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LIÇÕES DE CIVILIDADE: O COMPÊNDIO DOS PADRES SALESIANOS

      Jorge Carvalho do Nascimento*     O savoir vivre não é invenção isolada de quem quer que seja. As boas maneiras que a aristocracia ocidental do século XVI incorporou resultam da aglutinação de padrões de comportamento observáveis em elementos de origem social diversificada, em face do progresso econômico que as camadas médias da sociedade começaram a experimentar - fato que ganharia transparência no século XVIII. O clero ficou bastante entusiasmado com a incorporação de vários padrões de comportamento e foi, a partir do século XVIII, um grande agrupamento social que se dedicou a divulgar os costumes da corte. A Igreja via nos novos hábitos mecanismos que se prestavam ao controle das emoções, a disciplinar o comportamento e que traziam para o catolicismo aquilo que se desenvolvera como fenômenos seculares. Com isto, a civilidade incorporou alicerces cristãos e foi, cada vez mais, um padrão desejado e imposto a extratos sociais menos privi...

QUANDO A ANGÚSTIA DECOLA

      Jorge Carvalho do Nascimento*     Rosivaldo do Nascimento é professor universitário, empresário e um criativo e inquieto intelectual com especial gosto pela poesia. Acabei de ler da sua autoria FLAGRANTES: POEMAS EM BUSCA DE UM ALVO. Sergipano nascido na cidade de Salgado, o autor é vanguardista e participou de diversificadas agitações no campo da poesia, ao lado de poetas reconhecidos como Maruze Reis, Iara Vieira, Ronaldson, Araripe Coutinho e tantos outros. O livro de Rosivaldo tem contracapa assinada por Joselito Miranda de Souza, além de apresentação, prefácio e comentários de Taylane Cruz, César Romero, Agnis Juliete Rezende do Nascimento e Ewerton Santana do Nascimento. Utilizando a tecnologia de internet das coisas, Rosivaldo premia o leitor com surpresas que são descobertas em um QR Code que existe ao final de cada poema. Publicado pela Editora Artner Comunicação, contém 42 poemas que nos revelam um Rosivaldo pouco conhecido. Um quas...

PARA ONDE VAI A COLUNA SOCIAL? - XXXIII

                                                                Anderson Nascimento     Jorge Carvalho do Nascimento*     Na década de 60 do século XX, a coluna social vivia o seu período áureo. Naquela época, as pessoas buscavam meios de ser citadas pelos colunistas sociais, conforme revela o jornalista Anderson Nascimento. “Você via a alegria das pessoas quando se encontravam com você na rua e você tinha noticiado alguma coisa que havia se passado com aquela pessoa ou algum acontecimento que estava por vir”. Anderson afirma que o prestígio da coluna social formava opinião e influenciava decisões de governo. “Eu lembro exatamente de um momento assim de alegria de uma pessoa que estava sendo, como de fato foi incluída em uma lista tríplice para desembargador. Essa pessoa foi o desembargador escolhido a partir ...

PARA ONDE VAI A COLUNA SOCIAL? - XXXII

                                              Anderson Nascimento     Jorge Carvalho do Nascimento*     José Anderson Nascimento estreou como colunista social no dia primeiro de dezembro de 1963, quando o jornal Gazeta de Sergipe circulou pela primeira vez com oito páginas que marcaram diariamente a sua edição a partir daquela data. No novo formato do jornal apareceu a coluna social assinada por Anderson: Background. De acordo com depoimento do próprio Anderson, sua aproximação com a Gazeta de Sergipe foi possibilitada pelo fato de ele haver trabalhado no Gabinete do então prefeito de Aracaju, Godofredo Diniz, juntamente com o jornalista Nino Porto, que atuava como repórter da Gazeta. Nino era também jornalista no Gabinete do chefe do Poder Executivo municipal. O repórter era muito ligado ao jornalista Pascoal Maynard, redator-chefe da Gazeta de Sergipe....

BERNARDINO, ANDERSON E O PAU-BRASIL

      Jorge Carvalho do Nascimento*     José Anderson Nascimento é o ocupante da cadeira 20 e presidente da Academia Sergipana de Letras. Estreou como escritor publicando um trabalho sobre o patrimônio arquitetônico do Estado de Sergipe (Sergipe D’El Rey - 1979) e também voltou ao tema quando publicou Sergipe e Seus Monumento (1981). Além disto, a sua trajetória intelectual como escritor, membro da Academia de Letras, gestor da cultura e agitador cultural esteve sempre marcada pela defesa do patrimônio material e imaterial. Agora, Anderson Nascimento retomou o debate sobre o tema. Desta vez escolheu o patrimônio natural como objeto da sua preocupação, ao organizar uma nova edição do livro O PAU-BRASIL NA HISTÓRIA NACIONAL, escrito pelo geógrafo e historiador Bernardino José de Souza e publicado em primeira edição pela Companhia Editora Nacional, no ano de 1939, sob a direção de Fernando de Azevedo. A edição conta com um capítulo escrito por Arthur Ne...

