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O PARQUE DA SEMENTEIRA E O ANTIGO TECARMO

                                              Capivaras - Antigo Tecarmo - Petrobrás     Jorge Carvalho do Nascimento*     A cidade de Aracaju é já uma provecta senhora de 165 anos. Mas, ainda necessita resolver problemas que dizem respeito ao conjunto de relações sociais estabelecidas no espaço urbano da capital do Estado de Sergipe. Problemas anotados desde a metade dos anos 50 do século XIX, quando a cidade foi fundada por Inácio Barbosa para ser a capital da Província e que persistem até agora, quando ostenta a condição atual de metrópole conurbada. Um espaço seletivo, no qual as diferentes áreas, cada um dos bairros possui equipamentos urbanos distintos, algumas regiões guardando práticas que nem sempre são condizentes com os hábitos sociais mais contemporâneos. Cada espaço com características próprias ao processo da sua expansão, com múltiplas vari...

OS 150 ANOS DO CONCÍLIO DO VATICANO E OS 110 ANOS DA DIOCESE DE ARACAJU

                                                Papa Pio IX Jorge Carvalho do Nascimento*     Não sou exatamente o que se possa considerar um militante da fé católica, mas no catolicismo fui batizado e pela minha avó materna prometido para o sacerdócio. Como já confessei em outras ocasiões, terminei frustrando a promessa de Dona Petrina. Contudo, tenho o hábito de prestar muita atenção nas datas e fatos que considero relevantes para o catolicismo e para o protestantismo. Como observador, me chamou a atenção o fato de não ter visto grandes celebrações por parte da Cúria Romana para marcar os 150 anos de encerramento do Concílio do Vaticano. O conclave foi instalado em dezembro de 1869 e encerrado em outubro de 1870. Convocado pelo Papa Pio IX como reação ao Racionalismo e ao Galicanismo que se expandiram durante a segunda metade do século XIX, expressava a pre...

OS INTELECTUAIS DO SÉCULO XIX

                                              Eugênia Andrade     Jorge Carvalho do Nascimento*     A historiadora Eugênia Andrade Vieira da Silva estudou a formação da elite intelectual em Sergipe no período de 1822 a 1889. A partir do seu trabalho é possível afirmar que inicialmente a elite intelectual sergipana obtinha formação acadêmica no exterior. Contudo, até a metade daquela centúria, a maior parte dos portadores de diploma de graduação já era oriunda das faculdades de Medicina da Bahia e do Rio de Janeiro e dos cursos jurídicos de Olinda e São Paulo, além das escolas militares e dos seminários. O crescimento da produção açucareira em Sergipe e as outras necessidades de organização da Província estimularam a demanda por escolas superiores do Brasil e da Europa, durante toda a primeira metade do século XIX, fenômeno que persistiu também na segunda...

A MULHER VAI À ESCOLA

      Jorge Carvalho do Nascimento*     É possível afirmar que desde a fundação da cidade de Aracaju, em 1855, até o terceiro quartel do século XX, a educação feminina buscou primordialmente difundir junto às mulheres padrões europeus de refinamento civilizatório. Ao longo da vigésima centúria, disciplinas como Moral e Cívica priorizavam o ensinamento das coisas práticas da vida que a mulher tinha necessidade de compreender, tais como os modos adequados de sentar, falar, servir e servir-se à mesa. A preocupação central era com a etiqueta, com a arte de portar-se bem. Apesar do crescimento do número de escolas femininas ao longo das últimas décadas do período do Império, mesmo com a implantação de escolas mistas, era muito frequente nos discursos oficiais daquele período a afirmação de que as mulheres deveriam ser mais educadas do que instruídas. Tais ideias estão presentes em um importante artigo da pesquisadora Guacira Lopes Louro: “Mulheres na Sa...

DA DEFESA DA HONRA AO ESTUPRO CULPOSO: O QUE MUDOU?

      Jorge Carvalho do Nascimento*     A Praia dos Ossos, em Armação de Búzios, no litoral do Estado do Rio de Janeiro, fica a 1295 quilômetros de distância da Praia de Jurerê Internacional, em Florianópolis, no Estado de Santa Catarina. É de 42 anos a distância no tempo entre o crime cometido por Doca Street, em 1976, e o crime cometido em 2018 por André de Camargo Aranha. Em 1976 o Brasil vivia a plenitude de uma ditadura, não era dado aos cidadãos escolher através do voto os prefeitos das capitais, os governadores dos Estado e tampouco o presidente da República. Nas eleições que ocorreriam dois anos depois, em 1978, um terço do Senado Federal seria escolhido indiretamente, dando assento e poder no parlamento à esdrúxula figura do agente público que passou à história como “senador biônico”. Naquele período, a moda feminina estava marcada pela influência do movimento hippie que criava peças como vestidos, calças boca de sino e levava as mulheres ...

