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QUANDO A POLÍTICA É ASSERTIVA

                                                        Jackson Barreto       Jorge Carvalho do Nascimento*     Acompanhei à distância, com muita alegria, na última segunda-feira, 31 de julho de 2023, a solenidade realizada no Palácio do Planalto, quando o Presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou o decreto que viabilizou a implantação do programa de escolas de ensino integral do atual governo. Muito feliz ao ver o Estado de Sergipe representado pelo professor Yuri Norberto, do Centro de Excelência Atheneu Sergipe, falando em nome de todos os professores brasileiros, num justo reconhecimento ao trabalho que se faz naquela escola pública sergipana exemplar, hoje uma das mais importantes dentre as instituições públicas de ensino médio do país. Aplaudi a presença na solenidade do Secretário de Estado da Educaçã...

MEMÓRIAS DO JORNALISMO E DA COLUNA SOCIAL

      Dilson Menezes Barreto*     Prezado Jorge Carvalho,   Li MEMÓRIAS DO JORNALISMO E DA COLUNA SOCIAL, mastigando as palavras por ser um assunto que, durante minha caminhada profissional, nunca dei grande importância por entender a coluna social simplesmente como fonte de fofocas e repertório e notas sobre a vida alheia, para muitos bastante prazerosa. Não levava em consideração, por preconceito, o contexto social em que tais conjuntos de informações estavam inseridas em cada momento da sua história, bem assim os valores por elas representados. Não obstante tal julgamento, sempre mantive boa convivência com muitos dos cronistas sociais citados, a exemplo da João de Barros, Pedrito Barreto, Karmen Mesquita, Luiz Adelmo, Dayse Monte, Clara Angélica (um doce de pessoa), Ilma Fontes, Didi Macedo e Paulo Nou (no período universitário); Dudu Cabral, Anderson Nascimento, Zelita Correia, Luduvice José, Luiz Daniel Baronto e Luiz Eduardo Oliva (este...

DOIS GRAMÁTICOS SERGIPANOS NA ABL: JOÃO E LAUDELINO

                                                              João Ribeiro     Jorge Carvalho do Nascimento*     Normalmente visto e citado como um gramático, João Ribeiro, sem deixá-lo de ser, transborda para além dos limites do trabalho intelectual que normalmente preocupa esse tipo de estudioso. A curiosidade ilimitada do sergipano de Laranjeiras, nascido no dia 24 de junho de 1860, e os temas que este tratou determinam situá-lo no campo do tipo intelectual que se costumava rotular de polígrafo, até a metade do século XX. Alguns estudiosos como Luiz Antônio Barreto, Múcio Leão, Augusto Meyer e Boris Schneiderman se preocuparam em desvendar a obra de Ribeiro e isto permitiu que entendêssemos a necessidade de libertá-lo da imagem de importante gramático da Língua Portuguesa, o que já não era pouco. Mesmo com os vá...

A ETERNA E MUTANTE VANILDA PAIVA

      Jorge Carvalho do Nascimento*     Em 1982 eu cheguei à Pontifícia Universidade Católica - PUC de São Paulo como aluno do Mestrado em Filosofia e História da Educação. À época, oferecendo os cursos de Mestrado e Doutorado, a PUCSP mantinha o mais importante programa de pós-graduação em Educação do país. Àquela altura eu tinha clareza de que a formação jurídica que recebi na Universidade Federal de Sergipe fora extremamente importante para que eu pudesse compreender o mundo. Todavia, a minha consciência já havia demonstrado que eu jamais seria um quadro competente se resolvesse exercer a advocacia ou qualquer outra das práticas profissionais próprias aos operadores do Direito. As principais estrelas em ascensão na Educação brasileira atuavam como professores e pesquisadores no curso de Mestrado em Filosofia e História da Educação da PUC. O programa era liderado por Dermeval Saviani, recém-chegado da Itália, onde se aprofundara nos estudos sobre...

A PERERECA

     Jorge Carvalho do Nascimento*     Os 114 degraus revestidos com cimento crespo da igreja de Monte Santo eram uma espécie de “Disneylândia” dos romeiros devotos do beato Antônio Conselheiro. Nos sábados e domingos lá estavam beatos, beatas, mocinhas casadoiras, viúvas esperançosas, enfim todo um sortido de exemplares da fauna humana que chegava de longe e de perto, uns tantos para fazer pedidos e promessas e outros para depositar ex-votos. O padre Barata coçava a cabeça a cada novo ex-voto, principalmente os de maior volume. Reproduções de perna inteira em tamanho real, de troncos e colunas vertebrais de pessoas curadas pela graça do beato. Não havia mais espaço na pequena capela para guardar tanta coisa. Sábado e domingo não cabia tanta gente na Igrejinha. Os romeiros se ajoelhavam no primeiro degrau e subiam a longa escadaria contando um a um os obstáculos que esfolavam lentamente os joelhos dos que se dispunham a subir. Alguns intensificavam...

