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EVERALDO, MARIA DA GLÓRIA E O ATHENEU

                      


 

 

Jorge Carvalho do Nascimento

 

 

A escolha da professora Maria da Glória Costa Monteiro, em 1975, para dirigir o Atheneu Sergipense foi elogiada por muitos sergipanos, mas também foi uma fonte permanente de críticas que Everaldo Aragão Prado recebeu como secretário da educação.

Como Everaldo, Maria da Glória não era afeita ao diálogo com as lideranças políticas e tomava medidas muito rigorosas que terminavam se transformando em fontes de problemas políticos que desgastavam a imagem de Everaldo como gestor público.

Era frequente o noticiário a respeito de decisões que a diretora do Atheneu tomava e que eram vistas como exageradas por pais de alunos e por parlamentares. O jornal Gazeta de Sergipe noticiava quase diariamente conflitos entre a direção do Atheneu, estudantes, professores e pais de alunos.

Na edição do dia quatro de maio de 1977, o jornal denunciou o excesso de rigor da diretora na cobrança do cumprimento dos horários na escola. “A diretora do Colégio Estadual estabeleceu um horário rígido para a entrada no estabelecimento: quem chegar atrasado, não entra. Um garoto que tinha teste, e não queria perde-lo, resolveu pular o muro. No que foi incentivado por alunos de duas turmas. Para azar de todos, porém, passava pelo local a diretora, profa. Maria da Glória Monteiro, que deu castigo aos estudantes. Comparecer todos os sábados, até o final da semana ao estabelecimento para copiar o artigo do regimento do Colégio que proíbe aluno pular o muro...”.

Seis dias depois, novamente a Gazeta de Sergipe estava denunciando problemas no Atheneu. “Os estudantes do Colégio Estadual Atheneu Sergipense foram surpreendidos ontem com mais uma medida da sua diretora, a professora Maria da Glória Monteiro: a cantina estava fechada. Dizem que a professora Maria da Glória mandou buscar cafezinho na cantina por volta das 19 horas e o cafezinho só é servido as 19:30 hs. Ela então mandou que suspendesse a funcionária encarregada do cafezinho. Ocorre, porém que a cantina é um serviço de um particular e, portanto, a direção do Colégio não tem autoridade em suspender funcionários. Não suspendeu a funcionária, mas cerrou a cantina pelo menos pelo dia de ontem”.

O que poderia parecer um episódio prosaico se transformou num grande problema porque o fechamento da cantina criou um ambiente de revolta entre os estudantes com muitas reclamações. A diretora da escola não teve nenhuma dúvida e aplicou suspensões por até 30 dias nos estudantes que reclamaram da ausência das atividades da cantina naquele dia.

O clima ficou ainda mais tenso porque no dia seguinte, antes do início das aulas, muitos estudantes protestaram na porta da escola contra a suspensão dos seus colegas. A diretora retaliou impedindo que os participantes do protesto ingressassem na escola para assistir as aulas.

A edição do dia 11 de maio de 1977, do jornal Gazeta de Sergipe voltou a comentar o caso: “Aglomerados na porta do Atheneu os estudantes do turno vespertino, principalmente os da 3ª série do 2º grau gritavam em coro a reabertura da cantina ao mesmo tempo que solicitavam das autoridades competentes um controle ao excesso de autoridade da Diretora do Colégio Estadual Atheneu”.

No dia 14 de maio de 1977, a Gazeta de Sergipe publicou um duro artigo assinado por Fernando Luiz Ribeiro Cruz, tendo por título “A Ditadura no Atheneu”. O texto faz uma série de denúncias contra a direção da escola, responsabilizando também o secretário da educação.

“As últimas atitudes tomadas pela diretora do Colégio Estadual Atheneu Sergipense bem revelam seu caráter forte, implacável, ditatorial, digno de um soldado hitlerista que não se sente satisfeito em aniquilar sua vítima, somente, mas incinera-la, fazendo desaparecer qualquer vestígio da sua existência.

Pobres dos alunos que estão sob sua mira, infelizes dos estudantes que, além de sofrerem com a debilidade do ensino vigente, ainda não se furtam das arbitrariedades cometidas pela titular daquele colégio de glória (não a própria) e tradição.

O que resta do Atheneu Sergipense que ao longo dos anos ministrou um ensino liberal e responsável? Mostrem-nos as ruinas do que foi o Atheneu para que possamos como ex-aluno, admirá-las, porque só o  passado nos fará esquecer este presente abominável, repulsivo, incompatível com a formação dos jovens que, diante de iconoclastas de tal estirpe se sentem impotentes para defender a continuidade do trabalho empreendido por ex-diretores como Glorita Portugal e Rosália Bispo, entre outros, que, usando apenas as armas da persuasão e do humanismo fizeram-se respeitar durante todo o tempo em que ocuparam o cargo”

Esta foi a escalada sempre crescente de críticas à gestão do Atheneu e da política educacional sergipana, até o final do governo José Rollemberg Leite e a saída de Everaldo da Secretaria da Educação.

 

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