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QUANDO CONCLUÍAM O PRIMEIRO GRAU OS ESTUDANTES INGRESSAVAM NO MERCADO DE TRABALHO

EVFERALDO E O ENSINO DE SEGUNDO GRAU

                                                Colégio Murilo Braga - Itabaiana - 1975   Jorge Carvalho do Nascimento     A análise da política educacional sob a ditadura militar impõe a apropriação de informações e um domínio do fazer historiográfico que ultrapassa a simples manifestação de vontade subordinada ao conjunto de valores próprios à posição política de cada analista. Esse tipo de análise impõe disposição e capacidade de compreender que esta política foi uma das mais importantes estratégias de legitimação, dentre as várias utilizadas pelos governos ditatoriais, para convencer a população brasileira da importância e do compromisso do seu projeto para a sociedade. Mesmo quando isto desagrada e desautoriza o discurso fácil da história militante. Com a lei 5.692/71, foi possível mudar muito o panorama da oferta de vagas no ensino de segundo grau....
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EVERALDO E A MUNICIPALIZAÇÃO DO ENSINO DE PRIMEIRO GRAU

                                                André Mesquita Medeiros   Jorge Carvalho do Nascimento     A historiografia sobre a última ditadura militar brasileira consagrou a imagem dos militares como “gorilas” à medida que estes perdiam popularidade e legitimidade. “Os derrotados de ontem, na luta aberta, podem ser os vitoriosos de amanhã, na memória coletiva” (REIS, 2004, 30). Todavia, é fundamental lembrar que a deposição do presidente João Goulart foi obra não apenas dos militares e do capital nacional e estrangeiro, mas também das multidões lideradas por executivos e parlamentares da UDN e do PSD acostumados à consagração através do voto popular e de multidões reunidas por setores conservadores da Igreja Católica em torno de movimentos como a “Marcha com Deus, pela família e pela liberdade”. Quando são tomados os números referentes à matrícula d...

EVERALDO E A REFORMA DO ENSINO DE PRIMEIRO GRAU

                                                  Antônio Dantas de Oliveira   Jorge Carvalho do Nascimento     A memória, como é sabido, revela, mas também silencia. “Não raro, é arbitrária, oculta evidências relevantes, e se compraz em alterar e modificar acontecimentos e fatos cruciais. Acuada, dissimula, manhosa, ou engana, traiçoeira” (REIS, 2004, 29). Nas interpretações sobre o passado, de um modo geral, a memória se faz e se reconstrói para atender a questionamentos novos, a inquietações e novos modos de abordagem que inexistiam no momento mesmo em que os fatos se impuseram. É necessário afirmar que muitas das interpretações acerca do regime ditatorial inaugurado em 1964 foram produzidas a posteriori, no processo de construção da imagem dos heróis que combateram os usurpadores do poder. As décadas de 1960 e 1970 foram férteis em iniciativas i...

A GRAMÁTICA, O MAL E O MAU

  Jorge Carvalho do Nascimento     Ao menos três razões mais visíveis fazem com que muitas pessoas confundam o uso das palavras MAL com L e MAU com U. É muito comum na Língua Portuguesa esse tipo de confusão, até mesmo entre pessoas que escrevem habitualmente. A homofonia, a pronúncia idêntica das duas palavras, faz com que algumas pessoas descuidadas façam tal confusão habitualmente. O fato de as duas palavras possuírem o mesmo som no sotaque da maior parte das regiões do Brasil pode provocar tal confusão. Quase sempre na palavra MAL o L soa como U. Bons exemplos são as palavras SAL e BRASIL. Em tais casos, falando é praticamente impossível distinguir qual é a grafia correta. Por isto, muitos são tomados pela incerteza no momento em que precisam escrever corretamente. Uma boa exceção é o português falado no estado do Rio Grande do Sul e em alguns municípios dos estados de Santa Catarina e do Paraná, onde o L é pronunciado com a língua colada ao palato, o conhecido céu da...

EVERALDO, ANTÔNIO DANTAS E A EDUCAÇÃO PRÉ-ESCOLAR

  Jorge Carvalho do Nascimento     Depois do golpe militar de 1964, um dos focos da ação dos gestores do estado brasileiro foi a reforma do ensino. A pedra de toque foi a aprovação da lei 5692, em 1971, criando o ensino de primeiro e segundo graus, tornando obrigatória a escolarização mínima de oito anos, abolindo os cursos primário, ginasial e científico e extinguindo assim os velhos exames de admissão ao ginásio. A abolição dos exames de admissão foi um avanço muito grande para a sociedade brasileira, principalmente para os filhos das famílias mais pobres. Os exames, aos quais os estudantes eram normalmente submetidos por volta dos 11 anos de idade, eram uma forma de seletividade que barravam a continuidade dos estudos para os meninos filhos de famílias com menor poder aquisitivo e com menos acesso a aprendizagem. A reprovação naquele momento significava a entrada precoce no mercado de trabalho, como trabalhador menor, fazendo com que aqueles que não tinham poder aquisi...

