Jorge
Carvalho do Nascimento
Se
os primeiros meses do trabalho de Everaldo Aragão Prado como secretário da
educação e cultura do estado de Sergipe foram vistos com muita simpatia, em
face do seu perfil de técnico competente, algumas decisões administrativas
tomadas por ele fizeram com que surgissem grupos de críticos que se colocaram
como opositores do seu trabalho.
Os
críticos afirmavam sempre que Everaldo tomava decisões sem ouvir ninguém e
impunha o seu entendimento sem aceitar nenhum tipo de ponderação daqueles que
divergiam do seu modo de decidir e possuíam propostas contrárias às suas.
Particularmente
duas questões fizeram com que ele enfrentasse tensões muito dificultosas: a
designação da professora Maria da Glória Costa Monteiro para dirigir o Colégio
Estadual Atheneu Sergipense, ainda no ano de 1975, e o anunciou da construção
de uma pista de atletismo no Estádio Lourival Baptista, o Batistão, em 1976.
Principalmente
o problema da pista de atletismo produziu um desgaste definitivo da imagem
pública de Everaldo. A partir de tal decisão ele foi visto, principalmente por
parte dos desportistas sergipanos, como um homem truculento, intolerante e que
detestava o esporte.
Ao
anunciar a construção da pista de atletismo no entorno do gramado do Batistão,
Everaldo recebeu um forte questionamento em torno das dimensões do campo
destinado ao jogo de futebol. Everaldo demonstrou que o gramado do Batistão
possuía as dimensões máximas permitidas pela FIFA para que o esporte fosse
praticado e os jogos ali disputados fossem reconhecidos e validados como
partidas oficiais pela Federação Sergipana de Futebol – FSF, pela Confederação
Brasileira de Futebol – CBF e pela Federação Internacional de Futebol
Association - FIFA.
Segundo
Everaldo, o gramado do Batistão perderia dois metros em cada um dos seus lados,
mas continuaria a atender as regras internacionalmente estabelecidas como um
gramado de dimensões situadas entre o mínimo e o máximo permitidos em partidas oficiais.
Os
desportistas de Sergipe e os jornalistas esportivos não aceitaram a
argumentação do secretário Everaldo e, imediatamente se iniciou uma forte
campanha contra a execução da obra. Tentaram de todas as formas demover
Everaldo Aragão da ideia. Sem conseguir, pressionaram também o governador José
Rollemberg Leite, mas este devolveu a decisão ao seu secretário.
A
obra aparecia na mídia como “a mutilação do Batistão” e era tema diário de
debates no rádio, na TV e nos jornais. Também os discursos políticos na Câmara Municipal
de Aracaju e na Assembleia Legislativa do Estado de Sergipe se ocuparam do
tema, todos os dias.
O
presidente da Federação Sergipana de Futebol, José Carlos de Oliveira Filho
procurou pessoalmente o secretário Everaldo Aragão para manifestar o seu
desagrado, em nome da entidade que regulamentava a prática do futebol em Sergipe.
O
Jornal da Cidade, em sua edição do dia 16 de dezembro de 1976, noticiou o fato:
“Durante o dia de ontem foi noticiado que o presidente da FSF estaria reunido
com os clubes profissionais, visando pedir apoio para o Secretário Everaldo
Aragão. O que se anunciava: ser José Carlos de Oliveira Filho favorável a
diminuição das medidas do colosso da praia”.
No
mesmo texto, o jornal transcreveu declarações de José Carlos, afirmando: “Sou
contrário a mutilação que se pretende fazer no Batistão. Aliás, este meu ponto
de vista já disse pessoalmente ao Secretário Everaldo Aragão. Aconselhei a
construir a pista de atletismo no Estádio Adolpho Rollemberg ou mesmo no
Estádio João Hora, de propriedade do Club Sportivo Sergipe”.
Everaldo
não aceitou tais ponderações, insistiu que o espaço mais adequado era o do
Batistão e afirmou que era um absurdo Sergipe não dispor de instalações adequadas
para o treinamento e a prática de esportes olímpicos, oportunidade que, no seu
entendimento, faltava principalmente aos alunos das escolas públicas.
A
tensão sobre o assunto chegou ao seu ponto máximo de fervura quando, no dia 14
de dezembro de 1976, o então jovem advogado Nilo Alberto Santana Jaguar de Sá
decidiu requerer uma medida liminar, impetrando uma Ação Popular.
Nilo,
além de requerer a ação no Cartório de Distribuição do Tribunal de Justiça, foi
pessoalmente entregar uma cópia da sua petição ao Juiz da Terceira Vara Cível,
Thiers Gonçalves. O advogado argumentava que “no Batistão se concentram as
alegrias e as tristezas, quase cotidianas, do povo sergipano. Lá a massa torce,
chora, abre o grito tonitruante da vitória do seu clube e sofre a amargura de
uma desastrosa derrota do seu mais querido”.
Segundo
Nilo, seria importante a sustação das obras logo no seu início. Afirmava que o
Batistão sempre seria “o intocável teatro onde se desenrola a apresentação
cênica da mais séria instituição popular do país: o FUTEBOL”.
Em
entrevista que concedeu ao jornal Gazeta de Sergipe no dia 15 de dezembro de
1976, Jaguar qualificou o ato “de atentatório aos interesses da coletividade”,
afirmando que o povo era contra a medida de “castração do Estádio, pois vai
transformar uma praça de esportes de gabarito internacional num campinho de
pelada”.
Fundamentando
a sua ação, o autor obteve centenas de assinaturas de profissionais de diversas
categorias sociais para demonstrar a insatisfação gerada contra o ato do
secretário de educação. Desde o dia em que a Ação Popular foi distribuída, em
Aracaju se comentava abertamente que o magistrado Thiers iria indeferir o
pedido de liminar.
As obras foram iniciadas no dia 16 de dezembro de 1976.

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