Pular para o conteúdo principal

A POLÍTICA CULTURAL DE JOSÉ LEITE, EVERALDO ARAGÃO E LUIZ ANTÔNIO – PARTE 2

                                                 José Anderson Nascimento


 

Jorge Carvalho do Nascimento

 

 

O Programa de Edição de Obras de Grandes Vultos Sergipanos e de Álbuns, Discos e Outras Publicações da Cultura Popular de Sergipe representou um impulso significativo nas atividades da política cultural entre os anos de 1975 e 1979.

Tal programa possibilitou a publicação, dentre outros, dos seguintes livros:

HISTÓRIA DE SERGIPE, de Felisbelo Freire;

ESTUDOS SOBRE A POESIA POPULAR DO BRASIL, de Sílvio Romero;

A LÍNGUA NACIONAL, de João Ribeiro;

REALIDADES E ILUSÕES NO BRASIL, de Sílvio Romero;

ESTUDOS DE DIREITO – Vols I e II, de Tobias Barreto;

ESTUDOS ALEMÃES, de Tobias Barreto;

CRÍTICA DE RELIGIÃO, de Tobias Barreto;

DIAS E NOITES, de Tobias Barreto;

DEPOIMENTOS, de Tobias Barreto;

CRÍTICA LITERÁRIA, de Tobias Barreto;

MONOGRAFIAS EM ALEMÃO, de Tobias Barreto;

PASCAL E A INQUIETAÇÃO MODERNA, de Jackson de Figueiredo;

ÁBUM DE XILOGRAVURA POPULAR, de Enéias Tavares Santos;

CADERNO DE FOLCLORE, Sobre a Taieira, São Gonçalo e Chegança, de Beatriz Gois Dantas;

CADERNO DO FOLCLORE SERGI´PANO, Sobre a Dança Folclórica, de José Maria do Nascimento;

CADERNO DE FOLCLORE SERGIPANO, Sobre o Guerreiro, de Aglaé Fontes de Alencar;

CADERNO DE FOLCLORE SERGIPANO, Sobre o Caxangá, de Vladimir de Souza Carvalho;

CARTILHA DE HISTÓRIA, Com Texto Extraído da História do Brasil, de Frei Vicente do Salvador; e,

CARTILHA DE HISTÓRIA, Com Texto Extraído da Corografia Brasílica, de Aires de Casal.

Do mesmo modo, o ÍNDICE DO DICIONÁRIO BIO-BIBLIOGRÁFICO SERGIPANO, do Dr. Armindo Guaraná. Foram também publicados discos compactos duplos, com a Taieira e São Gonçalo de Laranjeiras e Chegança de Lagarto.

Tudo foi executado sob a coordenação do chefe da Assessoria Para Assuntos Culturais, Luiz Antônio Barreto, em parceria com Antônio Garcia Filho e José Anderson Nascimento, respectivamente presidente e secretário geral do Conselho Estadual de Cultura.

Ao dar encaminhamento às prioridades de governo estabelecidas pelo governador José Rollemberg Leite e pelo secretário da educação, Everaldo Artagão Prado, os executivos da cultura indicados acima procuraram mais um caminho de preservação da cultura popular do estado com a organização de encontros e seminários.

O melhor de todos os exemplos é o do Encontro Cultural de Laranjeiras que,  

em janeiro de 2026, celebrará 50 anos de atividades ininterruptas. Enquanto Everaldo Aragão Prado foi secretário da Educação e Cultura de Sergipe foram realizadas quatro edições do Encontro.

O Encontro Cultural de Laranjeiras se justificava por ser aquele município uma espécie de “capital” do Vale do Cotinguiba. O Encontro nasceu de uma proposta da então primeira dama do município, Ione Sobral, que procurou a Assessoria para Assuntos Culturais da Secretaria da Educação e Cultura do Estado, pedindo ajuda para organizar uma quermesse no final do ano com o objetivo de angariar fundos para as obras sociais da prefeitura.

Essa ideia evoluiu na direção de um evento cultural. A proposta foi levada por Luiz Antônio Barreto ao Conselho Estadual de Cultura, então presidido por Antônio Garcia Filho e tendo, como já vimos, José Anderson Nascimento como secretário geral.