CÉU DE BRIGADEIRO

      Jorge Carvalho do Nascimento*     Marcos Antônio de Melo foi prodígio desde sempre. Aos 25 anos de idade, em 1970 era secretário de Estado da Administração em Sergipe. Dois anos antes, em 1968, havia colado grau em Ciências Econômicas pela Universidade Federal sergipana. O economista propriaense havia iniciado o ensino médio em Maceió, no prestigiado Colégio Batista Alagoano, quando era corrente o ano de 1961, e concluiu tal ciclo de estudos em 1963, no Colégio Estadual de Sergipe, o velho Atheneu. Depois que ascendeu ao primeiro time da administração pública de Sergipe, Marcos não parou mais. Nem como gestor e muito menos como intelectual insaciável na busca por novos conhecimentos. Já muito experiente na gestão, obteve o título de mestre em administração pública pela Fundação Getúlio Vargas, do Rio de Janeiro, defendendo sua dissertação em 1982. Marcos desejou ampliar os seus saberes para além do campo da Economia. Prestou concurso vestibul...

O TIRO

      Jorge Carvalho do Nascimento*     Baleadeira, atiradeira, baladeira, funda, badogue, badoque, bodoque, estilingue. Eram vários os nomes, mas o objetivo era somente o de atirar pedras em passarinhos, lagartixas, sapos ou acertar alvos os mais diversos. Matar e maltratar animais era brincadeira de criança. Na transição da infância para a adolescência os amigos invejavam a minha coleção da baleadeiras, todas construídas artesanalmente por mim. A munição: pedras, bolas de gude, caroços de frutas, mamonas. Tudo que pudesse atingir um alvo e ferir os animais. E algumas vezes também as pessoas, principalmente nas emocionantes batalhas das guerras de mamona que os meninos protagonizavam e que marcavam o corpo dos menos hábeis. A violência era parte significativa das brincadeiras, das práticas dos meninos. Às meninas, as bonecas. Aos meninos, os jogos de pelada nos quais todos, de pés descalços se estropiavam chutando a bola e junto com ela as pedras,...

O MOVIMENTO DE BOULANGER

      Jorge Carvalho do Nascimento*     Desde que, em 2008, publiquei o livro A ESCOLA DE BADEN-POWELL, fui convidado, aceitei e passei a integrar a Patrulha Jaguatirica, um grupo de escoteiros que se dedicam a estudar a história do escotismo, especialmente no Brasil. Tenho muito orgulho de ser membro do grupo. Nos últimos tempos assumi a responsabilidade de governar o Distrito 4391 (Bahia, Sergipe e Alagoas) do Rotary International, no Ano Rotário 2024-2025. Tal compromisso tem me consumido muito tempo no processo de preparação e planejamento e me transformado em um Jaguatirica que é apenas espectador das atividades dos irmãos escoteiros que cotidianamente colocam a mão na massa com as atividades da Patrulha. Nesta última semana, necessitei fazer alguns exames de saúde. Não há nada melhor para salas de espera de consultórios médicos, laboratórios e clínicas que uma boa leitura. Apesar de já ter feito duas boas leituras do livro que aqui referencio...

O GRITO DAS CATEDRAIS DE JUSTINO

      Jorge Carvalho do Nascimento*     Em 1978 eu trabalhava na Assessoria para Assuntos Culturais da Secretaria da Educação e Cultura do Estado de Sergipe. Compunha a equipe de trabalho coordenada por Luiz Antônio Barreto e na condição de representante daquele grupo participei do II Encontro Nacional do Ensino de Cinema nas Escolas de 1º e 2º Graus. Coordenado por Djaldino Mota Moreno, então presidente do Clube de Cinema de Sergipe, o evento reuniu intelectuais ligados ao esforço que buscava os caminhos capazes de perenizar o ensino de cinema nas escolas de 1º e 2º graus. Integrei o grupo que redigiu o documento final do Encontro. Participando ativamente de todos os debates e integrando comigo e com outros participantes a equipe que redigiu o documento, tive a oportunidade de conhecer um professor de Educação Artística do Atheneu Sergipense, especializado em cinema, que me chamou a atenção por vários fatores. O brilho da inteligência daquele pr...