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PARA ONDE VAI A COLUNA SOCIAL? - XLIII

                                              Luciano Correia     Jorge Carvalho do Nascimento*     Mesmo antes de ingressar no ensino superior, aos 14 anos de idade, Luciano Correia teve sua primeira experiência de contato com a mídia. Estudante no Colégio Estadual Murilo Braga, ele se juntou a outros dois colegas, Blanar Roberto de Melo Siqueira e Marcos de Oliveira Fonseca, e fundou o jornal O Cebolão, que chegou a circular em cada uma de suas edições quinzenais com uma tiragem de 1.200 exemplares. O jornal causou grande impacto junto aos colegas de Luciano no Colégio Murilo Braga, aos demais estudantes da cidade e de um modo geral em toda a juventude itabaianense. O periódico era impresso em um mimeógrafo a álcool. Os dados demonstram que foi um grande feito para um jornal que tinha os seus exemplares vendidos. Luciano atribui o estímulo recebido par...

PARA ONDE VAI A COLUNA SOCIAL? – XLII

                                                Miriam Leitão     Jorge Carvalho do Nascimento     É muito difícil para quem estuda os diferentes gêneros do jornalismo conceituar o que significa coluna social. No jornalismo, o gênero foi um dos que mais sofreu mutações durante a segunda metade do século XX e nas duas primeiras décadas do século XXI. Como comparar o trabalho da contemporânea Mônica Bérgamo com o jornalista Jacinto de Thormes da década de 1950 e considerar a ambos igualmente colunistas sociais? Não obstante todos os avanços e mutações vividos pela coluna social, ainda há muitos resquícios de um modelo de colunismo que dominou a mídia no Brasil até a década de 70 do século XX. Atualmente, algumas daquelas práticas estão presentes tanto em jornais de pequenas cidades do interior do Brasil, em programas de rádio e TV e mesmo nas platafor...

PARA ONDE VAI A COLUNA SOCIAL? - XLI

                                                      Antônio Carlos Magalhães     Jorge Carvalho do Nascimento*     O jornalismo é um negócio? Há neutralidade na atividade dos jornalistas ou eles são passionais? Estas são questões presentes no debate contemporâneo a respeito do jornalismo que estimulam diferentes respostas e múltiplas reflexões. Este texto reflete os posicionamentos do jornalista Ancelmo Gois acerca deste tema. Entrevistado pelo autor do presente texto, Ancelmo afirma entender atualmente que o jornalismo tem lado. Porém, diz ser necessário acreditar na isenção como uma utopia e apresenta um exemplo contundente. “Eu só acreditarei no jornal isento no dia que o jornal Observatório Romano, do Vaticano, toda vez que falar em Deus der também a opinião do Diabo, que é o outro lado”. Certamente esta possibilidade levantada ...

PARA ONDE VAI A COLUNA SOCIAL? - XL

                                              Mônica Bérgamo     Jorge Carvalho do Nascimento*     Contemporaneamente, muitos jornalistas consideram que a coluna social pode e deve ser uma importante fonte de informação do jornalismo. Em depoimento que concedeu ao autor do presente texto, o jornalista Ancelmo Gois comunga com tal posição. Com toda certeza, poucas pessoas discordam do fato de ser a jornalista Mônica Bérgamo bom exemplo de uma das maiores fontes de informação do jornalismo brasileiro. Colunista social, Mônica Bérgamo herdou um espaço de coluna social da elite paulistana, que anteriormente fora ocupado pela também jornalista Joyce Pascowitch. A coluna assinada por Mônica entrega aos leitores brasileiros muitas das maiores e mais importantes revelações da mídia do Brasil. Ancelmo Gois cita exemplos de vários colunistas que se transformam naq...

PARA ONDE VAI A COLUNA SOCIAL? - XXXIX

                                              Clara Angélica       Jorge Carvalho do Nascimento*     A expansão das diferentes plataformas de internet impôs aos jornais impressos a necessidade de adaptação a novos suportes, novas linguagens e a distintos mecanismos de financiamento e de acesso ao público leitor. Os jornais que não conseguiram se adaptar a nova realidade viram declinar a sua tiragem e fatalmente fecharam as portas, encerrando as suas atividades de modo melancólico. O jornalista Ancelmo Gois aponta que o melhor exemplo de adaptação da mídia impressa aos novos suportes foi o processo vivido pelo gigante norte-americano New York Times. “É um sucesso. É o jornal do mundo que fez essa transição para a internet de maneira rentável”. Todavia, o próprio Ancelmo adverte que só há um New York Times. A tendência tem sido a do ence...