ROGER CHARTIER E A HISTÓRIA DA EDUCAÇÃO - IV

                                            Roger Chartier     Jorge Carvalho do Nascimento*   Observando os conceitos usados por Roger Chartier é possível identificar as transformações que os estudos de História da Educação ensejaram no entendimento sobre a escola e a cultura escolar. Chartier está preocupado com a forma através da qual os indivíduos se apropriam de determinados conceitos. Assim, Chartier valoriza as mentalidades coletivas. Para ele, é importante o processo através do qual uma instituição constrói e dá sentido ao seu mundo. Tal processo se reflete nos métodos utilizados para alcançar seus objetivos. Conceitos como os de utensilagem mental, visão de mundo e configuração têm importância fundamental para o estabelecimento de um diálogo com as fontes. É necessário aprofundar os estudos em torno dos conceitos fundamentais difundidos por esse...

ROGER CHARTIER E A HISTÓRIA DA EDUCAÇÃO - III

                                              Roger Chartier     Jorge Carvalho do Nascimento*     A História da Educação não pode ser reduzida a uma mera representação. É necessário considerar, por um lado, as representações coletivas que incorporam nos indivíduos as divisões do mundo social e organizam os esquemas de percepção a partir dos quais eles classificam, julgam e agem; por outro, as formas de exibição e de estilização da identidade que pretendem ver reconhecida; enfim, a delegação a representantes (indivíduos particulares, instituições, instâncias abstratas) da coerência e da estabilidade da identidade assim afirmada. A história da construção das identidades sociais encontra-se transformada em uma história das relações simbólicas de força (Chartier, Roger. À Beira da Falésia: a História Entre Incertezas e Inquietude. Porto Alegre: Editora da U...

ROGER CHARTIER E A HISTÓRIA DA EDUCAÇÃO - II

                                                            Roger Chartier     Jorge Carvalho do Nascimento*     Sob o quadro interpretativo concebido por Roger Chartier, o exercício do trabalho de historiar impõe, portanto, o trato de problemas conceituais como representação, prática e apropriação. É a partir deles que Chartier considera questões como as formas narrativas do discurso histórico e literário, fundamentais à interpretação dos documentos que o historiador toma por objeto. Para entender tal operação é fundamental que se apanhe o modo como as ideias das sucessivas gerações de historiadores a exemplo de Pierre Bordieu, Michel de Certeau, Michel Foucault e Paul Ricoeur, influenciados pela Escola dos Analles, têm sido recebidas no Brasil. Também, o modo como têm sido recebidas no Brasil as ideias de alguns autor...

ROGER CHARTIER E A HISTÓRIA DA EDUCAÇÃO

                                                        Roger Chartier     Jorge Carvalho do Nascimento*     Não entendi bem porque nas duas últimas semanas fui procurado por alguns estudantes de graduação dos cursos de Pedagogia e História e outros da pós-graduação que relataram haver lido alguns textos meus a respeito do trabalho do historiador francês Roger Chartier que publiquei no início deste século XXI. Faz tempo que estou distante deste debate. Todavia, resolvi atender os pedidos que me foram feitos pelos estudantes que estabeleceram contato comigo e, como ponto de partida para que tal grupo abra as portas a este tipo de debate, passo a eles algumas informações que considero necessárias a quem busca vislumbrar os caminhos do influente historiador da leitura. Os estudos de História da Educação ganharam considerável colabor...

OS PATRONATOS AGRÍCOLAS

      Jorge Carvalho do Nascimento*     Milton Ramon Pires de Oliveira publicou em 2003, pela EDUSF, o livro Formar cidadãos úteis. Ele entendia, à época, que o conhecimento a respeito dos patronatos agrícolas ainda era muito limitado, sendo reduzida a contribuição que se oferecia à compreensão do seu perfil e da sua trajetória. Assim, criticou o estudo de Cynthia Greive Veiga e Luciano Mendes de Faria Filho (Infância no sótão, Belo Horizonte, Autêntica, 1999). Cynthia Greive Veiga e Luciano Mendes de Faria Filho assumiram, diante do problema, posição idêntica àquela defendida por Jorge Nagle, no texto “A educação na Primeira República”, que publicou em 1975 no tomo III da História Geral da Civilização Brasileira, interpretando o ensino profissional como prática escolar dirigida aos pobres de um modo geral. Milton Ramon Pires de Oliveira dirigiu, também, críticas ao estudo de Marcos Luiz Bretas (Ordem na cidade, Rio de Janeiro, Rocco, 1997), quando...