No Conselho, a ideia foi discutida entre os conselheiros, o secretário geral e também com o folclorista Jackson da Silva Lima, com o próprio Luiz Antônio Barreto, com o prefeito de Laranjeiras, José Monteiro Sobral, e com o vice-prefeito daquele município, Pedro Paulo Valverde.

O presidente Antônio Garcia Filho defendia um encontro que promovesse a cultura e a arte de uma maneira geral. Luiz Antônio e Jackson da Silva Lima defendiam um evento que difundisse as manifestações que estavam presentes nas feirinhas natalinas, nos ciclos de festas populares, no sertão com os aboiadores, os violeiros e os cantadores.  

Para dar consequência a todas estas iniciativas, a Secretaria da Educação e Cultura do Estado de Sergipe firmou convênios com vários órgãos federais que tinham responsabilidade com a política cultural como o Conselho Federal de Cultura, o Departamento de Assuntos Culturais do Ministério da Educação e Cultura, a Fundação Nacional de Arte - Funarte, o Serviço Nacional de Teatro, a Universidade Federal de Sergipe, a Campanha de Defesa do Folclore Brasileiro e o Instituto Joaquim Nabuco de Pesquisas Sociais.

 

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

A MORTE E A MORTE DO MONSENHOR CARVALHO

  Jorge Carvalho do Nascimento     Os humanos costumam fugir da única certeza que a vida nos possibilita: a morte. É ela que efetivamente realiza a lógica da vida. Vivemos para morrer. O problema que se põe para todos nós diz respeito a como morrer. A minha vida, a das pessoas que eu amo, a daqueles que não gostam de mim e dos que eu não aprecio vai acabar. Morreremos. Podemos mitologizar a morte, encontrar uma vida eterna no Hades. Pouco importa se a vida espiritual nos reserva o paraíso ou o inferno. Passaremos pela putrefação da carne ou pelo processo de cremação. O resultado será o mesmo - retornar ao pó. O maior de todos os problemas é o do desembarque. Transformamo-nos em pessoas que interagem menos e gradualmente perdemos a sensibilidade dos afetos. A decadência é dolorosa para os amigos que ficam, do mesmo modo que para os velhos quando são deixados sozinhos. Isolar precocemente os velhos e enfermos é fato recorrente, próprio da fragilidade e das mazelas da socied...

O EVERALDO QUE EU CONHECI

                                                                Everaldo Aragão     Jorge Carvalho do Nascimento     Em agosto de 1975 fui procurado pelo meu inesquecível amigo Luiz Antônio Barreto para uma conversa. À época, Luiz exercia o cargo de chefe da Assessoria para Assuntos Culturais da Secretaria da Educação e Cultura do Estado de Sergipe e eu trabalhava como redator de noticiários da TV Atalaia, o recém inaugurado Canal 8. Luiz me fez um convite para uma visita ao Secretário da Educação e Cultura do Estado de Sergipe, Everaldo Aragão Prado. Eu não o conhecia pessoalmente. Como jornalista, eu sabia dele na condição de personalidade pública. A sua fama era de homem carrancudo, muito sisudo e rigoroso. Fiquei surpreso com o convite. Não entendi porque poderia haver da parte de Everaldo interesse em faz...

O LEGADO EDUCACIONAL DE DOM LUCIANO JOSÉ CABRAL DUARTE

  Jorge Carvalho do Nascimento     A memória está depositada nas lembranças dos velhos, em registros escritos nas bibliotecas, em computadores, em residências de particulares, em empresas, no espaço urbano, no campo. Sergipe perdeu, no dia 29 de maio de 2018, um dos seus filhos de maior importância, um homem que nos legou valiosos registros de memória que dão sentido à História deste Estado durante a segunda metade do século XX. O Arcebispo Emérito de Aracaju, Dom Luciano José Cabral Duarte, cujo centenário de nascimento celebramos em 2025, foi uma das figuras que mais contribuiu com as práticas educacionais em Sergipe, sob todos os aspectos. Como todos os homens de brilho e com capacidade de liderar, despertou também muitas polêmicas em torno do seu nome. Ao longo de toda a sua vida de sacerdote e intelectual da Educação, Dom Luciano Duarte teve ao seu lado, como guardiã do seu trabalho e, também da sua memória, a expressiva figura da sua irmã, Carmen Dolores Cabral Duar...