Jorge
Carvalho do Nascimento
Quem
primeiro arguiu a possibilidade de criar o Programa de Qualificação Docente –
PQD foi o então secretário de estado da educação de Sergipe, Luiz Antônio
Barreto. Como gestor público da política educacional sergipana, ele buscou o
reitor da Universidade Federal de Sergipe, José Fernandes de Lima, que assumiu
a proposta e passou a defende-la juntamente aos professores, aos departamentos
e aos órgãos colegiados da UFS.
Houve
uma resistência significativa e organizada de professores da Universidade
Federal de Sergipe contra a criação do Programa de Qualificação Docente. A
resistência dos professores estava centrada em questionamentos sobre a
qualidade da formação e as implicações institucionais do programa.
O
principal receio acadêmico era de que o formato da oferta do PQD viesse a
fragilizar a qualidade da formação dos professores de Matemática. Temiam que a
formação fosse superficial e que os alunos do programa, em face das suas
responsabilidades profissionais como professores da educação básica não
conseguissem se aprofundar teoricamente.
Muitos
professores do Departamento de Matemática se aliaram ao Sindicato dos
Trabalhadores em Educação do Estado de Sergipe – Sintese na cruzada contra a
implantação do PQD. As objeções de cunho político eram sempre apresentadas
socialmente como defesa do rigor e da qualidade da Matemática ensinada.
Afirmavam
que os professores da UFS seriam submetidos a uma carga de trabalho exaustiva e
excessiva, em face da necessidade de envolvimento com o ensino nos polos.
Alegavam ainda que estes teriam um acúmulo de aulas presenciais no interior do
estado sem que fossem afastados das atividades regulares que já mantinham na
Cidade Universitária José Aloísio de Campos, em São Cristóvão.
Quando
da realização do primeiro concurso vestibular especial para o PQD, o Sintese
impetrou um Mandado de Segurança junto à Justiça Federal em Sergipe com o
objetivo de impedir a realização do certame. A ação foi um dos pontos altos do
conflito que o Sintese estabeleceu com o Governo do Estado e a Universidade
Federal de Sergipe.
O
Mandado de Segurança do Sintese foi indeferido pela Justiça Federal que não
aceitou a tese de ser o PQD uma solução paliativa e precarizadora da carreira
docente.
Por
seu turno, o secretário de estado da educação, Luiz Antônio Barreto, além de
buscar o apoio do reitor José Fernandes de Lima, criou um grupo especial para
desenhar e implementar o PQD. O grupo foi coordenado pelo professor Luiz Alberto
dos Santos, do Departamento de Ciências Sociais da UFS.
Além
de Luiz Alberto, participaram do grupo as professoras Ada Augusta Celestino
Bezerra e Consuelo Maia, ambas do Departamento de Educação, e Eduardo
Ubirajara, do Departamento de Filosofia. O grupo foi responsável pela
elaboração do projeto básico do PQD entregue à UFS.
Com
a colaboração desse grupo, Luiz Antônio Barreto foi o principal responsável
político e administrativo pela concepção do Programa de Qualificação Docente,
criando condições para a graduação de mais de 300 professores de Matemática ao
final do PQD 3. Em menos de 10 anos, o PQD graduou mais de 300 professores de
Matemática, enquanto o Departamento de Matemática graduou menos de 150
professores em mais de 30 anos de atividade.
Luiz
Antônio Barreto, além de secretário da educação, foi um importante historiador,
jornalista, folclorista e intelectual sergipano. Membro da Academia Sergipana
de Letras, morreu em 2012 legando o maior acervo de trabalhos conhecidos sobre
a cultura sergipana.
Certamente,
ao lado de Luiz Antônio Barreto, o outro nome da maior importância para ampliar
a formação de professores de Matemática através do PQD é o do professor José
Fernandes de Lima. Ele foi por duas vezes reitor da Universidade Federal de
Sergipe e também foi reitor da Universidade Federal do ABC, em São Bernardo do
Campo, no estado de São Paulo. Exerceu ainda a presidência do Conselho Nacional
de Educação.
Depois
da sua saída da reitoria da UFS, Lima foi secretário de estado da educação de
Sergipe. Tanto na reitoria quanto na secretaria da educação, José Fernandes de
Lima trabalhou garantindo a implantação e a continuidade do PQD, contribuindo
para a formação dos professores de Matemática em nível superior.
Como
reitor da UFS, ele liderou o processo de aprovação das resoluções e os demais
regulamentos essenciais à instituição do Programa. Foi dele a iniciativa de
propor a criação do Colegiado dos Cursos do PQD, estabelecendo a duração dos
cursos e definindo a sua estrutura e o corpo docente.
Ao assumir o cargo de secretário de estado da educação, José Fernandes de Lima garantiu o repasse das verbas que financiavam o Programa. Além disto, costumava participar das solenidades de formatura dos professores graduados.

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