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REFLEXÕES SOBRE A HISTÓRIA DO ENSINO DA MATEMÁTICA EM SERGIPE – PARTE 12

                                                 Luiz Antônio Barreto


 

Jorge Carvalho do Nascimento

 

 

Quem primeiro arguiu a possibilidade de criar o Programa de Qualificação Docente – PQD foi o então secretário de estado da educação de Sergipe, Luiz Antônio Barreto. Como gestor público da política educacional sergipana, ele buscou o reitor da Universidade Federal de Sergipe, José Fernandes de Lima, que assumiu a proposta e passou a defende-la juntamente aos professores, aos departamentos e aos órgãos colegiados da UFS.

Houve uma resistência significativa e organizada de professores da Universidade Federal de Sergipe contra a criação do Programa de Qualificação Docente. A resistência dos professores estava centrada em questionamentos sobre a qualidade da formação e as implicações institucionais do programa.

O principal receio acadêmico era de que o formato da oferta do PQD viesse a fragilizar a qualidade da formação dos professores de Matemática. Temiam que a formação fosse superficial e que os alunos do programa, em face das suas responsabilidades profissionais como professores da educação básica não conseguissem se aprofundar teoricamente.

Muitos professores do Departamento de Matemática se aliaram ao Sindicato dos Trabalhadores em Educação do Estado de Sergipe – Sintese na cruzada contra a implantação do PQD. As objeções de cunho político eram sempre apresentadas socialmente como defesa do rigor e da qualidade da Matemática ensinada.

Afirmavam que os professores da UFS seriam submetidos a uma carga de trabalho exaustiva e excessiva, em face da necessidade de envolvimento com o ensino nos polos. Alegavam ainda que estes teriam um acúmulo de aulas presenciais no interior do estado sem que fossem afastados das atividades regulares que já mantinham na Cidade Universitária José Aloísio de Campos, em São Cristóvão.

Quando da realização do primeiro concurso vestibular especial para o PQD, o Sintese impetrou um Mandado de Segurança junto à Justiça Federal em Sergipe com o objetivo de impedir a realização do certame. A ação foi um dos pontos altos do conflito que o Sintese estabeleceu com o Governo do Estado e a Universidade Federal de Sergipe.

O Mandado de Segurança do Sintese foi indeferido pela Justiça Federal que não aceitou a tese de ser o PQD uma solução paliativa e precarizadora da carreira docente.

Por seu turno, o secretário de estado da educação, Luiz Antônio Barreto, além de buscar o apoio do reitor José Fernandes de Lima, criou um grupo especial para desenhar e implementar o PQD. O grupo foi coordenado pelo professor Luiz Alberto dos Santos, do Departamento de Ciências Sociais da UFS.

Além de Luiz Alberto, participaram do grupo as professoras Ada Augusta Celestino Bezerra e Consuelo Maia, ambas do Departamento de Educação, e Eduardo Ubirajara, do Departamento de Filosofia. O grupo foi responsável pela elaboração do projeto básico do PQD entregue à UFS.

Com a colaboração desse grupo, Luiz Antônio Barreto foi o principal responsável político e administrativo pela concepção do Programa de Qualificação Docente, criando condições para a graduação de mais de 300 professores de Matemática ao final do PQD 3. Em menos de 10 anos, o PQD graduou mais de 300 professores de Matemática, enquanto o Departamento de Matemática graduou menos de 150 professores em mais de 30 anos de atividade.

Luiz Antônio Barreto, além de secretário da educação, foi um importante historiador, jornalista, folclorista e intelectual sergipano. Membro da Academia Sergipana de Letras, morreu em 2012 legando o maior acervo de trabalhos conhecidos sobre a cultura sergipana.

Certamente, ao lado de Luiz Antônio Barreto, o outro nome da maior importância para ampliar a formação de professores de Matemática através do PQD é o do professor José Fernandes de Lima. Ele foi por duas vezes reitor da Universidade Federal de Sergipe e também foi reitor da Universidade Federal do ABC, em São Bernardo do Campo, no estado de São Paulo. Exerceu ainda a presidência do Conselho Nacional de Educação.

Depois da sua saída da reitoria da UFS, Lima foi secretário de estado da educação de Sergipe. Tanto na reitoria quanto na secretaria da educação, José Fernandes de Lima trabalhou garantindo a implantação e a continuidade do PQD, contribuindo para a formação dos professores de Matemática em nível superior.

Como reitor da UFS, ele liderou o processo de aprovação das resoluções e os demais regulamentos essenciais à instituição do Programa. Foi dele a iniciativa de propor a criação do Colegiado dos Cursos do PQD, estabelecendo a duração dos cursos e definindo a sua estrutura e o corpo docente.

Ao assumir o cargo de secretário de estado da educação, José Fernandes de Lima garantiu o repasse das verbas que financiavam o Programa. Além disto, costumava participar das solenidades de formatura dos professores graduados.

 

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