NOVA CONTRIBUIÇÃO À HISTÓRIA DA TELEFONIA EM SERGIPE

                                              Usina Castelo     Jorge Carvalho do Nascimento*     Depois da publicação do meu recente texto a respeito da implantação em 1929 da telefonia na vila de Muribeca, alguns amigos me procuraram para oferecer informações e fontes a respeito de uma possível história da telefonia em Sergipe. Uma das melhores contribuições que eu recebi foi do economista e pesquisador de História Luiz Fernando Ribeiro Soutello, membro da Academia Sergipana de Letras. Mantive duas boas conversas com Soutello, ao telefone, sobre o assunto e recebi dele dois e-mails, ricos em informações. Luiz Fernando localizou dentre os documentos que pertenceram ao seu pai, o engenheiro eletricista Antônio Ribeiro Soutello, uma pasta rica em registros que contribuem para, ao lado de outras fontes, compor um mosaico indiciário que possibilita dar sent...

PARA ONDE VAI A COLUNA SOCIAL? XXVI

                                            Luiz Daniel Baronto                                                    Jorge Carvalho do Nascimento*     A década de 70 do século XX possibilitou aos jornalistas dedicados ao trabalho do colunismo social uma maior valorização e também permitiu que se intensificasse uma outra característica muito presente nesse gênero de jornalismo: a formação de equipes de colaboradores que ajudavam na elaboração da coluna. Todavia, até a década de 1960 ainda não era prática corrente o trabalho em equipe. O jornalista Luiz Daniel Baronto, um dos mais influentes dentre os colunistas sociais que atuaram em Sergipe na década de 1960, afirma que havia vários obstáculos ao trabalho em equipe, a começar pela es...

MURIBECA, A TELEFONIA E A HISTÓRIA DE SERGIPE

      Jorge Carvalho do Nascimento*     Desde que iniciei a minha atividade como professor universitário até agora, frequentemente sou procurado por estudantes de diferentes cursos de graduação na área de humanidades, alunos de cursos de especialização, estudantes de mestrado e doutorandos em busca de objetos de estudo que contemplem a vida da sociedade sergipana. Os que chegam argumentam que há muito pouco a estudar em Sergipe. Alegam a dificuldade em localizar temas e recortar objetos ainda não estudados. A vida de professor e orientador de monografias, dissertações e teses me levou a organizar uma lista de temas que debato com os interessados. A partir dela já foram produzidos inúmeros trabalhos. Os temas sempre aparecem casualmente, decorrência dos estudos e leituras que faço ou de outras pesquisas que desenvolvo. Quando isto ocorre, eles são listados no rol de temas e objetos próprios à História de Sergipe que guardo com muito cuidado e que termina sendo mu...

O PADRE E A PESQUISA EDUCACIONAL

  Jorge Carvalho do Nascimento*     O Padre José Lima Santana é um intelectual plúrimo. Se ordenou sacerdote na maturidade, depois de haver cumprido uma bem sucedida carreira como professor, advogado, gestor público e escritor. Membro da Academia Sergipana de Letras, foi secretário de Estado em Sergipe e secretário municipal em Aracaju, em diferentes pastas e distintos períodos. Demonstrou sua capacidade como gestor dirigindo escolas e também atuando na gestão central da Campanha Nacional de Escolas da Comunidade – CNEC, onde se iniciou profissionalmente como professor. Trabalhou no Ginásio de Nossa Senhora das Dores, a sua cidade natal. Dentre outras responsabilidades de gestor, foi secretário de Estado da Saúde de Sergipe, presidiu a Companhia de Saneamento do Estado – Deso, foi Superintendente dos Transportes do município de Aracaju, além de presidir a Empresa Municipal de Obras e Urbanismo – Emurb e também a Empresa Municipal de Serviços Urbanos – Emsurb. Agora, como ...

PARA ONDE VAI A COLUNA SOCIAL? XXV

      Jorge Carvalho do Nascimento*     O jornalista Luiz Daniel Baronto chamou a atenção, em depoimento ao autor deste texto, para uma característica do colunismo social em Sergipe que vigorou até o final da década de 60 do século XX: o amadorismo. Praticamente as formas de remunerar o trabalho de quem escrevia coluna social eram simbólicas. Alguns jornalistas trabalhavam voluntariamente, assumindo a responsabilidade por esse tipo de atividade. De acordo com Baronto, “naquele tempo nem passava pela cabeça de um colunista da época ganhar qualquer coisa escrevendo. Nós não tínhamos nem carteira profissional assinada. Nem éramos pagos para fazer a coluna social. Nós fazíamos por diletantismo, gostávamos de fazer, mas não ganhávamos nada”. A coluna social somente se transformaria em um negócio rentável a partir da década de 1970. Alguns jornalistas tiveram competência para negociar com os donos de jornal e fazer com que se elevassem os resultados econômicos da ativ...