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PARA ONDE VAI A COLUNA SOCIAL? – XXXVII

                                                     Marcos Sá Corrêa

 

 

Jorge Carvalho do Nascimento*

 

 

Para o jornalista Ancelmo Gois, o seu colega Marcos Sá Corrêa é um gênio do jornalismo. Foi ele o primeiro a discutir com Ancelmo os problemas envolvendo a relação entre a mídia impressa e a mídia digital. “Ele me mostrou um artigo de um jornal americano que dizia que o último jornal impresso em papel iria circular no verão de 2035, na Califórnia. Efetivamente, na cultura norte-americana é muito importante esse tipo de especulação.

Ancelmo considera que esse tipo de informação não é fundamental. “Embora eu seja um dos pioneiros do on-line, eu sou um dinossauro. Eu sou um homem do papel. Eu entendo, sei da importância, mas é difícil. A minha coluna em papel, o jornal gostaria que eu fosse colocando as notas durante o dia, mas eu coloco tudo numa hora só. Eu sou um dinossauro ainda, mas eu entendo. Eu entendo que o mundo digital chegou pra ficar, ele é vencedor, ele é arrasador, mas eu tenho muito medo ainda. Quem achar que sabe como será esse mundo digital é um cara mal informado”. Apesar deste entendimento, Ancelmo admite que o mundo digital está transformando a vida. “Eu sou um velhinho. Tenho 72 anos”.

Para Ancelmo Gois, todo este debate tem uma importância muito grande para a compreensão acerca do que é jornalismo e das suas transformações no mundo contemporâneo. “Eu gosto de uma música do Xangô da Mangueira que diz assim:

“Eu moro na roça Iaiá

Eu nunca morei na cidade

Eu compro jornal da manhã

É pra saber das novidades

 

Minha gente cheguei agora

Minha gente cheguei com Deus

E com Nossa Senhora,

Eu moro na roça

 

Xique Xique Macambira

Filho de Preto d’Angola

Inda bem não sabe lert

Já quer ser mestre escola,

Eu moro na roça

 

Era tu e era ela

Era ela era tu e eu

Hoje nem tu nem ela

Nem elanem tu nem eu,

Eu moro na roça

 

Menino quem foi teu mestre

Meu mestre foi Ceará

Me ensinou a cantar samba

Me ensinou a trabalhar,

Eu moro na roça

 

Todo dia passa lá em casa

É a minha comadre Letícia

Ela me levou o Gongo,

Última Hora,

O Diário de Notícias,

Eu moro na roça

 

Moro na roça Iaiá

Nunca morei na cidade

Compro jornal da manhã

Pra saber das novidades...”.

 

Ancelmo considera que o jornal é movido pela ideia de entregar novidades às pessoas. Coisas que a pessoa está no trabalho e alguém vai na rua saber o que está acontecendo e conta para ela. “Hoje em dia, o jornalismo foi ocupado por essa invasão bárbara da internet. Todo mundo virou um jornalista. O jornalismo profissional tem o papel novo de fazer uma curadoria, ser o curador. Uma coisa é você pegar a internet e outra coisa é fazer jornalismo.”.

 

 

*Jornalista, professor, doutor em Educação, membro da Academia Sergipana de Letras e presidente da Academia Sergipana de Educação.
 

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