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O LEGADO SERÁ SEMPRE POSITIVO

O LEGADO DE DARCY VARGAS: DO ASSISTENCIALISMO DE ONTEM ÀS BOLSAS DE HOJE*

                                                      Nilson Socorro     Nilson Socorro**   Se não tivesse tido seu fim decretado numa das primeiras canetadas do então presidente Fernando Henrique Cardoso, logo após a posse, no primeiro mandato, em 1º de janeiro de 1995, a Legião Brasileira de Assistência – LBA - estaria hoje completando 83 anos. Criada em 28 de agosto de 1942, pela então primeira-dama do País, Dona Darcy Vargas, esposa do presidente Getúlio Vargas, para amparo as famílias dos soldados brasileiros que nos campos de batalha da Europa, lutavam na Segunda Guerra Mundial. Nascida na guerra, a LBA continuou na paz, sem dar trégua a motivação do nascedouro: a assistência social a família, em especial, as mulheres e as crianças.   Nesse contexto, e ao longo dos 52 anos de existência, se consolidou como a principal ...
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O TABU DE MATHEUS BATALHA

    Jorge Carvalho do Nascimento     As adversidades não podem sufocar o amor.  Todavia, é muito difícil evitar a autocensura e a autoamputação sentimental quando o infortúnio nos bate à porta. Este é o foco que move o discurso ficcional de Matheus Batalha em TABU, o seu primeiro romance, ambientado na década de 70 do século XX, em Sergipe, sob a plenitude efervescente da ditadura militar que sufocou o Brasil durante 20 anos, a partir de 1964. Matheus nos conta a história de uma mulher corajosa que ama a liberdade, ama a vida, ama as pessoas Conheço o escritor Matheus Batalha desde sempre. Fui amigo do seu pai, já falecido, o músico Alberto Teixeira Nery. Agora, aos 44 anos de idade, Matheus é escritor e professor do Departamento de Educação da Universidade Federal de Sergipe. Doutor em Psicologia pela Universidade Federal da Bahia, o escritor foi premiado pelo Fundo de Inovação da Casa Branca, nos Estados Unidos da América, e trabalhou como Professor Visitante ...

MIGUEL DE UNAMUNO E A PROVA DA UFS

                                                            Miguel de Unamuno       Jorge Carvalho do Nascimento     História é ciência dedicada a estudar aquilo que aconteceu, o que efetivamente foi vivido pelos humanos. Nunca é demais lembrar que é com os olhos voltados para as coisas que efetivamente aconteceram que somos capazes de explicar e dar sentido à vida. O porvir ainda não aconteceu e não sabemos se irá acontecer, posto que a incerteza da morte nos está posta desde o momento no qual abrimos os olhos para a vida. O que denominamos de presente é um átimo que se torna passado a cada momento vivido. O entendimento de todas as dimensões da vida, da condição humana, da economia, dos afetos, das práticas culturais, das relações familiares, da organização da sociedade, da política, tudo isto é dado pela fantást...

A CIDADE OCEÂNICA DE GODOFREDO DINIZ

  Jorge Carvalho do Nascimento     Ninguém duvida que a inauguração, em 1994, do Campus da Universidade Tiradentes no Conjunto Augusto Franco foi um grande indutor do desenvolvimento urbano daquela região, possibilitando a criação do bairro Farolândia, agora um privilegiado espaço residencial da cidade de Aracaju. Ao criar um Campus Universitário na área do Conjunto Augusto Franco, a Unit, realizou o sonho sonhado por um dos mais importantes dentre os prefeitos de Aracaju, Godofredo Diniz Gonçalves, que por duas vezes chefiou o poder executivo da capital do Estado de Sergipe. No dia 10 de julho de 1965, quando exercia o seu segundo mandato na Prefeitura, Godofredo anunciou as tratativas que vinha mantendo com o Ministério da Marinha para a construção da Cidade Oceânica, na região denominada Costa Funda, nos arredores do Farol da Atalaia Velha. Prefeito de Aracaju em dois mandatos, Godofredo sempre teve consciência de que a cidade de Aracaju se expandiria em direção à Prai...

DR. PAÇOCA, O ESCULÁPIO

  Jorge Carvalho do Nascimento     Miguel Ferreira Lopes era o verdadeiro nome do Dr. Paçoca. O prosaico apelido ele recebeu em 1952, em Salvador, quando cursava o segundo ano da prestigiosa Faculdade de Medicina da Bahia e foi atropelado ao sair completamente bêbado, as duas da madrugada, do conhecido Cabaré Tabaris, na rua Chile. Ao volante do Plymouth 51 preto responsável pelo atropelamento estava o Dr. Martins Fernandes, seu professor de Histologia. Como o estudante, o mestre também acabara de sair de uma noitada de orgias no Tabaris, onde consumira alentadas doses de conhaque, a sua bebida predileta. O mestre reconheceu o discípulo vítima do atropelamento. Desceu do carro, apanhou o estudante em seus braços, o acomodou no banco traseiro e seguiu para o novo e bem equipado Hospital das Clínicas, inaugurado em 1948. O estado de saúde do estudante Miguel não era dos melhores. Chegou ao nosocômio desacordado, o que fez com que os médicos que o atenderam suspeitassem da p...