O CENSO ESCOLAR DE 2020 E A POLÍTICA EDUCACIONAL DE JACKSON BARRETO

                                                Fonte: Censo Escolar 2020     Jorge Carvalho do Nascimento*     Em política educacional os resultados são colhidos sempre em médio e longo prazo. Nunca é possível aferir de imediato os acertos. Por isto, com a divulgação dos resultados do Censo Escolar 2020, o governador Jackson Barreto tem muito a comemorar em face do sucesso da sua gestão educacional, entre janeiro de 2015 e abril de 2018. Em face do acerto da política educacional daquele período, o Estado de Sergipe passou a ocupar agora a quinta posição do ranking nacional em oferta de ensino médio integral na escola pública. Desde 2015 Sergipe vem avançando de modo significativo na qualidade do ensino médio que oferece, conforme as duas últimas avaliações apuradas pelo Índice de Desenvolvimento da Educação Básica – IDEB. Enquanto a média brasileir...

PARA ONDE VAI A COLUNA SOCIAL? - XXXVIII

      Jorge Carvalho do Nascimento*     “Eu sempre desconfiei que o mundo está cheio de idiotas. A internet veio provar que eu tinha razão”. O jornalista Ancelmo Gois cita a frase do seu colega Carlos Heitor Cony para afirmar que a rede mundial de computadores divulga todo tipo de informação e que cabe à imprensa profissional fazer uma curadoria, ser o curador. Ancelmo entende que é possível publicar nas diferentes plataformas da internet absurdos de todo tipo. Todo tipo de coisa é divulgada e circula. “Você precisa de uma curadoria e este é o papel do jornalista. Quando morreu Michael Jackson, a internet na Califórnia estava se expandindo e o primeiro a noticiar foi um blog de fofocas que já tinha matado Michael Jackson três vezes. As pessoas só passaram a acreditar que Michael Jackson morreu quando o site do Los Angeles Time disse que Michael Jackson morreu”. Sob a interpretação de Ancelmo, quando uma empresa como o Los Angeles Time informa que M...

O JORNALISTA, O CABO E O PARLAMENTO

                                              Mussolini e Hitler     Jorge Carvalho do Nascimento*     O que significa o controle do Poder Executivo sobre o Parlamento? É claro que o meu gosto por estudar História faz com que minha preocupação a respeito do tema remeta ao passado. Mesmo porque, ao que parece, nas sociedades democráticas contemporâneas fica muito difícil identificar algum Estado nacional no qual o chefe do Poder executivo seja capaz de convencer os membros do Parlamento a assumirem uma postura na qual alienem a sua autonomia e entreguem a chefia do Poder Legislativo a parlamentares que se transformem em capatazes da vontade do chefe do Executivo. Seria inconcebível sob os padrões democráticos contemporâneos imaginar um Estado nacional independente no qual os parlamentares ficariam de cócoras diante do Poder Executivo em troca de nomeações...

PARA ONDE VAI A COLUNA SOCIAL? – XXXVII

                                                      Marcos Sá Corrêa     Jorge Carvalho do Nascimento*     Para o jornalista Ancelmo Gois, o seu colega Marcos Sá Corrêa é um gênio do jornalismo. Foi ele o primeiro a discutir com Ancelmo os problemas envolvendo a relação entre a mídia impressa e a mídia digital. “Ele me mostrou um artigo de um jornal americano que dizia que o último jornal impresso em papel iria circular no verão de 2035, na Califórnia. Efetivamente, na cultura norte-americana é muito importante esse tipo de especulação. Ancelmo considera que esse tipo de informação não é fundamental. “Embora eu seja um dos pioneiros do on-line, eu sou um dinossauro. Eu sou um homem do papel. Eu entendo, sei da importância, mas é difícil. A minha coluna em papel, o jornal gostaria que eu fosse colocando as notas durante o dia, mas eu...

PARA ONDE VAI A COLUNA SOCIAL? - XXXVI

                                                  Ibrahim Sued     Jorge Carvalho do Nascimento*     Ancelmo Gois relata que ao assumir a coluna do jornal O Globo, em 2001, ouviu do jornalista Ricardo Boechat a mais importante das observações a respeito de coluna social. “As colunas sociais no Brasil estavam vivendo um processo de grande transformação”. Até os anos 80 do século XX, as colunas sociais eram predominantemente “uma coisa de badalação de bacanas, de ricos, socialites”. Este não era um fenômeno apenas brasileiro. Era assim também o modelo de coluna social nos Estados Unidos da América, na Europa e em outros lugares. De acordo com Ancelmo, isto era muito forte no jornalismo. “Se você pegasse o jornalismo em Sergipe naquele tempo, todas as emissoras de rádio ficavam assim: está completando mais uma espiga de milho no espigal da sua vid...