instalado em 1871, haver realizado o seu primeiro concurso público para o cargo de Lente no ano de 1875, os dois professores que dele participaram e obtiveram aprovação já integravam a sua Congregação: Pedro Oliveira de Andrade, na Cadeira de Geometria, e José João de Araújo Lima, na Cadeira de História Universal. Em 1877, aconteceu pela primeira vez no Atheneu um concurso que admitiu ao cargo de Lente um professor que não pertencia ao seu corpo docente: Alfredo de Siqueira Montes, na Cadeira de Inglês. Ascendino Ângelo dos Reis, Raphael Archanjo de Moura Mattos e Pedro Oliveira de Andrade integraram a banca examinadora, que decidiu por uma lista de dezessete pontos para que os candidatos pudessem elaborar, num prazo de quinze dias, a tese que, obrigatoriamente, deveria ser apresentada por cada postulante, nos termos definidos pelo Regimento que vigorou a partir do início do mesm...

NOTAS PARA UMA HISTÓRIA DA BOTÂNICA VI

      Jorge Carvalho do Nascimento     Para Antônio Moniz de Souza era possível praticar a agricultura e cultivar a terra sem recorrer aos incêndios das florestas. Era possível produzir o mel e a cera e extraí-lo racionalmente, sem agredir as abelhas. Com os recursos limitados do período em que viveu, desenvolveu a pesquisa e Botânica em deixou suas inúmeras contribuições registradas nos trabalhos que publicou, todos aqui já citados. Em Sergipe, vamos voltar a encontrar registros de preocupações com a Botânica no início do século XX. O governo do Estado demonstrou uma preocupação maior com a pesquisa Botânica naquele período. Em 1915 foi criada a Inspetoria de Água, Esgotos e Horto Botânico. Na década de 30, a Botânica era disciplina que os estudantes aprendiam no ensino secundário em instituições escolares como o Atheneu Pedro II. Naquele período, o professor Oscar Nascimento era catedrático de Botânica e Zoologia. Em 1945, após a criação do Posto...

O CARVALHO

    Jorge Carvalho do Nascimento*   Velhos tempos, dias não tão belos. A autoridade do professor era absoluta e inquestionável, mesmo nas faculdades e em meio a rebeldia do movimento estudantil que lutava aguerrido e buscava por todos os modos resistir a ditadura militar. A luta era contra a ditadura, mas o saber docente era inquestionável. O provecto monsenhor Fernando Novaes de Alencar, titular da cadeira de Direito Romano, expressava com perfeição a indiscutível autoridade docente quando fazia a primeira arguição para avaliar os seus alunos do primeiro ano e indagava: “Meu futuro doutor, como se deu a queda do Império Romano?” Antes que o noviço estudante, nervoso e arfante articulasse a primeira palavra da sua resposta, intervinha, soberbo: “A cátedra pergunta e a cátedra responde. Menos violenta do que se esperava”. A nota que seria atribuída ao arguido era o de menos. O monsenhor arbitraria e ninguém seria capaz de divergir. Foi este o mundo no qual João C...