Jorge Carvalho do Nascimento
Depois
do golpe militar de 1964, um dos focos da ação dos gestores do estado
brasileiro foi a reforma do ensino. A pedra de toque foi a aprovação da lei 5692,
em 1971, criando o ensino de primeiro e segundo graus, tornando obrigatória a
escolarização mínima de oito anos, abolindo os cursos primário, ginasial e
científico e extinguindo assim os velhos exames de admissão ao ginásio.
A
abolição dos exames de admissão foi um avanço muito grande para a sociedade
brasileira, principalmente para os filhos das famílias mais pobres. Os exames, aos
quais os estudantes eram normalmente submetidos por volta dos 11 anos de idade,
eram uma forma de seletividade que barravam a continuidade dos estudos para os meninos
filhos de famílias com menor poder aquisitivo e com menos acesso a aprendizagem.
A reprovação naquele momento significava a entrada precoce no mercado de trabalho,
como trabalhador menor, fazendo com que aqueles que não tinham poder aquisitivo
fossem condenados a uma escolarização de apenas quatro anos, correspondente ao
ensino primário.
Com a
abolição dos exames de admissão e a implantação do ensino de primeiro grau,
todos os cidadãos brasileiros ganharam o direito a uma escolarização mínima de
oito anos no ensino de primeiro grau, o que correspondia aos antigos cursos
primário e ginasial juntos.
Para
implantar a reforma, foram muitos os consultores norte-americanos que se
instalaram no Brasil sob a condição de agentes de desenvolvimento e
modernização. Os que cuidavam da política educacional aportaram por aqui como
técnicos encarregados da execução dos acordos MEC-USAID, orientando a reforma
universitária (Lei 5.540/68) e a reforma do ensino de 1º e 2º graus (Lei
5692/71).
A
historiadora Otaíza Romanelli (1997, 196), afirma que a política educacional
sob a ditadura militar foi marcada por dois grandes momentos após o golpe de
1964. Inicialmente, em função da elevada demanda por serviços educacionais, o
Ministério da Educação firmou alguns convênios com a Agency For International
Development (AID), objetivando assistência técnica e financeira para a
organização do Sistema Educacional.
O segundo momento caracterizado por
Romanelli diz respeito a aplicação de medidas que buscaram adequar tal sistema
ao modelo de desenvolvimento econômico adotado no Brasil, catalisando as
reformas realizadas. Assim é que, após o golpe militar, o Conselho Federal de
Educação produziu, intensivamente, um elevado número de documentos, enquanto os
generais que assumiram a Presidência da República editavam decretos
regulamentando distintos aspectos do currículo, conferindo especial importância
a disciplinas como Educação Moral e Cívica, Estudo de Problemas Brasileiros e
Educação Física.
Ao assumir a gestão da política
educacional do estado de Sergipe em 1975, o economista Everaldo Aragão Prado,
secretário da educação, tinha plena consciência da importância da implementação
das reformas preconizadas pela lei 5.692.
Convidou o economista Antônio Dantas
de Oliveira para dirigir o novo Departamento de Planejamento – Deplan da Secretaria
da Educação e Cultura – SEC. Dantas tinha experiência e intimidade com o tema
em face de haver liderado a área de planejamento educacional no período
anterior, quando Sergipe teve como secretário da educação o professor João
Cardoso do Nascimento Junior.
A Dantas coube diretamente coordenar
o trabalho da equipe encarregada de realizar os estudos e liderar a
implementação em Sergipe das reformas preconizadas pela lei 5.692/71. Os planos
e projetos que ele e a sua equipe elaboraram foram fundamentais para que o
estado de Sergipe captasse os recursos financeiros necessários a implementação
das práticas previstas pela nova lei.
Um dos primeiros produtos que Antônio
Dantas apresentou a Everaldo Aragão foi o Projeto de Implantação da Educação
Pré-Escolar. Até 1975, a pré-escola era atendida pelo Estado somente através do
Jardim de Infância Augusto Maynard, construído e inaugurado nos anos 30 do
século XX.
A instituição escolar contava com apenas
seis salas de aula. O Projeto resultou na implantação de três novas unidades
escolares, com um total de 15 salas de aulas. Duas das novas escolas foram
construídas em Aracaju e uma no município de Lagarto.
Ademais, 16 novas salas de aula
dedicadas a educação pré-escolar foram construídas em anexo a unidades de
ensino do primeiro grau em Aracaju e também na cidade de Propriá. As 31 novas
salas de aula eram um número modesto. Todavia, diante das apenas seis salas
existentes, representaram um crescimento da ordem de 516 por cento na pré-escola.
Uma das novas unidades de educação
pré-escolar, a escola Rachel Cortes Rollemberg possuía gabinetes médico e
odontológico devidamente instalados. O serviço atendia todos os alunos da
pré-escola estadual em Aracaju.
Os professores que foram trabalhar
nas salas de educação pré-escolar receberam formação especial que enfatizou as
necessidades das crianças antes dos sete anos de idade, com foco no
desenvolvimento social da criança através das livres expressões oral, gráfica,
corporal e rítmica.
Deste modo, Everaldo Aragão Prado que encontrou uma oferta de 362 matrículas de educação pré-escolar ofertadas pela escola pública sergipana, deixou na rede, ao final do seu período administrativo, 2.190 alunos matriculados, um crescimento de 504 por cento.

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