EVERALDO E A CASA ROSADA

  Jorge Carvalho do Nascimento     Logo após assumir o cargo de secretário da educação e cultura do estado de Sergipe, em 1975, Everaldo Aragão Prado resolveu transferir a sede administrativa da secretaria para o edifício do Atheneu Pedro II, o antigo Atheneuzino, localizado na avenida Ivo do Prado, 398, em Aracaju. A secretaria funcionou até o final do governo Paulo Barreto de Menezes, sob a gestão do professor João Cardoso do Nascimento Junior, no edifício Walter Franco, localizado na praça Fausto Cardoso. Todavia, a estrutura da secretaria havia crescido e as instalações não eram mais adequadas. O prédio que abrigou a sede da secretaria a partir de 1975 foi construído especificamente para sediar o colégio Atheneu Pedro II. O edifício do Atheneuzinho é um importante exemplar do patrimônio histórico e arquitetônico de Sergipe. Atualmente no local funciona o Museu da Gente Sergipana. Erguido por iniciativa de Maurício Graccho Cardoso, presidente do estado de Sergipe entre...

EVERALDO E A REFORMA ADMINISTRATIVA DA SECRETARIA DA EDUCAÇÃO E CULTURA

  Jorge Carvalho do Nascimento     Os autores que estudaram os anos que se seguiram ao golpe militar de 1964 construíram uma história de anjos e demônios, satanizando liminarmente todas as iniciativas dos governos ditatoriais, afastando definitivamente qualquer possibilidade de ter havido algum acerto por parte destes. É evidente que o período iniciado em 1964 representa a inauguração de uma ditadura cruenta. Contudo, isto não autoriza qualquer intérprete a negar as mudanças que ocorreram, promovendo transformações que não podem ser ocultadas pelas artimanhas da memória, que é sempre seletiva. Parte significativa da historiografia que estudou a constituição e o desenvolvimento da política educacional da ditadura, o fez estabelecendo uma relação direta e automática entre o estado autoritário e a sua Doutrina de Segurança Nacional . Tais estudos revelam que a repressão atingiu escolas, professores e estudantes, proibindo quaisquer manifestações de caráter político. Tais int...

A EQUIPE DE EVERALDO E A PLURALIDADE IDEOLÓGICA

                                                Luiz Antônio Barreto   Jorge Carvalho do Nascimento     As análises da política educacional implementada no Brasil durante vinte anos, a partir de 1964, necessitam renunciar a um certo maniqueísmo que prioriza apenas as denúncias das mazelas e produz o esquecimento de alterações fundamentais no sentido da expansão e qualificação dos serviços oferecidos no ensino de primeiro e segundo graus e no ensino superior, sob padrões que até então o país desconhecia. É comum que tais análises evidenciem apenas o caráter da anomalia política do regime, das alterações na estrutura econômica e social das relações capitalistas brasileiras, além de recorrer abusivamente a pedagogismos filosóficos, viciando a interpretação. Da mesma maneira, é necessário entender que nem todos os técnicos que atuaram como gestores do serviç...

REFLEXÕES SOBRE A HISTÓRIA DO ENSINO DA MATEMÁTICA EM SERGIPE – PARTE 12

                                                  Luiz Antônio Barreto   Jorge Carvalho do Nascimento     Quem primeiro arguiu a possibilidade de criar o Programa de Qualificação Docente – PQD foi o então secretário de estado da educação de Sergipe, Luiz Antônio Barreto. Como gestor público da política educacional sergipana, ele buscou o reitor da Universidade Federal de Sergipe, José Fernandes de Lima, que assumiu a proposta e passou a defende-la juntamente aos professores, aos departamentos e aos órgãos colegiados da UFS. Houve uma resistência significativa e organizada de professores da Universidade Federal de Sergipe contra a criação do Programa de Qualificação Docente. A resistência dos professores estava centrada em questionamentos sobre a qualidade da formação e as implicações institucionais do programa. O principal receio acadêmico era de qu...

EVERALDO ARAGÃO PRADO, JOSÉ ROLLEMBERG LEITE E UM ESPÓLIO CINQUENTENÁRIO

                                                Everaldo Aragão Prado   Jorge Carvalho do Nascimento     A morte do professor e economista Everaldo Aragão Prado ocorrida no último dia 20 de setembro de 2025 me fez recordar um artigo que publiquei em 2005 sob o título “Misérias e Grandezas da Política Educacional Sob a Ditadura Militar”. Este ano de 2025 marca os 50 anos da posse de Everaldo como secretário da educação e cultura do estado de Sergipe, durante o governo José Rollemberg Leite. Em 1975, o Brasil tinha como presidente da República o general Ernesto Geisel, o quarto general-ditador a assumir a chefia do poder executivo no país depois do golpe militar de 1964. Os governadores dos estados eram uma espécie de delegados do presidente da República, escolhidos pessoalmente por ele e submetidos ao colégio eleitoral especial formado em cada estado pelo...