Jorge
Carvalho do Nascimento
A
historiografia sobre a última ditadura militar brasileira consagrou a imagem
dos militares como “gorilas” à medida que estes perdiam popularidade e
legitimidade. “Os derrotados de ontem, na luta aberta, podem ser os vitoriosos
de amanhã, na memória coletiva” (REIS, 2004, 30).
Todavia,
é fundamental lembrar que a deposição do presidente João Goulart foi obra não
apenas dos militares e do capital nacional e estrangeiro, mas também das
multidões lideradas por executivos e parlamentares da UDN e do PSD acostumados
à consagração através do voto popular e de multidões reunidas por setores
conservadores da Igreja Católica em torno de movimentos como a “Marcha com
Deus, pela família e pela liberdade”.
Quando
são tomados os números referentes à matrícula do ensino de primeiro grau no
período da ditadura militar no Brasil, também é possível fazer algumas
verificações pouco usuais. Em 1964, a soma dos estudantes brasileiros nos
ensinos primário e ginasial totalizava 9.989.507, dos quais 1.701.349
estudantes no ensino privado e 8.288.158 na rede pública.
Em
Sergipe, naquele ano, estavam matriculados 83.270 estudantes. 10.913 no ensino
particular e 72.357 nas escolas públicas. Quando a ditadura dava os seus
últimos suspiros, o Brasil já contava no primeiro grau com 24.555.789 alunos.
Destes, 21.231.335 no ensino público e 3.324.454 na rede particular.
Os
números de Sergipe indicavam a existência de 284.300 estudantes. 42.008 no
ensino privado e 242.292 no ensino público. Em 1964, portanto, o ensino pago
representava 17,03 por cento do total das matrículas nas escolas primárias e
ginasiais, enquanto o poder público atendia 82,97 por cento do alunado.
O
Estado de Sergipe possuía 0,83 da matrícula brasileira. Do total de estudantes
sergipanos, 13,10 por cento estavam na escola particular e 86,90 por cento na
escola pública. No último ano em que o Brasil viveu sob o regime militar, a
oferta de vagas no ensino de primeiro grau havia crescido 245,81 por cento.
No
marco inicial, da oferta de vagas no primeiro grau, 86,46 por cento eram
públicas. O ensino pago viu a sua participação encolher para 13,54 por cento.
Sergipe representava 1,15 por cento da matrícula nacional do ensino de primeiro
grau. O percentual de alunos da rede pública havia se reduzido para 85,33,
enquanto a oferta de vagas no ensino privado crescera para 14,77 por cento da
matrícula total do ensino de primeiro grau no Estado.
No
período em que Everaldo Aragão Prado foi secretário da educação e cultura de
Sergipe, entre 1975 e 1979 houve significativa expansão do ensino de primeiro
grau em todo o estado de Sergipe. Em 1975, a matrícula na rede de escolas estaduais
de primeiro grau era de 73.672 alunos. Ao concluir a sua gestão, Everaldo
deixou 99.309 estudantes matriculados nas escolas de primeiro grau da rede
mantida pelo estado.
Para
Everaldo, a expansão da oferta do ensino de primeiro grau foi prioridade. Naquele
quadriênio foram construídas 507 novas salas de aula e 1.230 outras
dependências escolares representando 40.560 novas matrículas, quando somadas as
vagas da rede de escolas estaduais com as escolas mantidas pelos municípios.
Dando
consequência ao que estabelecia a Lei 5.692/71, houve um vigoroso investimento
buscando estimular as prefeituras municipais para que estas assumissem as suas
responsabilidades de manutenção do ensino de primeiro grau. O estado transferiu
para os municípios 88 escolas de primeiro grau.
Foram
construídos três centros interescolares de primeiro grau anexos a colégios
integrados de segundo grau localizados em Estância, Lagarto e Propriá, em face
do convênio firmado entre o Estado de Sergipe, o Ministério da Educação e o
Banco Interamericano para Reconstrução e Desenvolvimento – o BIRD. Os colégios
integrados foram construídos com recursos do Programa de Expansão e Melhoria do
Ensino Médio – Premen.
A
municipalização do ensino durante a gestão de Everaldo Aragão Prado era
administrada pelo Programa de Assistência Educacional aos Municípios Sergipanos
– Paemse, coordenado pelo economista André Mesquita Medeiros.
O
Paemse atuou fortalecendo a municipalização do ensino de primeiro grau,
transferindo recursos mediante convênios, para a construção de unidades
escolares na zona rural, as quais passaram a integrar a rede municipal ,
criando e/ou reestruturando órgãos municipais de educação e prestando-lhes
assistência técnica na elaboração de diagnósticos, planos de trabalho,
elaboração de regimentos, estatuto do magistério , além de promover
treinamentos para dirigentes, professores e supervisores do ensino de primeiro
grau.
O
Paemse trabalhou em parceria com o Promunicípio – Projeto de Coordenação e
Assistência Técnica ao Ensino Municipal, desenvolvido pelo Departamento de
Ensino Fundamental do MEC, o qual permitiu intensificar as ações que já vinham
sendo desenvolvidas.
Para cumprir a Lei 5.692/71 no que preconizava a integração do antigo ensino primário com o ginasial, constituindo continuum de oito anos de escolarização, a secretaria da educação implantou gradativamente em alguns municípios, e de forma global em outros, as últimas quatro séries do primeiro grau, chegando a 38 municípios.

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