O NARRADOR, A FICÇÃO, A VIDA REAL

  Jorge Carvalho do Nascimento   Os talentos de José Vasconcelos do Anjos, o Zeza, vieram bem embalados pelo manto da discrição. Pouco se sabe sobre o seu entusiasmo de pianista, artista plástico e gourmet. O piano foi o instrumento musical ao qual se dedicou desde a infância. É grande o encantamento que ele possui pelo jazz e pelo blues, certamente aprimorado durante a temporada juvenil que viveu nos Estados Unidos da América. De volta a Aracaju, estudou Medicina na Universidade Federal de Sergipe. Médico do trabalho e homeopata qualificado, angariou o respeito dos colegas e daqueles que necessitavam dos seus serviços profissionais. Exerceu a profissão com zelo e competência, conquistou pacientes que lhes foram fiéis. Diariamente, exerceu a clínica por mais de 30 anos, até se aposentar. Durante a infância escreveu poemas e como estudante universitário começou a sua atividade de contista, participando de alguns concursos literários nos quais foi finalista. À medida que se apro...

HOMENAGEM A CARLOS MONARCCHA

    Jorge Carvalho do Nascimento     Quando eu ingressei na Pontifícia Universidade Católica – PUC de São Paulo, em 1983, iniciando o Mestrado em Filosofia da Educação, quatro colegas chamavam a atenção de toda turma pelo brilho das posições que assumiam: Paulo Ghiraldelli Junior, Luiz Carlos Barreira, Lino Castellani Filho e Carlos Roberto da Silva Monarccha. Os quatro se transformaram em influentes estudiosos e pesquisadores da Educação brasileira. Um deles, Paulo Ghiraldelli, se desgarrou das reflexões educacionais e ampliou os seus horizontes pelo campo da Filosofia e da Ciência Política. Ocupou significativo espaço nas redes da internet quando os blogs se transformaram em espaço de comunicação relevante. Luiz Carlos Barreira fez uma carreira competente como professor e pesquisador. Lino Castellani, a partir da sua posição de professor e pesquisador da Universidade Estadual de Campinas – Unicamp, exerceu grande influência no campo da História da Educação Física n...

A MORTE E A MORTE DO MONSENHOR CARVALHO

  Jorge Carvalho do Nascimento     Os humanos costumam fugir da única certeza que a vida nos possibilita: a morte. É ela que efetivamente realiza a lógica da vida. Vivemos para morrer. O problema que se põe para todos nós diz respeito a como morrer. A minha vida, a das pessoas que eu amo, a daqueles que não gostam de mim e dos que eu não aprecio vai acabar. Morreremos. Podemos mitologizar a morte, encontrar uma vida eterna no Hades. Pouco importa se a vida espiritual nos reserva o paraíso ou o inferno. Passaremos pela putrefação da carne ou pelo processo de cremação. O resultado será o mesmo - retornar ao pó. O maior de todos os problemas é o do desembarque. Transformamo-nos em pessoas que interagem menos e gradualmente perdemos a sensibilidade dos afetos. A decadência é dolorosa para os amigos que ficam, do mesmo modo que para os velhos quando são deixados sozinhos. Isolar precocemente os velhos e enfermos é fato recorrente, próprio da fragilidade e das mazelas da socied...

O CHOQUE

  Jorge Carvalho do Nascimento     Aos 42 anos de idade, Vilson ainda estava em plena forma, com sua atividade hormonal fervilhando. Buliçoso, inteligente, bom papo, era uma espécie de come quieto. De mansinho, vivia assediando as mulheres com inteligência. Sensível e sonso, fingia não ter interesse pela fornicação, buscando sempre se apresentar como aquele bom amigo com o qual as pessoas podem se abrir. Professor da Universidade Federal do Vale do Japaratuba – Univaj, passava os dias na sua sala recebendo alunos, alunas, colegas professores e colegas professoras. Com fama de homem equilibrado e estudioso, experiente em pesquisa e na gestão universitária, Vilson já havia passado por diferentes posições no serviço público federal, estadual e municipal, em Japaratuba, Aracaju, Capela, Viçosa (Minas Gerais), Natal (Rio Grande do Norte), Rio de Janeiro, São Paulo e Brasília. Era economista conceituado e com boa reputação como autor de projetos acadêmicos, sempre aprovados por...

VITA BREVIS – AGORA, NILZO LIMA

                                                         Jorge Carvalho do Nascimento     Na semana que acaba de se encerrar uma amiga que acompanha minhas publicações nas redes sociais comentou comigo que os meus textos viraram um obituário permanente. No primeiro momento eu fiquei chocado com o comentário. Logo depois, relaxei e me dei conta que, de fato, eu sou um sexagenário. Não tem como negar, vai ficar pior. Ter mais de 60 anos de idade significa perder amigos. A gente perde amigos porque a idade tende a nos fazer intolerantes, intolerantes angustiados. O calor das ideias e do temperamento que nos evolvia em discussões juvenis são trocados pela racionalidade que busca uma harmonia que nos faz enfadonhos. A nossa conversa fica cada vez mais chata, mais repetitiva. Com sua impulsividade e seus hormônios fervilhantes, os mais jove...